# Registro público: STJ — 2121001

- **Origem:** stj
- **Órgão:** QUINTA TURMA
- **Classe:** AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- **Grau:** 
- **Data de julgamento:** 2022-09-13
- **Publicação:** 2022-09-19
- **Ajuizamento:** 
- **Página canônica da Wiki Jurídica:** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/13115/
- **Registro público da fonte (JSON):** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/13115.json
- **Fonte primária preservada:** STJ, dados abertos de acórdãos
- **SHA-256 da fonte preservada:** cd99bad44b7222d8bcd624853c35450630aa2aa32f39901c85727baaaf594e75

## Questão jurídica conforme a ementa oficial

PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL.  LAVAGEM DE DINHEIRO. BUSCA E APREENSÃO. NULIDADE.
VIOLAÇÃO DE PRERROGATIVA PREVISTA NO ESTATUTO DA ADVOCACIA.
INVIOLABILIDADE  DO  LOCAL DE TRABALHO.   RESIDÊNCIA DE INVESTIGADA
PELA  PRÁTICA  DE  CRIME. UTILIZAÇÃO PROFISSIONAL. SÚMULA 7/STJ.
FUNDAMENTOS NÃO ATACADOS. SÚMULA 283/STF. MITIGAÇÃO. CERCEAMENTO DE
DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.

**Origem:** transcrição do STJ, sem tese jurídica inferida.

## Fundamentos documentados nos itens da ementa

- **Item 1 (texto oficial):** O Tribunal a quo, ao decidir pela inexistência de nulidade  da
busca e apreensão realizada na residência da investigada, assim o
fez com base nos seguintes fundamentos: a) não ter sido demonstrado
o efetivo exercício da advocacia pela agravante, eis que: 1) o
último vínculo empregatício em escritório de advocacia é de 2012; 2)
ela exercia, atualmente, a profissão de psicóloga, tanto que
requereu a devolução de uma caderneta que teria anotações de
diversos pacientes; 3) a certidão da Procuradora Regional da
República que acompanhou a realização da diligência consigna que a
própria investigada respondeu que não exercia a advocacia há cinco
anos, eis que dedica-se integralmente à atividade de psicóloga; b) a
ausência de provas de que a residência era utilizada para fins
profissionais; c) a garantia da inviolabilidade do local de trabalho
não é absoluta, podendo ser afastada com o objetivo de se aprofundar
investigação de crime supostamente praticado pelo advogado,
inclusive em coautoria ou com a participação de clientes, sendo que,
in casu, os únicos dois processos em que a investigada atuava são
processos relativos à sua irmã e seu pai, os quais estariam
envolvidos nos delitos antecedentes ao crime de lavagem de dinheiro
pelo qual a agravante é investigada (e-STJ fls. 1057). Rever tais
premissas utilizadas pela Corte Federal, para decidir que a
residência da agravante era efetivamente utilizada para fins
profissionais e que foram comprometidos documentos sensíveis de seus
clientes, como requer a defesa, importa revolvimento de matéria
fático-probatória, vedado em recurso especial, segundo óbice da
Súmula 7/STJ.
- **Item 2 (texto oficial):** Entre a fundamentação do acórdão objurgado e a argumentação do
recurso especial, nota-se que a parte recorrente deixou de impugnar
a ocorrência da natureza relativa da prerrogativa prevista no art.
7º da Lei nº 8.906/1994, limitando-se a sustentar que exercia a
advocacia, que a residência era utilizada para fins profissionais e
a necessidade da presença de representante da OAB durante a
realização da medida. Dessa forma, inafastável a incidência da
Súmula 283/STF.
- **Item 3 (texto oficial):** A Corte Especial do STJ assentou que a inviolabilidade prevista
no art. 7º, II, da Lei n. 8.906/1994 não se presta para afastar da
persecução penal a prática de delitos pessoais pelos advogados.
Trata-se de garantia voltada ao exercício da advocacia e protege o
munus constitucional exercido pelo profissional em relação a seus
clientes, criminosos ou não, mas que não devem servir de blindagem
para a prática de crimes pelo próprio advogado, em concurso ou não
com seus supostos clientes (APn 940/DF, Rel. Ministro OG FERNANDES,
Corte Especial, julgado em 6/5/2020, DJe 13/5/2020). Precedentes.
- **Item 4 (texto oficial):** Assim, tendo o Tribunal de origem concluído que a ora embargante
encontra-se na condição de investigada por suposta prática do crime
de lavagem de dinheiro, justamente por integrar o "grupo familiar"
de Paulo Vieira de Souza (seu genitor), que, em tese, teria atuado
para garantir a "blindagem patrimonial" do patrimônio do mesmo,
provavelmente angariado em decorrência da prática de crimes contra a
Administração a ele atribuídos, não há qualquer ilegalidade na
medida.
- **Item 5 (texto oficial):** Não há que se falar na ocorrência de cerceamento de defesa, tendo
em vista que a jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que,
em regra, salvo situação excepcionalíssima, não se acolhe alegação
de nulidade por cerceamento de defesa, em função do indeferimento de
diligências requeridas pela defesa, porquanto o magistrado é o
destinatário final da prova, logo, compete a ele, de maneira
fundamentada e com base no arcabouço probatório produzido, analisar
a pertinência, relevância e necessidade da realização da atividade
probatória pleiteada (AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.366.958/PE, Rel.
Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 28/5/2019, DJe
4/6/2019). Precedentes.
- **Item 6 (texto oficial):** Agravo regimental não provido.

