{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":146482,"origem":"stj","sha256_origem":"fec099e9d5aaec020a72cfe6185742bed2222016fa325f5b6a4d99d764aaae19","registro_original":{"id_fonte":"1435598","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"QUINTA TURMA","classe":"AgRg no HC","classe_descricao":"AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS","numero_processo":"1078389","numero_registro":"202600802740","relator":"RIBEIRO DANTAS","data_julgamento":"2026-06-03","data_publicacao":"2026-06-10","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS.\n HOMICÍDIO QUALIFICADO EM CONTEXTO DE DISPUTA ENTRE GRUPOS\n CRIMINOSOS. PRISÃO PREVENTIVA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. MODUS\n OPERANDI. AGRAVO IMPROVIDO.\n I. CASO EM EXAME\n 1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão\n monocrática que não conheceu de habeas corpus impetrado em favor de\n acusado preso preventivamente pela suposta prática de homicídio\n qualificado, em tese vinculado à disputa entre grupos criminosos e\n com participação de adolescente.\n II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO\n 2. A questão em discussão consiste em saber se o Tribunal Superior\n pode conhecer das teses de legítima defesa e de ausência de\n contemporaneidade da prisão preventiva, não apreciadas pelo Tribunal\n de origem no habeas corpus originário, sem incorrer em indevida\n supressão de instância.\n 3. Outra questão em discussão consiste em saber se a prisão\n preventiva, decretada e mantida com base na gravidade concreta do\n crime, no contexto de disputa entre grupos criminosos, no modus\n operandi da execução e na corrupção de adolescente, atende aos\n requisitos do art. 312 do Código de Processo Penal e dispensa a\n aplicação de medidas cautelares diversas da prisão.\n 4. Questão adicional consiste em averiguar se condições pessoais\n favoráveis do acusado têm o condão de, por si sós, afastar a prisão\n preventiva assim fundamentada ou impor a adoção de cautelares\n alternativas.\n III. RAZÕES DE DECIDIR\n 5. A análise das teses de legítima defesa e de ausência de\n contemporaneidade da prisão preventiva, não examinadas pelo Tribunal\n de origem no julgamento do habeas corpus originário, configuraria\n indevida supressão de instância, razão pela qual o Tribunal Superior\n fica impedido de apreciá-las diretamente.\n 6. A decisão de primeiro grau que decretou a prisão preventiva está\n lastreada em elementos concretos dos autos, evidenciando prova da\n materialidade, indícios suficientes de autoria e perigo gerado pelo\n estado de liberdade, em especial o contexto de conflito entre\n traficantes em determinados bairros, a sequência de homicídios na\n cidade e o fato de os agentes, previamente ajustados, terem cercado\n vítima rendida e efetuado disparos à curta distância, fugindo em\n seguida e se desfazendo da arma.\n 7. A periculosidade social atribuída ao agravante está evidenciada\n no modus operandi do delito e na inserção em disputa entre grupos\n criminosos, com corrupção de adolescente para a prática do crime.\n 8. A gravidade concreta da conduta demonstra que medidas cautelares\n diversas da prisão se mostram insuficientes para acautelar a ordem\n pública, não sendo possível substituir a custódia por providências\n menos gravosas.\n IV. DISPOSITIVO E TESE\n 9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.\n Tese de julgamento:\n 1. O Superior Tribunal Superior não pode apreciar teses defensivas\n não examinadas pelo Tribunal de origem, sob pena de incorrer em\n indevida supressão de instância.\n 2. A prisão preventiva baseada em elementos concretos relativos ao\n contexto de disputa entre grupos criminosos e ao modus operandi do\n homicídio atende ao art. 312 do CPP e legitima a custódia para\n garantia da ordem pública.\n 3. A gravidade concreta do delito e a periculosidade do agente podem\n tornar inadequadas as medidas cautelares diversas da prisão, quando\n insuficientes para acautelar a ordem pública.\n Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 312; CPP, art. 319.\n Jurisprudência relevante citada:  STJ, AgRg no HC 767.497/RJ, Rel.\n Min. Jorge Mussi, Quinta Turma, j. 13.12.2022, DJe 16.12.2022; STJ,\n AgRg no HC 800.656/PR, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, j.\n 26.6.2023, DJe 29.6.2023; STJ, AgRg no RHC 174.386/TO, Rel. Min.\n Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, j. 27.3.2023, DJe 30.3.2023;\n STF, HC 95.024/SP, Primeira Turma, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe\n 20.2.2009; STJ, AgRg no RHC 202.808/SC, Rel. Min. Joel Ilan\n Paciornik, Quinta Turma, j. 4.11.2024, DJe 6.11.2024; STJ, RHC\n 201.725/PR, Rel. Min. Daniela Teixeira, Quinta Turma, j. 12.11.2024,\n DJe 19.11.2024.","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\n acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de\n Justiça, em Sessão Virtual de 28/05/2026 a 03/06/2026, por\n unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.\n Ministro Relator.\n Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria\n Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr.\n Ministro Relator.\n Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":[],"sumulas_citadas":[],"referencias_legislativas_brutas":[],"jurisprudencia_citada":"","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/b79a7764-5c86-4530-9b6b-18cf60e2f38f/resource/fe4192ec-a00d-4d7f-93dc-16cd40031435/download/20260630.json","coletado_em":"2026-09-19T12:58:02Z","sha256_conteudo":"8b01497bd66152e6563ceaff3f8923a2ee92ae2ae206ec23d1f8b5a81478df38","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
