{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":146152,"origem":"stj","sha256_origem":"d7dfe60379bceba518b5ef1c99712435ca20b1bba7fbc0bd55466057843f2a16","registro_original":{"id_fonte":"1429553","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"QUINTA TURMA","classe":"AgRg no HC","classe_descricao":"AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS","numero_processo":"1039587","numero_registro":"202503775956","relator":"MARIA MARLUCE CALDAS","data_julgamento":"2026-05-27","data_publicacao":"2026-06-01","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS.\n UTILIZAÇÃO DO WRIT COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. INADEQUAÇÃO. PRISÃO\n PREVENTIVA. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. FUMUS\n COMMISSI DELICTI E PERICULUM LIBERTATIS. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS\n INSUFICIENTES. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE\n ILEGALIDADE. RECURSO DESPROVIDO.\n I. CASO EM EXAME\n 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não\n conheceu de habeas corpus, no qual se pleiteava a revogação da\n prisão preventiva ou sua substituição por medidas cautelares\n diversas, sob alegação de ausência de fundamentação concreta,\n inexistência de periculum libertatis, suficiência das medidas do\n art. 319 do CPP e falta de contemporaneidade da custódia.\n II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO\n 2. Há quatro questões em discussão: (i) definir se o habeas corpus\n pode ser conhecido quando utilizado como sucedâneo de recurso\n próprio; (ii) estabelecer se houve análise indevida de provas no\n writ; (iii) determinar se a prisão preventiva está devidamente\n fundamentada em elementos concretos; (iv) verificar se é possível o\n exame da contemporaneidade da custódia sem apreciação prévia pela\n instância de origem.\n III. RAZÕES DE DECIDIR\n 3. O habeas corpus não é admitido como substitutivo de recurso\n próprio, salvo em hipóteses excepcionais de flagrante ilegalidade,\n abuso de poder ou teratologia, inexistentes no caso.\n 4. A análise realizada no writ limita-se a juízo perfunctório de\n legalidade, não configurando indevido aprofundamento probatório, mas\n mera verificação da presença de elementos mínimos que sustentem a\n custódia cautelar.\n 5. A prisão preventiva encontra-se fundamentada em elementos\n concretos, como diálogos interceptados, relatórios de inteligência\n financeira e movimentações incompatíveis, que indicam a atuação do\n paciente em organização criminosa.\n 6. O fumus commissi delicti está evidenciado por indícios\n suficientes de autoria e materialidade dos delitos investigados,\n incluindo tráfico de drogas, armas, lavagem de capitais e\n organização criminosa. E o periculum libertatis decorre da\n periculosidade concreta do agente, evidenciada por sua capacidade de\n articulação política, acesso a informações privilegiadas e\n possibilidade de frustrar investigações e assegurar a continuidade\n delitiva.\n 7. A necessidade de interromper ou reduzir a atuação de integrante\n de organização criminosa constitui fundamento idôneo para a prisão\n preventiva, nos termos da jurisprudência do STF e do STJ,\n mostrando-se insuficientes as medidas cautelares diversas da prisão.\n Igualmente, condições pessoais favoráveis não afastam a prisão\n preventiva quando presentes os requisitos do art. 312 do CPP.\n 8. A análise da contemporaneidade da custódia não pode ser realizada\n pelo STJ, sob pena de supressão de instância, por ausência de\n apreciação pelo tribunal de origem, sendo irrelevante eventual exame\n implícito da matéria.\n 9. Não se verifica flagrante ilegalidade apta a justificar a\n concessão da ordem de ofício.\n IV. DISPOSITIVO E TESE\n 10. Agravo regimental desprovido.","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\n acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de\n Justiça, em Sessão Virtual de 21/05/2026 a 27/05/2026, por\n unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra.\n Ministra Relatora.\n Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel\n Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra\n Relatora.\n Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":[],"sumulas_citadas":[],"referencias_legislativas_brutas":[],"jurisprudencia_citada":"","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/b79a7764-5c86-4530-9b6b-18cf60e2f38f/resource/fe4192ec-a00d-4d7f-93dc-16cd40031435/download/20260630.json","coletado_em":"2026-09-19T12:58:02Z","sha256_conteudo":"8e225ec653905b1fe7080651b1ae23c57e5dc975cf1a1e7b6547f09e422f2a54","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
