{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":136030,"origem":"stj","sha256_origem":"ccccc3723a353d13953176fe1d447a4fbecc7c1f221c5a1b147038d5ebe09378","registro_original":{"id_fonte":"1437863","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"TERCEIRA TURMA","classe":"AgInt no REsp","classe_descricao":"AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL","numero_processo":"2250402","numero_registro":"202504953977","relator":"DANIELA TEIXEIRA","data_julgamento":"2026-06-15","data_publicacao":"2026-06-18","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. FRAUDE\n BANCÁRIA. GOLPE DA FALSA CENTRAL DE ATENDIMENTO. OPERAÇÕES\n ATÍPICAS. CONTRATAÇÃO DE CRÉDITO E TRANSFERÊNCIAS VIA PIX DE ELEVADO\n VALOR. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. CULPA\n EXCLUSIVA AFASTADA. FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO CONFIGURADA.\n AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO.\n I. Caso em exame\n 1. Agravo interno interposto por instituição financeira contra\n decisão monocrática que deu provimento ao recurso especial da\n consumidora para restabelecer sentença que condenou o banco ao\n ressarcimento dos prejuízos decorrentes de fraude bancária, na\n modalidade \"golpe da falsa central de atendimento\", envolvendo\n contratação de empréstimos e transferências via PIX em dois dias\n distintos, totalizando aproximadamente R$ 270.576,96.\n 2. O acórdão de origem deu provimento à apelação do banco para\n julgar improcedente a ação, ao fundamento de que as operações foram\n realizadas pela própria correntista, mediante uso de senha e token,\n com emissão de alertas de segurança, reconhecendo a culpa exclusiva\n da vítima.\n 3. A decisão monocrática reformou o acórdão recorrido para\n restabelecer a sentença de procedência, ao reconhecer a existência\n de falha na prestação do serviço bancário diante da validação de\n operações manifestamente atípicas, afastando a tese de culpa\n exclusiva da consumidora.\n II. Questão em discussão\n 4. Discute-se se, diante da realização de operações bancárias de\n elevado valor, em sequência e em curto intervalo temporal, é\n possível afastar a responsabilidade da instituição financeira com\n base na culpa exclusiva da vítima.\n III. Razões de decidir\n 5. A validação de operações atípicas - contratação de crédito\n seguida de transferências via PIX, em valores elevados e\n concentradas em dois dias - evidencia deficiência nos mecanismos de\n segurança da instituição financeira, caracterizando defeito na\n prestação do serviço.\n 6. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou\n entendimento de que as instituições financeiras respondem\n objetivamente pelos danos decorrentes de fraudes praticadas por\n terceiros (Súmula 479/STJ), competindo-lhes desenvolver sistemas\n aptos a identificar e impedir movimentações incompatíveis com o\n perfil do cliente.\n 7. A eventual participação da consumidora na dinâmica da fraude, ao\n seguir orientações de terceiros, não afasta a responsabilidade da\n instituição financeira quando demonstrada a ineficiência dos\n mecanismos de prevenção, sendo inaplicável a excludente do art. 14,\n § 3º, II, do CDC.\n 8. No caso, as circunstâncias fáticas evidenciam operações\n flagrantemente incompatíveis com o padrão da conta, em valores\n elevados e em curto espaço de tempo, sem atuação preventiva eficaz\n do banco, o que impede o reconhecimento de culpa exclusiva da\n vítima.\n IV. Dispositivo\n 9. Agravo interno não provido","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\n acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de\n Justiça, em Sessão Virtual de 09/06/2026 a 15/06/2026, por\n unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra.\n Ministra Relatora.\n Os Srs. Ministros Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e\n Moura Ribeiro votaram com a Sra. Ministra Relatora.\n Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Daniela Teixeira.\n Não participou do julgamento a Sra. Ministra Nancy Andrighi.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":[],"sumulas_citadas":[],"referencias_legislativas_brutas":[],"jurisprudencia_citada":"","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/74a99dea-a197-4d73-a169-d8c8f8f0b175/resource/e307c28b-8e6b-4af6-832e-6c3415092b76/download/20260630.json","coletado_em":"2026-09-09T12:52:51Z","sha256_conteudo":"91cbe487a7ccefe1c618a93cf48b7362951aa37cc770e2fd220a1e97f5a0c1bc","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"qualidade_textual":{"schema":"wiki.casos-qualidade-textual.v1","verificacao":"presenca_de_U+FFFD","escopo":"chaves_e_valores_da_representacao_publica","sha256_fonte_preservada":"ccccc3723a353d13953176fe1d447a4fbecc7c1f221c5a1b147038d5ebe09378","tem_alerta":false,"ocorrencias":0,"campos_afetados":0,"caminhos":[],"formato_caminhos":"JSON Pointer relativo ao registro público","caminhos_omitidos":0,"limite_caminhos":128,"origem_da_substituicao":"nao_determinada_por_esta_verificacao","aviso":""},"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
