{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":147884,"origem":"stj","sha256_origem":"e14d87f71fb9c8468eb888cde3dc1076264b7b054864b6a580ed0319ac213e8f","registro_original":{"id_fonte":"1440022","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"QUINTA TURMA","classe":"AgRg no HC","classe_descricao":"AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS","numero_processo":"1092303","numero_registro":"202601614481","relator":"RIBEIRO DANTAS","data_julgamento":"2026-06-17","data_publicacao":"2026-06-22","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"EXECUÇÃO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PROGRESSÃO DE\n REGIME. EXAME CRIMINOLÓGICO. IRRETROATIVIDADE DA LEI N. 14.843/2024.\n FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA.  RECURSO IMPROVIDO.\n I. CASO EM EXAME\n 1. Agravo regimental interposto pelo Ministério Público Federal\n contra decisão que concedeu, de ofício, ordem em habeas corpus para\n determinar ao Juízo de primeiro grau a análise do pedido de\n progressão de regime com base em elementos concretos da execução\n penal do reeducando.\n 2. O Tribunal de origem havia confirmado a necessidade de exame\n criminológico com fundamento no art. 112, § 1º, da LEP, na redação\n dada pela Lei n. 14.843/2024, e na gravidade em abstrato do delito.\n 3. O agravante alega preliminar de nulidade pela ausência de vista\n prévia ao Ministério Público antes da concessão liminar, e, no\n mérito, defesa da obrigatoriedade do exame criminológico - de acordo\n com a nova redação do art. 112, § 1º, da LEP - e da superação da\n Súmula n. 439/STJ.\n II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO\n 4. As questões em discussão consistem em saber se: (i) há nulidade\n na concessão liminar sem prévia vista ao Ministério Público e se é\n possível decisão monocrática em habeas corpus quando a matéria está\n sob jurisprudência pacífica; (ii) a exigência de exame criminológico\n prevista no art. 112, § 1º, da LEP, introduzida pela Lei n.\n 14.843/2024, pode ser aplicada retroativamente a crimes cometidos\n antes de sua vigência; e (iii) a fundamentação embasada na gravidade\n em abstrato do delito constitui motivo idôneo para determinar exame\n criminológico e obstar a progressão de regime.\n III. RAZÕES DE DECIDIR\n 5. As normas regimentais e legais (RISTJ, arts. 64, III, e 202; Lei\n n. 8.038/1990, art. 23; CPP, arts. 666 e 667; Decreto-lei n.\n 522/1969, art. 1º) autorizam a decisão monocrática do relator em\n habeas corpus quando a matéria estiver consolidada, não havendo\n nulidade pela ausência de prévia vista ao Ministério Público.\n 6. A obrigatoriedade do exame criminológico introduzida pela Lei n.\n 14.843/2024 configura lei penal mais gravosa e não retroage para\n alcançar fatos anteriores, à luz da CR/1988, art. 5º, XL, e do CP,\n art. 2º.\n 7. A exigência de exame criminológico deve observar a Súmula n.\n 439/STJ, impondo decisão motivada e lastreada em elementos concretos\n e atuais da execução penal; fundamentos como gravidade abstrata do\n delito, extensão da pena, reincidência e faltas antigas não são\n idôneos.\n 8. Mantém-se a ordem concedida de ofício para que o Juízo competente\n analise o pedido de progressão com base nos requisitos legais e na\n situação prisional concreta e atual do reeducando.\n IV. DISPOSITIVO E TESE\n 9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.\n Tese de julgamento:\n 1. O relator pode decidir monocraticamente o habeas corpus, sem\n prévia vista, quando a pretensão se conforma com jurisprudência\n consolidada. 2. A obrigatoriedade de exame criminológico prevista na\n Lei n. 14.843/2024 não retroage para crimes praticados antes de sua\n vigência. 3. A determinação de exame criminológico exige\n fundamentação idônea baseada em elementos concretos e atuais da\n execução penal, sendo insuficiente a gravidade abstrata do delito, a\n pena, a reincidência e faltas antigas.\n Dispositivos relevantes citados: CR/1988, arts. 5º, LIV, LV e XL,\n 127 e 129, III; CPP, arts. 654, § 2º, 666 e 667; CP, art. 2º; LEP,\n arts. 112, § 1º, e 114, II; Lei n. 8.038/1990, art. 23; Decreto-lei\n n. 522/1969, art. 1º; RISTJ, arts. 64, III, e 202; Súmula n.\n 439/STJ.\n Jurisprudência relevante citada: STF, HC n. 240.770/MG, Rel. Min.\n André Mendonça, publicado em 29/5/2024; STF, AgR no RE n. 1.543.588,\n Rel. Min. Dias Toffoli, Segunda Turma, publicado em 30/9/2025; STF,\n AgR no RE n. 1.531.639, Rel. Min. Flávio Dino, Primeira Turma,\n publicado em 30/4/2025; STJ, AgRg no HC n. 530.261/SP, Rel. Min.\n Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 7/10/2019; STJ, AgRg no\n RHC n. 37.622/RN, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta\n Turma, DJe de 14/6/2013; STJ, AgRg no HC n. 977.556/SP, Rel. Min. Og\n Fernandes, Sexta Turma, DJEN de 31/3/2025; STJ, AgRg no HC n.\n 947.987/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN de\n 23/12/2024.","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\n acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de\n Justiça, em Sessão Virtual de 11/06/2026 a 17/06/2026, por\n unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.\n Ministro Relator.\n Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria\n Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr.\n Ministro Relator.\n Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":[],"sumulas_citadas":[],"referencias_legislativas_brutas":[],"jurisprudencia_citada":"","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/b79a7764-5c86-4530-9b6b-18cf60e2f38f/resource/fe4192ec-a00d-4d7f-93dc-16cd40031435/download/20260630.json","coletado_em":"2026-09-19T12:58:02Z","sha256_conteudo":"3d02601adc9eab92ec5dcc1117efa444a758ba9b28e1eb6efa913eeb8dd4827d","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
