# Registro público: STJ — 164524

- **Origem:** stj
- **Órgão:** QUINTA TURMA
- **Classe:** AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO DE HABEAS CORPUS
- **Grau:** 
- **Data de julgamento:** 2022-08-16
- **Publicação:** 2022-08-22
- **Ajuizamento:** 
- **Página canônica da Wiki Jurídica:** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/10265/
- **Registro público da fonte (JSON):** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/10265.json
- **Fonte primária preservada:** STJ, dados abertos de acórdãos
- **SHA-256 da fonte preservada:** dd6cd8c9dcbb5f403b2cb73064b9df0ca96b43ca4c9bd2c1db06dfdf65b7a12a

## Questão jurídica conforme a ementa oficial

AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ORDINÁRIO EM
HABEAS CORPUS. CONTRABANDO. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. ATIPICIDADE
DA CONDUTA. AUSÊNCIA DE INEQUÍVOCA COMPROVAÇÃO. PRINCÍPIO DA
INSIGNIFICÂNCIA. INAPLICABILIDADE. DESTINO DA MERCADORIA.
NECESSIDADE DE ANÁLISE FÁTICO-PROBATÓRIA. INDEFERIMENTO DE PRODUÇÃO
DE PROVAS. DECISÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA. INDISPENSABILIDADE.
INCURSÃO EM CONTEXTO FÁTICO E DE PROVAS. AGRAVO REGIMENTAL
DESPROVIDO.

**Origem:** transcrição do STJ, sem tese jurídica inferida.

## Fundamentos documentados nos itens da ementa

- **Item 1 (texto oficial):** Nos termos do entendimento consolidado nesta Corte, o trancamento
da ação penal, inquérito policial ou procedimento investigativo por
meio do habeas corpus é medida excepcional. Por isso, será cabível
somente quando houver inequívoca comprovação da atipicidade da
conduta, da incidência de causa de extinção da punibilidade ou da
ausência de indícios de autoria ou de prova sobre a materialidade do
delito.
- **Item 2 (texto oficial):** Alegada atipicidade da conduta face à ausência de elementar do
tipo "importar" que não foi apreciada pela Corte Regional, situação
que obsta o seu conhecimento diretamente por este Tribunal, sob pena
de indevida supressão de instância.
- **Item 3 (texto oficial):** A desconstituição das premissas fáticas de que a mercadoria é de
uso proibido no Brasil por não atender à legislação agropecuária,
não possuindo registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento demandaria revolvimento probatório, providência
incompatível com a via estreita do habeas corpus.
- **Item 4 (texto oficial):** É inaplicável o princípio da insignificância na hipótese em que o
agente introduz no território nacional medicamentos não autorizados
pelas autoridades competentes, diante da potencial lesividade à
saúde pública.
- **Item 5 (texto oficial):** Em hipóteses excepcionais, permite-se o reconhecimento do
princípio bagatelar se a quantidade apreendida é pequena e destinada
ao consumo próprio. Na presente hipótese, no entanto, o real
destino da mercadoria não encontra espaço de conhecimento na via
estreita do habeas corpus, devendo ser alvo de apreciação no momento
da instrução criminal.
- **Item 6 (texto oficial):** "O art. 400, § 1º, do CPP, autoriza o Magistrado a indeferir as
provas que considerar irrelevantes, impertinentes ou protelatórias,
uma vez que é ele o destinatário da prova, não se relevando,
portanto, cerceamento de defesa o seu indeferimento fundamentado."
(AgRg no RHC 113.646/PA, Rel. Ministro Leopoldo de Arruda Raposo
(Desembargador Convocado do TJ/PE), Quinta Turma, DJe 8/10/2019).
- **Item 7 (texto oficial):** Na hipótese dos autos, o magistrado indeferiu a produção das
provas de maneira devidamente fundamentada, destacando que, em
relação à expedição de ofício à operadora de telefonia Vivo e à
Polícia Federal, a diligência estaria ao alcance do próprio
requerente, uma vez que envolve informações pessoais, e, de fato, se
não em sua amplitude, mas com igual efetividade, pode a parte, por
exemplo, juntar seus extratos de telefonia e de serviços de pedágio.
Quanto às testemunhas, assentou o magistrado que o exercício de
atividade lícita não infirmaria o conteúdo da denúncia e poderia ser
melhor comprovada por documentos.
- **Item 8 (texto oficial):** Diante dos indícios de autoria e materialidade, e devidamente
caracterizada a subsunção da conduta do recorrente ao tipo penal
descrito na denúncia, faz-se necessário o prosseguimento da
persecução criminal.
- **Item 9 (texto oficial):** Agravo regimental desprovido.

