{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":147335,"origem":"stj","sha256_origem":"502f87fca017534a4cb80a5f09eaf24c519028cfb9f17ae963ec779c08a22339","registro_original":{"id_fonte":"1438694","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"QUINTA TURMA","classe":"AgRg no HC","classe_descricao":"AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS","numero_processo":"1088514","numero_registro":"202601366501","relator":"RIBEIRO DANTAS","data_julgamento":"2026-06-15","data_publicacao":"2026-06-19","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS.\n CONTINUIDADE DELITIVA. ESTUPRO DE VULNERÁVEL CONTRA VÍTIMAS\n DIVERSAS. UNIDADE DE DESÍGNIOS NÃO DEMONSTRADA. REVOLVIMENTO\n PROBATÓRIO INCOMPATÍVEL COM A VIA ELEITA. AGRAVO REGIMENTAL\n IMPROVIDO.\n I. CASO EM EXAME\n 1. Habeas corpus não conhecido em decisão monocrática, impugnada por\n agravo regimental.\n 2. Pretensão defensiva de reconhecimento de crime continuado entre\n delitos de estupro de vulnerável praticados contra duas vítimas,\n sustentando desnecessidade de revolvimento probatório e alegando\n ausência de prestação jurisdicional.\n 3. Acórdão de origem afastou a continuidade delitiva por\n inexistência de unidade de desígnios e reconheceu o concurso\n material, com base em pluralidade de ações em datas e modos\n diversos, contra vítimas distintas.\n II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO\n 4. A questão em discussão consiste em saber se, na via estreita do\n habeas corpus, é possível reconhecer a continuidade delitiva entre\n crimes de estupro de vulnerável praticados contra vítimas distintas,\n sem revolvimento probatório, e se houve negativa de prestação\n jurisdicional por parte do Tribunal de origem.\n III. RAZÕES DE DECIDIR\n 5. A continuidade delitiva, prevista no art. 71 do Código Penal,\n demanda, à luz da teoria objetivo-subjetiva, unidade de desígnios\n entre os eventos, o que não se verifica quando as ações são\n dirigidas a vítimas diversas, em datas e modos de execução\n distintos.\n 6. O reconhecimento de concurso material, nos termos do art. 69 do\n Código Penal, foi devidamente fundamentado pelo Tribunal de origem,\n que analisou as provas e concluiu pela autonomia dos desígnios,\n inexistindo falta de prestação jurisdicional.\n 7. A modificação do entendimento demandaria revolvimento do acervo\n fático-probatório, providência incompatível com a via do habeas\n corpus.\n 8. A revisão criminal e o habeas corpus não se prestam ao mero\n reexame de fatos e provas, sendo excepcional a intervenção quando\n demonstrada contrariedade ao texto expresso da lei ou à evidência\n dos autos, o que não se configurou.\n IV. DISPOSITIVO E TESE\n 9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido, mantida a\n decisão que não conheceu do habeas corpus.\n Tese de julgamento:\n 1. A continuidade delitiva pressupõe unidade de desígnios, não se\n configurando em crimes de mesma espécie praticados contra vítimas\n diversas, em datas e modos de execução distintos. 2. O habeas corpus\n não é via adequada para o revolvimento do conjunto\n fático-probatório, sendo inviável utilizá-lo para impor o\n reconhecimento de continuidade delitiva. 3. O mero inconformismo da\n parte não caracteriza falta de prestação jurisdicional quando o\n acórdão enfrenta de forma fundamentada as questões relevantes da\n controvérsia. Dispositivos relevantes citados:\n CP, art. 69; CP, art. 71; CPP, art. 621\n Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 524.130/MS, Rel.\n Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em\n 19/05/2020, DJe 27/05/2020; STJ, AgRg no AREsp 1.470.935/SP, Rel.\n Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 27/08/2019, DJe\n 02/09/2019; STJ, AgRg no REsp n. 1.414.117/SP, relator Ministro Nefi\n Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 8/5/2018, DJe de 21/5/2018","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\n acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de\n Justiça, em Sessão Virtual de 09/06/2026 a 15/06/2026, por\n unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.\n Ministro Relator.\n Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria\n Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr.\n Ministro Relator.\n Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":[],"sumulas_citadas":[],"referencias_legislativas_brutas":[],"jurisprudencia_citada":"","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/b79a7764-5c86-4530-9b6b-18cf60e2f38f/resource/fe4192ec-a00d-4d7f-93dc-16cd40031435/download/20260630.json","coletado_em":"2026-09-19T12:58:02Z","sha256_conteudo":"4a973073882db21da612a62566262d2c3c3f922751d0ffaa8b82097544093e61","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
