{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":139941,"origem":"stj","sha256_origem":"55dd835e21fe1298b9a55f6c73c3c71c25b1d56066d0572dde20d8f093cbdb63","registro_original":{"id_fonte":"1434382","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"QUARTA TURMA","classe":"AgInt no AREsp","classe_descricao":"AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL","numero_processo":"3055722","numero_registro":"202503663426","relator":"LUÍS CARLOS GAMBOGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJMG)","data_julgamento":"2026-06-01","data_publicacao":"2026-06-08","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA.\n ALIMENTO INDUSTRIALIZADO CONTAMINADO POR INSETOS. DANO MORAL. PROVA\n PERICIAL. SÚMULAS 7 E 83/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.\n I. CASO EM EXAME\n 1. O recurso. Agravo interno interposto por fabricante de massas\n contra decisão monocrática que conheceu do agravo para não conhecer\n do recurso especial manejado com fundamento no art. 105, III, \"a\" e\n \"c\", da CF/1988.\n 2. Fato relevante. Ação indenizatória decorrente de aquisição de\n embalagem de macarrão contendo insetos em seu interior, alimento que\n não chegou a ser consumido, tendo o Tribunal de origem reconhecido\n dano moral e fixado indenização em R$ 3.000,00, com base na violação\n da legítima expectativa de adequação sanitária e segurança\n alimentar e na Teoria do Risco-Proveito.\n 3. As decisões anteriores. O Tribunal de Justiça manteve a\n condenação por dano moral, apenas reduzindo o valor arbitrado em\n primeiro grau, e rejeitou embargos de declaração. O recurso especial\n foi inadmitido na origem e, em seguida, teve seu processamento\n obstado em decisão monocrática, ante a incidência das Súmulas 83 e 7\n do STJ, ensejando a interposição do presente agravo interno.\n II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO\n 4. Há duas questões em discussão: (i) saber se a presença de insetos\n dentro da embalagem de alimento industrializado, não ingerido,\n configura dano moral indenizável, à luz da jurisprudência do STJ\n sobre corpo estranho em alimento e segurança alimentar; e (ii) saber\n se a inversão do ônus da prova e a ausência de prova pericial,\n reputadas suficientes pelo Tribunal de origem diante da prova oral\n produzida, podem ser revistas em recurso especial, sem afronta ao\n óbice da Súmula 7/STJ.\n III. RAZÕES DE DECIDIR\n 5. A decisão reconhece que a jurisprudência consolidada do STJ\n entende configurado o dano moral pela mera exposição do consumidor a\n risco concreto decorrente de corpo estranho em alimento\n industrializado, por violação ao direito fundamental à alimentação\n adequada e ao dever de qualidade e segurança alimentar, sendo\n irrelevante a efetiva ingestão do produto contaminado.\n 6. Constata-se que o acórdão recorrido, ao reconhecer o dano moral\n em razão da presença de insetos em embalagem de macarrão, ainda que\n ausente a ingestão do alimento, decidiu em conformidade com o\n entendimento pacificado desta Corte Superior, o que justifica a\n aplicação da Súmula 83/STJ e afasta a possibilidade de conhecimento\n do recurso especial quanto ao mérito indenizatório.\n 7. A Corte de origem, com base no princípio do livre convencimento\n motivado, reputou suficientes os depoimentos colhidos em audiência,\n inclusive de gerente de qualidade da própria fabricante, para\n concluir pela possibilidade de contaminação do produto e pela\n responsabilidade da ré, o que afasta alegação de cerceamento de\n defesa pela ausência de perícia.\n 8. A revisão da conclusão do Tribunal de origem quanto à suficiência\n da prova oral e à desnecessidade de prova pericial exigiria reexame\n do conjunto fático-probatório, providência vedada em recurso\n especial pela Súmula 7/STJ, o que mantém incólume a decisão\n monocrática que não conheceu do apelo extremo.\n IV. DISPOSITIVO\n 9. Resultado do Julgamento: Agravo interno desprovido, mantendo-se a\n decisão monocrática que conheceu do agravo para não conhecer do\n recurso especial, em razão da incidência das Súmulas 83 e 7 do STJ.","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\n acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de\n Justiça, em Sessão Virtual de 26/05/2026 a 01/06/2026, por\n unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.\n Ministro Relator.\n Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Maria Isabel\n Gallotti e Antonio Carlos Ferreira votaram com o Sr. Ministro\n Relator.\n Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":[],"sumulas_citadas":[],"referencias_legislativas_brutas":[],"jurisprudencia_citada":"","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/bab65848-f287-4146-8273-e58faee39ad2/resource/b7501efc-a9b5-4c69-a84f-c2b7c6340789/download/20260630.json","coletado_em":"2026-09-10T12:42:21Z","sha256_conteudo":"cb9d47470d6a4e657a70cac9ddb11383856417097a3d57ba34edf32d321ece00","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