## Ementa

AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ORDINÁRIO EM
HABEAS CORPUS. CONTRABANDO. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. ATIPICIDADE
DA CONDUTA. AUSÊNCIA DE INEQUÍVOCA COMPROVAÇÃO. PRINCÍPIO DA
INSIGNIFICÂNCIA. INAPLICABILIDADE. DESTINO DA MERCADORIA.
NECESSIDADE DE ANÁLISE FÁTICO-PROBATÓRIA. INDEFERIMENTO DE PRODUÇÃO
DE PROVAS. DECISÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA. INDISPENSABILIDADE.
INCURSÃO EM CONTEXTO FÁTICO E DE PROVAS. AGRAVO REGIMENTAL
DESPROVIDO.
1. Nos termos do entendimento consolidado nesta Corte, o trancamento
da ação penal, inquérito policial ou procedimento investigativo por
meio do habeas corpus é medida excepcional. Por isso, será cabível
somente quando houver inequívoca comprovação da atipicidade da
conduta, da incidência de causa de extinção da punibilidade ou da
ausência de indícios de autoria ou de prova sobre a materialidade do
delito.
2. Alegada atipicidade da conduta face à ausência de elementar do
tipo "importar" que não foi apreciada pela Corte Regional, situação
que obsta o seu conhecimento diretamente por este Tribunal, sob pena
de indevida supressão de instância.
3. A desconstituição das premissas fáticas de que a mercadoria é de
uso proibido no Brasil por não atender à legislação agropecuária,
não possuindo registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento demandaria revolvimento probatório, providência
incompatível com a via estreita do habeas corpus.
4. É inaplicável o princípio da insignificância na hipótese em que o
agente introduz no território nacional medicamentos não autorizados
pelas autoridades competentes, diante da potencial lesividade à
saúde pública.
5. Em hipóteses excepcionais, permite-se o reconhecimento do
princípio bagatelar se a quantidade apreendida é pequena e destinada
ao consumo próprio. Na presente hipótese, no entanto, o real
destino da mercadoria não encontra espaço de conhecimento na via
estreita do habeas corpus, devendo ser alvo de apreciação no momento
da instrução criminal.
6. "O art. 400, § 1º, do CPP, autoriza o Magistrado a indeferir as
provas que considerar irrelevantes, impertinentes ou protelatórias,
uma vez que é ele o destinatário da prova, não se relevando,
portanto, cerceamento de defesa o seu indeferimento fundamentado."
(AgRg no RHC 113.646/PA, Rel. Ministro Leopoldo de Arruda Raposo
(Desembargador Convocado do TJ/PE), Quinta Turma, DJe 8/10/2019).
7. Na hipótese dos autos, o magistrado indeferiu a produção das
provas de maneira devidamente fundamentada, destacando que, em
relação à expedição de ofício à operadora de telefonia Vivo e à
Polícia Federal, a diligência estaria ao alcance do próprio
requerente, uma vez que envolve informações pessoais, e, de fato, se
não em sua amplitude, mas com igual efetividade, pode a parte, por
exemplo, juntar seus extratos de telefonia e de serviços de pedágio.
Quanto às testemunhas, assentou o magistrado que o exercício de
atividade lícita não infirmaria o conteúdo da denúncia e poderia ser
melhor comprovada por documentos.
8. Diante dos indícios de autoria e materialidade, e devidamente
caracterizada a subsunção da conduta do recorrente ao tipo penal
descrito na denúncia, faz-se necessário o prosseguimento da
persecução criminal.
9. Agravo regimental desprovido.

## Dispositivo / resultado textual

Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Quinta Turma do Superior Tribunal
de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental.
Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Jesuíno Rissato
(Desembargador Convocado do TJDFT), João Otávio de Noronha e
Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr. Ministro Relator.

## Referências extraídas



**Limite documental:** Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.


## Navegação contextual


**Nota:** processos com a mesma classificação ou norma podem ter fatos, fundamentos e desfechos divergentes. Ato/andamento não prova vitória, derrota ou trânsito em julgado.
