{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":147349,"origem":"stj","sha256_origem":"663e683cb6a5f549a692b60412699f5faf8a11abb560f5c81457c7873f6a793a","registro_original":{"id_fonte":"1438782","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"QUINTA TURMA","classe":"AgRg no HC","classe_descricao":"AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS","numero_processo":"1087644","numero_registro":"202601331940","relator":"RIBEIRO DANTAS","data_julgamento":"2026-06-15","data_publicacao":"2026-06-19","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. COMPETÊNCIA PARA\n JULGAMENTO DE CRIMES CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES. AUSÊNCIA DE\n VARA ESPECIALIZADA. VARA/JUIZADO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. SÚMULA\n 691/STF.  AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.\n I. CASO EM EXAME\n 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não\n conheceu do habeas corpus, mas concedeu a ordem de ofício para\n declarar competente o Juízo de Vara de Violência Doméstica e\n Familiar da comarca, a fim de processar e julgar ação penal por\n tentativa de estupro de vulnerável e ameaças contra adolescente,\n ante a inexistência de vara especializada em crimes contra crianças\n e adolescentes.\n 2. A persecução penal envolve os delitos dos arts. 147 e 217-A,\n caput, c/c art. 14, II, n/f art. 69, do Código Penal, com prisão\n preventiva decretada após audiência de custódia.\n 3. Juízo criminal declarou-se incompetente e remeteu os autos à vara\n especializada de violência doméstica. O Tribunal local, ao julgar\n conflito de competência entre os juízos, fixou competência da vara\n criminal. Na impetração, a defesa alegou constrangimento ilegal pela\n fixação em desconformidade com a Lei n. 13.431/2017 e com a\n jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.\n II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO\n 4. A questão em discussão consiste em saber se o habeas corpus é\n cabível para corrigir a fixação de competência em desconformidade\n com jurisprudência consolidada, com eventual superação da Súmula n.\n 691 do STF em hipóteses excepcionais.\n 5. A questão também envolve a interpretação do art. 23 da Lei n.\n 13.431/2017 (caput e parágrafo único), quanto à competência\n obrigatória ou preferencial das varas/juizados de violência\n doméstica para processar ações penais relativas a violência contra\n crianças e adolescentes na ausência de varas especializadas.\n III. RAZÕES DE DECIDIR\n 6. A superação da Súmula n. 691 do STF é admitida em situações\n excepcionais, quando presente flagrante ilegalidade ou\n indispensabilidade de atuação para assegurar a efetividade da\n jurisdição, hipótese configurada na fixação de competência contrária\n à orientação consolidada.\n 7. O Superior Tribunal de Justiça uniformizou a interpretação do\n art. 23 da Lei n. 13.431/2017, fixando que, inexistindo vara\n especializada em crimes contra crianças e adolescentes, compete ao\n juizado/vara de violência doméstica processar e julgar as ações\n penais relativas a práticas de violência contra elas,\n independentemente do sexo da vítima, da motivação do crime ou das\n circunstâncias do fato.\n 8. Na comarca em exame, ausente vara especializada em crimes contra\n crianças e adolescentes e existente vara especializada em violência\n doméstica, a competência recai sobre esta unidade jurisdicional.\n IV. DISPOSITIVO E TESE\n 9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.\n Tese de julgamento:\n 1. O habeas corpus é cabível para corrigir fixação de competência em\n desconformidade com jurisprudência consolidada, em hipóteses de\n flagrante ilegalidade, admitindo-se a superação excepcional da\n Súmula 691/STF. 2. Inexistindo vara especializada em crimes contra\n crianças e adolescentes, compete ao juizado/vara de violência\n doméstica processar e julgar ações penais relativas a violência\n contra elas, nos termos do art. 23 da Lei n. 13.431/2017 e da\n jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.\n Dispositivos relevantes citados:\n Lei n. 13.431/2017, art. 23, caput e parágrafo único; Súmula 691/STF\n Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no HC n. 1.001.232/SP,\n Rel. Min. Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do\n TJSP), Sexta Turma, julgado em 3/9/2025; AgRg no HC n. 883.658/RS,\n Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em\n 6/8/2024.","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\n acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de\n Justiça, em Sessão Virtual de 09/06/2026 a 15/06/2026, por\n unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.\n Ministro Relator.\n Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria\n Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr.\n Ministro Relator.\n Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":[],"sumulas_citadas":[],"referencias_legislativas_brutas":[],"jurisprudencia_citada":"","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/b79a7764-5c86-4530-9b6b-18cf60e2f38f/resource/fe4192ec-a00d-4d7f-93dc-16cd40031435/download/20260630.json","coletado_em":"2026-09-19T12:58:02Z","sha256_conteudo":"8ec9d2aaa8cdd9462ded2e141616a8ad793d9f0fd49708165a216f5dfae57ca7","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
