{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":147555,"origem":"stj","sha256_origem":"2d66a6ed3eaa470c7e600aa433e811e3e373c20cfe42420e8f43c3e5802b4112","registro_original":{"id_fonte":"1439363","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"QUINTA TURMA","classe":"AgRg nos EDcl no HC","classe_descricao":"AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO HABEAS CORPUS","numero_processo":"1083795","numero_registro":"202601111335","relator":"RIBEIRO DANTAS","data_julgamento":"2026-06-17","data_publicacao":"2026-06-22","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE\n DECLARAÇÃO NO HABEAS CORPUS. DEFESA TÉCNICA. VOLUNTARIEDADE\n RECURSAL. PAS DE NULLITÉ SANS GRIEF. INTIMAÇÃO DE RÉU SOLTO. AGRAVO\n IMPROVIDO.\n I. CASO EM EXAME\n 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não\n conheceu do habeas corpus.\n 2. Apelação acusatória provida no Tribunal de origem para reformar a\n sentença absolutória e condenar o paciente por estupro de\n vulnerável. A parte agravante sustenta inércia da defesa técnica\n após o acórdão, ausência de interposição de embargos de declaração\n ou recursos aos Tribunais Superiores e falta de comunicação ao\n acusado, além de deficiências nas contrarrazões de apelação.\n 3. Pretensão de reconhecimento de nulidade do trânsito em julgado e\n reabertura de prazo recursal; subsidiariamente, anulação do feito\n desde a apresentação de contrarrazões, com prévia intimação do\n acusado para constituir defesa.\n II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO\n 4. Há quatro questões em discussão saber se: (i) a não interposição\n de embargos de declaração ou de recursos aos Tribunais Superiores\n pela defesa técnica regularmente intimada configura nulidade por\n ausência de defesa, à luz do princípio da voluntariedade recursal;\n (ii) a alegada deficiência ou padronização das contrarrazões de\n apelação, sem enfrentamento específico da tese acusatória, implica\n nulidade pela ausência de defesa técnica, nos termos da Súmula n.\n 523 do STF; (iii) há prejuízo concreto decorrente de suposta perda\n de chance recursal apto a ensejar nulidade processual; e (iv) a\n ausência de intimação pessoal do acórdão condenatório para réu solto\n invalida o trânsito em julgado, considerando o art. 392, I, do CPP.\n III. RAZÕES DE DECIDIR\n 5. O princípio pas de nullité sans grief impõe a demonstração de\n prejuízo concreto para o reconhecimento de nulidades no processo\n penal. A Súmula n. 523 do STF estabelece que somente a ausência de\n defesa técnica acarreta nulidade absoluta.\n 6. Discordância quanto à estratégia, à profundidade das teses ou à\n padronização das contrarrazões não caracteriza falta de defesa ou\n deficiência apta a anular o processo, ausentes elementos que\n evidenciem inexistência ou absoluta ineficiência da atuação\n defensiva.\n 7. A voluntariedade recursal, prevista no art. 574 do CPP, afasta a\n presunção de interesse recursal e protege a opção técnica de não\n recorrer, inexistindo nulidade pela mera ausência de interposição de\n recursos pela defesa regularmente intimada.\n 8. Não há demonstração específica de tese jurídica relevante\n omitida, nem plausibilidade concreta de êxito dos recursos cabíveis.\n O prejuízo por suposta perda de chance recursal não se presume.\n 9. Em relação à intimação do acórdão condenatório, tratando-se de\n réu solto, é suficiente a intimação do defensor constituído ou da\n Defensoria Pública, sendo dispensada a intimação pessoal do acusado,\n nos termos do art. 392, I, do CPP.\n 10. Ausente demonstração de prejuízo concreto decorrente da alegada\n deficiência da defesa técnica, não se verifica constrangimento\n ilegal a ser sanado.\n IV. DISPOSITIVO E TESE\n 11. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.\n Tese de julgamento:\n 1. A ausência de interposição de recursos pela defesa técnica\n regularmente intimada é coberta pelo princípio da voluntariedade\n recursal e não configura nulidade sem demonstração de prejuízo\n concreto. 2. A nulidade no processo penal exige prova de prejuízo\n efetivo, em conformidade com o princípio pas de nullité sans grief.\n 3. Somente a ausência de defesa técnica enseja nulidade absoluta;\n discordância com teses, pedidos ou estratégias não a caracteriza\n (Súmula n. 523 do STF). 4. Para réu solto, basta a intimação do\n defensor constituído ou da Defensoria Pública quanto ao acórdão\n condenatório, sendo dispensada a intimação pessoal do acusado (CPP,\n art. 392, I).Dispositivos relevantes citados:\n CPP, art. 574; CPP, art. 392, I; Súmula STF n. 523\n Jurisprudência relevante citada:STJ, EDcl no HC n. 1.020.571/CE,\n Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 25/2/2026;\n AgRg no HC n. 929.030/CE, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma,\n julgado em 27/11/2024; AgRg no AREsp n. 2.519.970/SP, Rel. Min.\n Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 10/12/2024; AgRg no HC\n n. 873.307/CE, Rel. Min. Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do\n TJDFT), Sexta Turma, julgado em 15/4/2024; AgRg no HC n.\n 922.525/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma,\n julgado em 2/9/2024.","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\n acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de\n Justiça, em Sessão Virtual de 11/06/2026 a 17/06/2026, por\n unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.\n Ministro Relator.\n Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria\n Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr.\n Ministro Relator.\n Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":[],"sumulas_citadas":[],"referencias_legislativas_brutas":[],"jurisprudencia_citada":"","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/b79a7764-5c86-4530-9b6b-18cf60e2f38f/resource/fe4192ec-a00d-4d7f-93dc-16cd40031435/download/20260630.json","coletado_em":"2026-09-19T12:58:02Z","sha256_conteudo":"68d225fe317cc1ab98a8e484ea872d89d9311c35609110ca4746324c613398eb","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"qualidade_textual":{"schema":"wiki.casos-qualidade-textual.v1","verificacao":"presenca_de_U+FFFD","escopo":"chaves_e_valores_da_representacao_publica","sha256_fonte_preservada":"2d66a6ed3eaa470c7e600aa433e811e3e373c20cfe42420e8f43c3e5802b4112","tem_alerta":false,"ocorrencias":0,"campos_afetados":0,"caminhos":[],"formato_caminhos":"JSON Pointer relativo ao registro público","caminhos_omitidos":0,"limite_caminhos":128,"origem_da_substituicao":"nao_determinada_por_esta_verificacao","aviso":""},"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