## Ementa

PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL.  LAVAGEM DE DINHEIRO. BUSCA E APREENSÃO. NULIDADE.
VIOLAÇÃO DE PRERROGATIVA PREVISTA NO ESTATUTO DA ADVOCACIA.
INVIOLABILIDADE  DO  LOCAL DE TRABALHO.   RESIDÊNCIA DE INVESTIGADA
PELA  PRÁTICA  DE  CRIME. UTILIZAÇÃO PROFISSIONAL. SÚMULA 7/STJ.
FUNDAMENTOS NÃO ATACADOS. SÚMULA 283/STF. MITIGAÇÃO. CERCEAMENTO DE
DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. O Tribunal a quo, ao decidir pela inexistência de nulidade  da
busca e apreensão realizada na residência da investigada, assim o
fez com base nos seguintes fundamentos: a) não ter sido demonstrado
o efetivo exercício da advocacia pela agravante, eis que: 1) o
último vínculo empregatício em escritório de advocacia é de 2012; 2)
ela exercia, atualmente, a profissão de psicóloga, tanto que
requereu a devolução de uma caderneta que teria anotações de
diversos pacientes; 3) a certidão da Procuradora Regional da
República que acompanhou a realização da diligência consigna que a
própria investigada respondeu que não exercia a advocacia há cinco
anos, eis que dedica-se integralmente à atividade de psicóloga; b) a
ausência de provas de que a residência era utilizada para fins
profissionais; c) a garantia da inviolabilidade do local de trabalho
não é absoluta, podendo ser afastada com o objetivo de se aprofundar
investigação de crime supostamente praticado pelo advogado,
inclusive em coautoria ou com a participação de clientes, sendo que,
in casu, os únicos dois processos em que a investigada atuava são
processos relativos à sua irmã e seu pai, os quais estariam
envolvidos nos delitos antecedentes ao crime de lavagem de dinheiro
pelo qual a agravante é investigada (e-STJ fls. 1057). Rever tais
premissas utilizadas pela Corte Federal, para decidir que a
residência da agravante era efetivamente utilizada para fins
profissionais e que foram comprometidos documentos sensíveis de seus
clientes, como requer a defesa, importa revolvimento de matéria
fático-probatória, vedado em recurso especial, segundo óbice da
Súmula 7/STJ.
2. Entre a fundamentação do acórdão objurgado e a argumentação do
recurso especial, nota-se que a parte recorrente deixou de impugnar
a ocorrência da natureza relativa da prerrogativa prevista no art.
7º da Lei nº 8.906/1994, limitando-se a sustentar que exercia a
advocacia, que a residência era utilizada para fins profissionais e
a necessidade da presença de representante da OAB durante a
realização da medida. Dessa forma, inafastável a incidência da
Súmula 283/STF.
3. A Corte Especial do STJ assentou que a inviolabilidade prevista
no art. 7º, II, da Lei n. 8.906/1994 não se presta para afastar da
persecução penal a prática de delitos pessoais pelos advogados.
Trata-se de garantia voltada ao exercício da advocacia e protege o
munus constitucional exercido pelo profissional em relação a seus
clientes, criminosos ou não, mas que não devem servir de blindagem
para a prática de crimes pelo próprio advogado, em concurso ou não
com seus supostos clientes (APn 940/DF, Rel. Ministro OG FERNANDES,
Corte Especial, julgado em 6/5/2020, DJe 13/5/2020). Precedentes.
4. Assim, tendo o Tribunal de origem concluído que a ora embargante
encontra-se na condição de investigada por suposta prática do crime
de lavagem de dinheiro, justamente por integrar o "grupo familiar"
de Paulo Vieira de Souza (seu genitor), que, em tese, teria atuado
para garantir a "blindagem patrimonial" do patrimônio do mesmo,
provavelmente angariado em decorrência da prática de crimes contra a
Administração a ele atribuídos, não há qualquer ilegalidade na
medida.
5. Não há que se falar na ocorrência de cerceamento de defesa, tendo
em vista que a jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que,
em regra, salvo situação excepcionalíssima, não se acolhe alegação
de nulidade por cerceamento de defesa, em função do indeferimento de
diligências requeridas pela defesa, porquanto o magistrado é o
destinatário final da prova, logo, compete a ele, de maneira
fundamentada e com base no arcabouço probatório produzido, analisar
a pertinência, relevância e necessidade da realização da atividade
probatória pleiteada (AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.366.958/PE, Rel.
Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 28/5/2019, DJe
4/6/2019). Precedentes.
6. Agravo regimental não provido.

