# Registro público: STJ — 751939

- **Origem:** stj
- **Órgão:** QUINTA TURMA
- **Classe:** AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS
- **Grau:** 
- **Data de julgamento:** 2022-09-13
- **Publicação:** 2022-09-21
- **Ajuizamento:** 
- **Página canônica da Wiki Jurídica:** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/13162/
- **Registro público da fonte (JSON):** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/13162.json
- **Fonte primária preservada:** STJ, dados abertos de acórdãos
- **SHA-256 da fonte preservada:** 7901b56bea99c9dfe14f71ce2278a591d54464158640854b0920dbd718eb9f20

## Questão jurídica conforme a ementa oficial

PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO. ANULAÇÃO DE JULGAMENTO. VEREDICTO MANIFESTAMENTE CONTRÁRIO À PROVA DOS AUTOS. RECURSO MINISTERIAL. POSSIBILIDADE. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. ÓBICE NA VIA DO WRIT. AGRAVO DESPROVIDO.

**Origem:** transcrição do STJ, sem tese jurídica inferida.

## Fundamentos documentados nos itens da ementa

- **Item 1 (texto oficial):** Hipótese em que o Tribunal a quo anulou o veredicto  absolutório do  Conselho  de Sentença, com  fundamento  no  art.  593,  inciso  III,  alínea  "d",  do  CPP,  por  entendê-lo manifestamente contrário à prova dos autos a tese de legítima defesa
admitida pelos jurados, considerando  os  depoimentos  colhidos  na  persecução  penal  e  o  novo  exame  de  corpo  do ofendido, no qual restou demonstrado, diversamente do que foi sustentado pelo réu na sessão de julgamento e em conformidade com
relatos testemunhais, que um dos tiros efetivamente atingiu a vítima pelas costas.
- **Item 2 (texto oficial):** Descabe falar em ilegalidade sanável na via do writ, pois, nos moldes da  jurisprudência  desta  Corte,  não  afronta  ao  princípio  da  soberania  dos  veredictos  do  júri, previsto  no  artigo  5º,  inciso  XXXVIII,  alínea  ?c?,  da
Constituição  da  República,  a  decisão devidamente fundamentada do Tribunal a quo que submete o réu a um novo julgamento, sob o argumento de que o Conselho de Sentença baseou-se nas manifestações isoladas dos acusados, em clara contrariedade ao
arcabouço probatório acostado aos autos.
- **Item 3 (texto oficial):** A Terceira Seção desta Corte Superior, ao julgar o HC 313.251/RJ, da relatoria do Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, por maioria, uniformizou sua jurisprudência sobre a possibilidade da interposição de recurso ministerial, uma única vez, contra a sentença
absolutória  do  Tribunal  do  Júri,  ainda  que  por  clemência,  quando  esta  for  manifestamente contrária à prova dos autos, não havendo que se falar em violação ao princípio da soberania dos veredictos,  vencidos  este  Relator  e  os  Ministros
Sebastião  Reis  Júnior,  Reynaldo  Soares  da Fonseca e Antonio Saldanha Palheiro.
- **Item 4 (texto oficial):** Tendo o Tribunal de origem constatado que o veredicto absolutório contrariou as provas dos autos, concluir em sentido contrário demandaria o revolvimento do contexto fático-probatório para a alteração do acórdão impugnado, providência essa que, como
cediço, é vedada na via estreita do habeas corpus.
- **Item 5 (texto oficial):** Agravo desprovido.

## Ementa

PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO. ANULAÇÃO DE JULGAMENTO. VEREDICTO MANIFESTAMENTE CONTRÁRIO À PROVA DOS AUTOS. RECURSO MINISTERIAL. POSSIBILIDADE. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. ÓBICE NA VIA DO WRIT. AGRAVO DESPROVIDO.
1. Hipótese em que o Tribunal a quo anulou o veredicto  absolutório do  Conselho  de Sentença, com  fundamento  no  art.  593,  inciso  III,  alínea  "d",  do  CPP,  por  entendê-lo manifestamente contrário à prova dos autos a tese de legítima defesa
admitida pelos jurados, considerando  os  depoimentos  colhidos  na  persecução  penal  e  o  novo  exame  de  corpo  do ofendido, no qual restou demonstrado, diversamente do que foi sustentado pelo réu na sessão de julgamento e em conformidade com
relatos testemunhais, que um dos tiros efetivamente atingiu a vítima pelas costas.
2. Descabe falar em ilegalidade sanável na via do writ, pois, nos moldes da  jurisprudência  desta  Corte,  não  afronta  ao  princípio  da  soberania  dos  veredictos  do  júri, previsto  no  artigo  5º,  inciso  XXXVIII,  alínea  ?c?,  da
Constituição  da  República,  a  decisão devidamente fundamentada do Tribunal a quo que submete o réu a um novo julgamento, sob o argumento de que o Conselho de Sentença baseou-se nas manifestações isoladas dos acusados, em clara contrariedade ao
arcabouço probatório acostado aos autos.
3. A Terceira Seção desta Corte Superior, ao julgar o HC 313.251/RJ, da relatoria do Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, por maioria, uniformizou sua jurisprudência sobre a possibilidade da interposição de recurso ministerial, uma única vez, contra a sentença
absolutória  do  Tribunal  do  Júri,  ainda  que  por  clemência,  quando  esta  for  manifestamente contrária à prova dos autos, não havendo que se falar em violação ao princípio da soberania dos veredictos,  vencidos  este  Relator  e  os  Ministros
Sebastião  Reis  Júnior,  Reynaldo  Soares  da Fonseca e Antonio Saldanha Palheiro.
4. Tendo o Tribunal de origem constatado que o veredicto absolutório contrariou as provas dos autos, concluir em sentido contrário demandaria o revolvimento do contexto fático-probatório para a alteração do acórdão impugnado, providência essa que, como
cediço, é vedada na via estreita do habeas corpus.
5. Agravo desprovido.

## Dispositivo / resultado textual

Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Quinta Turma do Superior Tribunal
de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental.
Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, João Otávio de Noronha, Jorge
Mussi e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr. Ministro
Relator.

## Referências extraídas



**Limite documental:** Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.


## Navegação contextual


**Nota:** processos com a mesma classificação ou norma podem ter fatos, fundamentos e desfechos divergentes. Ato/andamento não prova vitória, derrota ou trânsito em julgado.
