{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":148285,"origem":"stj","sha256_origem":"43e594e97d499f964d815d0b1918e6081c0e6e982a2e51a49d290b15333d46bd","registro_original":{"id_fonte":"1440851","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"QUINTA TURMA","classe":"AgRg no AREsp","classe_descricao":"AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL","numero_processo":"3180944","numero_registro":"202600580779","relator":"RIBEIRO DANTAS","data_julgamento":"2026-06-16","data_publicacao":"2026-06-23","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. JUSTA CAUSA. EXCESSO DE\n PRAZO NA INVESTIGAÇÃO. RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO. AGRAVO\n REGIMENTAL IMPROVIDO.\n I. CASO EM EXAME\n 1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão\n monocrática que deu provimento ao recurso especial da defesa para\n restabelecer a sentença que rejeitara a denúncia.\n 2. Fato relevante. Lapso temporal de quase oito anos entre a data\n dos fatos (24/10/2016) e o oferecimento da denúncia (7/3/2024), em\n investigação simples sobre lesões corporais em via pública, com\n agentes identificados desde o início e sem demonstração de\n complexidade.\n 3. As decisões anteriores. Juízo de primeiro grau rejeitou a\n denúncia, qualificando como \"inacreditável\" o transcurso do tempo\n sem conclusão do inquérito e sem justificativa de complexidade.\n Tribunal estadual deu provimento ao recurso em sentido estrito para\n determinar o recebimento da denúncia, ao fundamento de que o excesso\n de prazo na investigação não constitui causa de rejeição quando\n presentes indícios mínimos de autoria e materialidade. Decisão\n monocrática no STJ restabeleceu a rejeição da denúncia por falta de\n justa causa diante da demora desarrazoada.\n II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO\n 4. Há duas questões em discussão: (i) saber se a demora\n injustificada e prolongada na investigação de baixa complexidade\n compromete o direito fundamental à razoável duração do processo e\n afasta a justa causa para a persecução penal, autorizando a rejeição\n da denúncia; e (ii) saber se o oferecimento da denúncia supera\n automaticamente a discussão sobre excesso de prazo na fase\n investigativa, inclusive em cenário de inércia estatal prolongada e\n sem justificativa concreta.\n III. RAZÕES DE DECIDIR\n 5. A justa causa para a ação penal abrange, além de indícios de\n autoria e prova da materialidade, o respeito aos direitos\n fundamentais do investigado durante toda a persecução penal,\n especialmente à razoável duração do processo.\n 6. A demora de quase oito anos, sem demonstração de complexidade e\n com fatos simples e delimitados, evidencia inércia estatal\n incompatível com a garantia constitucional, configurando\n constrangimento ilegal e ausência de justa causa para o recebimento\n da denúncia.\n 7. A superveniência da denúncia não convalida retroativamente a\n ilegalidade decorrente da procrastinação indevida da investigação\n nem supera, automaticamente, a discussão sobre excesso de prazo em\n contexto de inércia prolongada.\n 8. Inexistem argumentos novos capazes de infirmar os fundamentos da\n decisão monocrática, que se alinha à jurisprudência consolidada do\n Tribunal Superior quanto à vedação de investigações indefinidas e à\n exigência de razoabilidade temporal na persecução penal.\n IV. DISPOSITIVO E TESE\n 9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.\n Tese de julgamento:\n 1. A justa causa para a ação penal exige, além de indícios de\n autoria e materialidade, o respeito ao direito fundamental à\n razoável duração do processo durante toda a persecução penal. 2. A\n demora injustificada e prolongada na conclusão de inquérito policial\n de baixa complexidade compromete a legitimidade da persecução penal\n e pode afastar a justa causa para o recebimento da denúncia. 3. O\n oferecimento e o recebimento da denúncia não superam automaticamente\n o excesso de prazo na fase investigativa em hipóteses de inércia\n estatal prolongada e sem justificativa concreta.\n Dispositivos relevantes citados:\n CR/1988, art. 5º, LXXVIII; CPP, arts. 41 e 395\n Jurisprudência relevante citada:AgRg no AREsp n. 3.164.204/MG,\n relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 14/4/2026,\n DJEN de 22/4/2026.","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\n acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao\n agravo regimental.\n Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria\n Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr.\n Ministro Relator.\n Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":[],"sumulas_citadas":[],"referencias_legislativas_brutas":[],"jurisprudencia_citada":"","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/b79a7764-5c86-4530-9b6b-18cf60e2f38f/resource/fe4192ec-a00d-4d7f-93dc-16cd40031435/download/20260630.json","coletado_em":"2026-09-19T12:58:02Z","sha256_conteudo":"5b884a32af8a9fbb6cead5a4aba3563d6a1fb25200d68512b53bb916ed63b0ed","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
