{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":146495,"origem":"stj","sha256_origem":"0d277146a27dc4ed931620404603cf7a4dbb583d9c02e0fa5cbd3a46d65910b0","registro_original":{"id_fonte":"1435638","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"QUINTA TURMA","classe":"AgRg no HC","classe_descricao":"AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS","numero_processo":"1069795","numero_registro":"202600288686","relator":"MARIA MARLUCE CALDAS","data_julgamento":"2026-06-03","data_publicacao":"2026-06-10","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PRISÃO\n PREVENTIVA. TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. SENTENÇA\n CONDENATÓRIA. REGIME INICIAL SEMIABERTO. MANUTENÇÃO DA CUSTÓDIA\n CAUTELAR. POSSIBILIDADE EXCEPCIONAL. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA.\n QUANTIDADE E VARIEDADE DE DROGAS. DEDICAÇÃO À ATIVIDADE CRIMINOSA.\n RISCO DE REITERAÇÃO. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS. INSUFICIÊNCIA.\n AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.\n I. CASO EM EXAME\n 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do\n habeas corpus por inadequação da via eleita (substitutivo de recurso\n próprio) e, no exame de ofício, afastou a existência de flagrante\n ilegalidade na manutenção da prisão preventiva do agravante, mesmo\n após sentença condenatória que fixou o regime inicial semiaberto.\n 2. A defesa sustenta manifesta ilegalidade na manutenção da custódia\n cautelar, ao argumento de que a prisão preventiva, após a fixação\n do regime semiaberto, implicaria execução antecipada da pena e\n submissão a regime mais gravoso, em afronta à presunção de inocência\n e ao art. 283 do CPP. Alega, ainda, ausência de fundamentação\n concreta e insuficiente análise das medidas cautelares diversas.\n II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO\n 3. A controvérsia consiste em verificar se a manutenção da prisão\n preventiva após sentença que fixou regime inicial semiaberto\n configura ilegalidade manifesta, apta a ensejar concessão da ordem\n de ofício, bem como se os fundamentos adotados demonstram, de forma\n concreta, a imprescindibilidade da custódia cautelar.\n III. RAZÕES DE DECIDIR\n 4. O habeas corpus não deve ser utilizado como substitutivo de\n recurso próprio, sendo possível a concessão da ordem de ofício\n apenas em hipóteses de flagrante ilegalidade, abuso de poder ou\n teratologia (art. 654, § 2º, do CPP), situação não evidenciada no\n caso.\n 5. A prisão preventiva foi mantida com base em elementos concretos:\n significativa quantidade e variedade de entorpecentes (maconha e\n cocaína), atuação estruturada na modalidade \"tele-entrega\",\n investigação prévia indicando dedicação à atividade criminosa desde\n 2024, associação com terceiros e risco concreto de reiteração\n delitiva.\n 6. A jurisprudência consolidada do STJ admite que a quantidade, a\n natureza e a diversidade das drogas apreendidas constituem\n fundamentos idôneos para a decretação e manutenção da prisão\n preventiva, quando revelarem maior periculosidade do agente e risco\n à ordem pública.\n 7. Não há incompatibilidade automática entre a prisão preventiva e o\n regime inicial semiaberto fixado em sentença condenatória, desde\n que a custódia seja devidamente fundamentada e compatibilizada com o\n regime imposto, em caráter excepcional, conforme entendimento\n pacífico das Turmas criminais desta Corte.\n 8. No caso, a manutenção da prisão foi expressamente motivada na\n gravidade concreta da conduta e no risco de reiteração criminosa,\n circunstâncias que evidenciam a excepcionalidade da medida e afastam\n a alegação de execução antecipada da pena.\n 9. A negativa de aplicação das medidas cautelares diversas da prisão\n foi fundamentada na concreta insuficiência dessas providências para\n conter a atividade delitiva, notadamente diante da utilização da\n própria residência para a prática do tráfico, não se verificando\n ofensa ao art. 282, § 6º, do CPP.\n IV. DISPOSITIVO\n 10. Agravo regimental desprovido.","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\n acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de\n Justiça, em Sessão Virtual de 28/05/2026 a 03/06/2026, por\n unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra.\n Ministra Relatora.\n Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel\n Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra\n Relatora.\n Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":[],"sumulas_citadas":[],"referencias_legislativas_brutas":[],"jurisprudencia_citada":"","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/b79a7764-5c86-4530-9b6b-18cf60e2f38f/resource/fe4192ec-a00d-4d7f-93dc-16cd40031435/download/20260630.json","coletado_em":"2026-09-19T12:58:02Z","sha256_conteudo":"41a839c6eac51b3d158c1bb109243e71b21ed02c7dd2cd1fe07024ff3512ea22","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