## Dispositivo / resultado textual

Visto, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Quinta Turma do Superior Tribunal
de Justiça,  por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental.
 Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, João Otávio
de Noronha e Jorge Mussi votaram com o Sr. Ministro Relator.

## Referências extraídas

urn:lex:br:federal:lei:1994-07-04;8906!art7

## Jurisprudência citada pela fonte STJ

(INVIOLABILIDADE DO ESTATUTO DA OAB - GARANTIA DO SIGILO
PROFISSIONAL - PRÁTICA DE CRIMES PELO PRÓPRIO ADVOGADO)
   STJ - <<APn 940>>-DF,
         <<RHC 150509>>-MG,
         <<RHC 157143>>-PR,
         <<AgRg no RHC 163700>>-RS,
         <<AgRg no RHC 134272>>-SP,
         <<RHC 120330>>-MG
(CERCEAMENTO DE DEFESA - ALEGAÇÃO DE NULIDADE - ATIVIDADE PROBATÓRIA
- ANÁLISE PELO MAGISTRADO)
   STJ - <<AgRg nos EDcl no AREsp 1366958>>-PE,
         <<AgRg no HC 663307>>-DF,
         <<AgRg no HC 624654>>-SP,
         <<AgRg nos EDcl no AREsp 1810672>>-AP,
         <<AgRg no RHC 126281>>-SP,
         <<AgRg no REsp 1846021>>-RS

## Súmulas citadas

- STF:283
- STJ:7

## Referências legislativas textuais

- LEG:FED LEI:008906 ANO:1994
*****  EOAB-94    ESTATUTO DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL DE 1994
        ART:00007 INC:00002
- LEG:FED SUM:****** ANO:****
*****  SUM(STJ)    SÚMULA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
        SUM:000007
- LEG:FED SUM:****** ANO:****
*****  SUM(STF)    SÚMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
        SUM:000283

**Limite documental:** Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.


## Navegação contextual

- [Decisões que citam urn:lex:br:federal:lei:1994-07-04;8906!art7](https://wikijuridica.com.br/casos/dispositivo/?urn=urn%3Alex%3Abr%3Afederal%3Alei%3A1994-07-04%3B8906%21art7)

**Nota:** processos com a mesma classificação ou norma podem ter fatos, fundamentos e desfechos divergentes. Ato/andamento não prova vitória, derrota ou trânsito em julgado.

## Casos reais relacionados — semelhanças e diferenças documentais

Relações por códigos TPU ou URN LexML coincidentes. Coincidências de campos não demonstram identidade da causa, do mérito ou do resultado e não são aconselhamento jurídico. Diferenças de classificação, tribunal ou órgão são documentais.

- [STJ — 777056](https://wikijuridica.com.br/casos/documento/62693/) — classe: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS; referências coincidentes: urn:lex:br:federal:lei:1994-07-04;8906!art7
  - Coincidência literal — Tribunal: STJ
  - Coincidência literal — Órgão julgador: QUINTA TURMA
  - Classe processual (atual / relacionado): AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL / AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS
- [STJ — 2355580](https://wikijuridica.com.br/casos/documento/50228/) — classe: AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL; referências coincidentes: urn:lex:br:federal:lei:1994-07-04;8906!art7
  - Coincidência literal — Tribunal: STJ
  - Coincidência literal — Órgão julgador: QUINTA TURMA
  - Classe processual (atual / relacionado): AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL / AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- [STJ — 177168](https://wikijuridica.com.br/casos/documento/47214/) — classe: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS; referências coincidentes: urn:lex:br:federal:lei:1994-07-04;8906!art7
  - Coincidência literal — Tribunal: STJ
  - Coincidência literal — Órgão julgador: QUINTA TURMA
  - Classe processual (atual / relacionado): AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL / AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS
