{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":146115,"origem":"stj","sha256_origem":"c2414b2759d9e7f0f2efd61d1a62bdd81983e09f57ae83949cad1fafd919eebe","registro_original":{"id_fonte":"1429348","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"QUINTA TURMA","classe":"AgRg no HC","classe_descricao":"AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS","numero_processo":"1085352","numero_registro":"202601205641","relator":"RIBEIRO DANTAS","data_julgamento":"2026-05-27","data_publicacao":"2026-06-02","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. CADEIA\n DE CUSTÓDIA. AUSÊNCIA DE AUTO CIRCUNSTANCIADO. ANÁLISE POSTERGADA\n PARA A SENTENÇA. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME APROFUNDADO NA VIA\n ESTREITA DO HABEAS CORPUS. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.\n I. CASO EM EXAME\n 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que\n indeferiu liminarmente habeas corpus impetrado em favor de pacientes\n que respondem a ação penal pela suposta prática do crime previsto\n no art. 334, caput, e § 1º, III e IV, do Código Penal, em razão de\n apreensões realizadas em endereços residencial e comercial, no bojo\n de mandado de busca e apreensão cumprido em 23/10/2024.\n 2. O juízo federal recebeu a denúncia e postergou para a sentença a\n análise das nulidades suscitadas na resposta à acusação, relativas à\n cadeia de custódia das provas, concernente à ausência de auto\n circunstanciado do cumprimento do mandado de busca e apreensão no\n estabelecimento comercial, previsto no art. 245, § 7º, do Código de\n Processo Penal.\n 3. A defesa alegou constrangimento ilegal pela postergação da\n análise de nulidade absoluta da prova, sustentando que a ilicitude\n decorrente da quebra da cadeia de custódia, decorrente da ausência\n de auto circunstanciado seria aferível de plano.\n 4. No agravo regimental, a parte agravante reiterou a necessidade de\n controle imediato da legalidade da prova para evitar sua utilização\n na instrução criminal, requerendo a reconsideração da decisão\n monocrática ou a submissão da irresignação ao órgão colegiado.\n II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO\n 5. A questão em discussão consiste em saber se a alegada quebra da\n cadeia de custódia, decorrente da ausência de auto circunstanciado\n de busca e apreensão (art. 245, § 7º, do CPP), autoriza o\n reconhecimento imediato da nulidade da prova, ou se a aferição da\n confiabilidade do material probatório demanda exame contextualizado\n do conjunto de provas, a ser realizado na instrução criminal.\n III. RAZÕES DE DECIDIR\n 6. O Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal\n firmaram entendimento no sentido de que não cabe habeas corpus\n substitutivo do recurso previsto em lei, impondo-se, em regra, o não\n conhecimento da impetração, ressalvada a hipótese de flagrante\n ilegalidade passível de correção de ofício.\n 7. A violação da cadeia de custódia não acarreta automaticamente a\n nulidade da prova, mas compromete sua confiabilidade, de modo que o\n prejuízo se concretiza quando a integridade do material é gravemente\n afetada, impossibilitando a adequada auditoria do percurso\n probatório e atingindo o exercício da ampla defesa.\n 8. A preservação integral da prova e a documentação de seu percurso\n constituem condição para a legitimidade do processo penal, cabendo à\n acusação demonstrar a mesmidade entre o vestígio coletado e o\n material apresentado em juízo, bem como a auditabilidade do\n procedimento, não se podendo presumir a confiabilidade da prova nem\n exigir da defesa prova de adulteração.\n 9. No caso concreto, a controvérsia relativa à ausência de auto\n circunstanciado nos termos do art. 245, § 7º, do CPP e a eventual\n quebra da cadeia de custódia exigem exame contextualizado das\n condições de coleta, extração, preservação e apresentação do\n material probatório, o que depende do desenvolvimento da instrução\n criminal, ainda em fase inicial.\n 10. A verificação do alegado comprometimento da confiabilidade da\n prova demanda aprofundamento fático-probatório incompatível com a\n via estreita do habeas corpus, razão pela qual não configura\n constrangimento ilegal a decisão que postergou a análise da nulidade\n arguida para momento oportuno, sem prejuízo de controle posterior\n da mesmidade e da auditabilidade pelo juízo processante.\n IV. DISPOSITIVO E TESE\n 11. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.\n Tese de julgamento:\n 1. A alegação de quebra da cadeia de custódia, inclusive por\n ausência de auto circunstanciado de busca e apreensão (art. 245, §\n 7º, do CPP), somente autoriza o reconhecimento da nulidade da prova\n quando demonstrado, a partir do exame do conjunto probatório,\n efetivo comprometimento da sua mesmidade e confiabilidade.\n 2. A aferição da integridade e da auditabilidade da prova, em regra,\n deve ser feita na instrução criminal, sob o crivo do contraditório,\n não sendo possível, em habeas corpus, o exame aprofundado de\n questões que demandem dilação probatória.\n 3. Não configura constrangimento ilegal a decisão que posterga para\n a sentença a análise de nulidade da prova fundada em suposta quebra\n da cadeia de custódia, quando inexistentes elementos suficientes, em\n fase inicial da ação penal, para aferição segura das condições de\n coleta, preservação e apresentação do material probatório.\n Dispositivos relevantes citados: CPP, arts. 245, § 7º.\n Jurisprudência relevante citada:  STJ, HC 535.063, Terceira Seção,\n Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, j. 10.06.2020; STF, AgRg no HC\n 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, j. 27.03.2020; STF,\n AgRg no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, j.\n 30.10.2018.","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\n acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de\n Justiça, em Sessão Virtual de 21/05/2026 a 27/05/2026, por\n unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.\n Ministro Relator.\n Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria\n Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr.\n Ministro Relator.\n Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":[],"sumulas_citadas":[],"referencias_legislativas_brutas":[],"jurisprudencia_citada":"","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/b79a7764-5c86-4530-9b6b-18cf60e2f38f/resource/fe4192ec-a00d-4d7f-93dc-16cd40031435/download/20260630.json","coletado_em":"2026-09-19T12:58:02Z","sha256_conteudo":"6bb8fdca31ee8632b83355a1e3e247070e2a4ee342297ed065da3b07a794e666","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
