{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":147608,"origem":"stj","sha256_origem":"898e60dec21a2adffe4837aa911c569241a8873549fe339befa7989ad994d11f","registro_original":{"id_fonte":"1439424","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"QUINTA TURMA","classe":"AgRg no HC","classe_descricao":"AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS","numero_processo":"1056543","numero_registro":"202504702766","relator":"MARIA MARLUCE CALDAS","data_julgamento":"2026-06-16","data_publicacao":"2026-06-22","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. BUSCA\n PESSOAL. DENÚNCIA ANÔNIMA. FUNDADA SUSPEITA. PROVA ILÍCITA.\n RESTABELECIMENTO DE SENTENÇA ABSOLUTÓRIA. AGRAVO REGIMENTAL\n DESPROVIDO.\n I. Caso em exame\n 1. O recurso. Agravo regimental interposto pelo Ministério Público\n estadual contra decisão monocrática que não conheceu do habeas\n corpus, manejado como substitutivo de recurso próprio, mas concedeu\n a ordem de ofício para restabelecer a sentença absolutória proferida\n na ação penal n. 5003028-47.2021.8.21.0048/RS, ao reconhecer a\n ilicitude da busca pessoal e das provas dela decorrentes.\n 2. Fundamentos do agravante. Alegação de utilização indevida do\n habeas corpus como sucedâneo de recurso especial, em afronta ao\n princípio do juiz natural e às regras de competência para o\n processamento do recurso especial; insurgência, no mérito, contra o\n exame das provas em sede de habeas corpus e defesa da legalidade da\n abordagem policial, fundada em denúncia de tráfico, presença de\n indivíduos armados e usando coletes balísticos em local conhecido\n pela mercancia de drogas, bem como em suposta \"atitude suspeita\" na\n escadaria, com pedido de reconhecimento da higidez da busca pessoal\n e restabelecimento do acórdão condenatório do Tribunal de origem.\n II. Questão em discussão\n 3. Há duas questões em discussão: (i) saber se, a despeito de o\n habeas corpus ter sido utilizado como sucedâneo de recurso especial,\n é possível a concessão da ordem de ofício diante da constatação de\n constrangimento ilegal decorrente de prova ilícita; e (ii) saber se\n a combinação de denúncia anônima, informação de que o local é\n conhecido como ponto de tráfico de drogas e referência genérica a\n \"atitude suspeita\" é suficiente para caracterizar fundada suspeita,\n nos termos dos arts. 240, § 2º, e 244 do CPP, a legitimar a busca\n pessoal que deu origem às provas utilizadas para a condenação.\n III. Razões de decidir\n 4. O entendimento consolidado no Tribunal é no sentido da\n inadmissibilidade do habeas corpus substitutivo de recurso próprio,\n ressalvada a possibilidade de concessão da ordem de ofício, nos\n termos do art. 654, § 2º, do CPP, quando verificada flagrante\n ilegalidade, abuso de poder ou situação teratológica, hipótese\n reconhecida no caso concreto.\n 5. A realização de busca pessoal exige, como condição de\n legitimidade da medida invasiva, a existência de fundada suspeita,\n baseada em elementos objetivos e concretos de que o indivíduo esteja\n na posse de arma proibida ou de objetos que constituam corpo de\n delito, consoante o art. 240, § 2º, e o art. 244 do CPP, não se\n satisfazendo tal exigência com meras impressões subjetivas dos\n agentes.\n 6. No caso, os policiais limitaram-se a referir denúncia anônima, o\n fato de o local ser conhecido como ponto de tráfico e a presença dos\n réus na escadaria em suposta \"atitude suspeita\", sem descrever\n gesto, conduta ou circunstância objetivamente verificável que\n permitisse inferir, de modo razoável, a prática ou iminência de\n ilícito, de modo que a abordagem se ancorou em juízo subjetivo e\n genérico, desprovido de lastro fático idôneo.\n 7. A denúncia anônima, por si só, não autoriza busca pessoal,\n impondo-se a prévia realização de diligências capazes de corroborar\n a verossimilhança das informações recebidas, sendo igualmente\n insuficiente, para justificar a revista, o simples fato de o local\n ser reputado ponto de tráfico, especialmente quando apreendida\n quantidade ínfima de entorpecente.\n 8. Ausentes elementos objetivos aptos a configurar fundada suspeita,\n a busca pessoal mostra-se ilegal, devendo ser reconhecida a\n ilicitude da prova obtida e das provas dela derivadas, nos termos do\n art. 157, caput e § 1º, do CPP, o que afasta a higidez do conjunto\n probatório que embasou o acórdão condenatório e justifica o\n restabelecimento da sentença absolutória.\n IV. Dispositivo e tese\n 9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido, mantida a\n decisão que não conheceu do habeas corpus, mas concedeu a ordem de\n ofício para restabelecer a sentença absolutória na ação penal n.\n 5003028-47.2021.8.21.0048/RS.","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\n acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao\n agravo regimental.\n Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel\n Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra\n Relatora.\n Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":[],"sumulas_citadas":[],"referencias_legislativas_brutas":[],"jurisprudencia_citada":"","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/b79a7764-5c86-4530-9b6b-18cf60e2f38f/resource/fe4192ec-a00d-4d7f-93dc-16cd40031435/download/20260630.json","coletado_em":"2026-09-19T12:58:02Z","sha256_conteudo":"56faa99a5896952171d8b5630a77710be330691c91d52e60443fd8ca48ec0299","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
