{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":148443,"origem":"stj","sha256_origem":"882a831e66322c2feab062b74acb4148580a9deddabdc23102de0af18d7e0094","registro_original":{"id_fonte":"1441130","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"QUINTA TURMA","classe":"AgRg no AgRg no AREsp","classe_descricao":"AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL","numero_processo":"3113167","numero_registro":"202504510942","relator":"JOEL ILAN PACIORNIK","data_julgamento":"2026-06-16","data_publicacao":"2026-06-23","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"Direito penal. Agravo regimental no agravo regimental no agravo em\n recurso especial. Estupro de vulnerável. Vulnerabilidade por\n embriaguez. Palavra da vítima. Omissão inexistente (art. 619 do\n cpp). Dosimetria. Súmula n. 7/STJ. Agravo regimental desprovido.\n I. Caso em exame\n 1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão\n monocrática que, com fundamento na Súmula 568/STJ, conheceu do\n agravo e negou provimento ao recurso especial criminal.\n 2. Fato relevante. A defesa sustenta: (i) omissão na fundamentação\n do acórdão (CPP, art. 619); (ii) absolvição por insuficiência\n probatória e desclassificação para o art. 215-A do CP; e (iii)\n ilegalidade da dosimetria da pena (CP, art. 59).\n 3. As decisões anteriores. Tribunal estadual manteve condenação por\n estupro de vulnerável (CP, art. 217-A, § 1º), reputando suficiente a\n prova oral (vítima e testemunhas) quanto à incapacidade de\n resistência por embriaguez, afastou a desclassificação para o art.\n 215-A do CP e fixou pena-base em 12 anos, com valoração negativa da\n culpabilidade, das circunstâncias e das consequências do crime,\n regime inicial fechado (CP, art. 33, § 2º, a).\n II. Questão em discussão\n 4. A primeira questão em discussão consiste em saber se houve\n negativa de prestação jurisdicional, por violação ao art. 619 do\n CPP, em razão de alegada omissão na análise de teses defensivas.\n 5. A segunda questão em discussão consiste em saber se o conjunto\n probatório é apto a manter a condenação por estupro de vulnerável\n (CP, art. 217-A, § 1º), diante da vulnerabilidade decorrente de\n embriaguez comprovada por prova oral, e se é possível a\n desclassificação para importunação sexual (CP, art. 215-A).\n 6. A terceira questão em discussão consiste em saber se a dosimetria\n da pena, com exasperação da pena-base por culpabilidade,\n circunstâncias e consequências (CP, art. 59), foi devidamente\n fundamentada em elementos concretos que extrapolam a normalidade do\n tipo penal.\n 7. A quarta questão em discussão consiste em saber se o acolhimento\n das pretensões recursais demandaria reexame do conjunto\n fático-probatório, vedado pela Súmula 7/STJ.\n III. Razões de decidir\n 8. Inexistência de omissão ou negativa de prestação jurisdicional: o\n acórdão enfrentou as questões essenciais e apresentou fundamentação\n clara e suficiente, não se exigindo o exame pormenorizado de todos\n os argumentos (CPP, art. 619).\n 9. A embriaguez que retira a capacidade de resistência configura\n vulnerabilidade para a tipificação no art. 217-A, § 1º, do CP; a\n comprovação pode se dar por meios de prova diversos de laudo\n pericial, como depoimentos coerentes da vítima e testemunhas.\n 10. A palavra da vítima com especial relevo em crimes sexuais,\n quando harmônica com os demais elementos de prova, legitimando a\n conclusão condenatória.\n 11. A subsidiariedade expressa no tipo do art. 215-A do CP impede\n sua aplicação quando a conduta se amolda a crime mais grave, como o\n estupro de vulnerável.\n 12. É legítima a exasperação da pena pelos vetores da culpabilidade,\n circunstâncias e consequências negativadas com base em elementos\n concretos que extrapolam a normalidade típica (abuso de confiança e\n amizade, prática na residência da vítima ao lado do marido\n vulnerável, sequelas físicas e abalo psicológico com tratamento\n contínuo).\n 13. Pretensões que exigem revolvimento do conjunto fático-probatório\n encontram óbice na Súmula 7/STJ, inviabilizando a reforma quanto à\n tipificação e à dosimetria.\n 14. Adequação da decisão monocrática com base na Súmula 568/STJ,\n ante a consonância do acórdão recorrido com a jurisprudência\n consolidada.\n IV. Dispositivo e tese\n 15. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.\n Tese de julgamento:\n 1. A inexistência de omissão ou negativa de prestação jurisdicional\n afasta violação ao art. 619 do CPP quando o Tribunal enfrenta as\n questões essenciais com fundamentação suficiente. 2. A embriaguez\n que retira a capacidade de resistência revela vulnerabilidade apta a\n configurar o estupro de vulnerável (CP, art. 217-A, § 1º), podendo\n ser comprovada por meios de prova diversos do laudo pericial. 3. A\n palavra da vítima possui especial relevo em crimes sexuais quando\n coerente e corroborada por outros elementos de prova. 4. A\n desclassificação para importunação sexual (CP, art. 215-A) é\n inviável quando a conduta se subsume a crime mais grave. 5. A\n exasperação da pena-base por culpabilidade, circunstâncias e\n consequências do crime é válida quando fundada em elementos\n concretos que extrapolam a normalidade do tipo penal (CP, art. 59).\n 6. É legítima a exasperação da pena-base quanto ao vetor das\n circunstâncias do crime quando o delito é realizado na presença de\n familiar da vítima, ainda que em estado de vulnerabilidade. 7.\n Configura fundamento idôneo a elevação da pena-base sob o vetor da\n culpabilidade em decorrência do crime ter sido praticado com abuso\n da confiança e amizade da vítima. 8. O reexame de fatos e provas é\n vedado na via especial (Súmula 7/STJ), impedindo a revisão da\n tipificação e da dosimetria quando dependentes de revolvimento\n probatório. 9 . É legítima a decisão monocrática que aplica a Súmula\n 568/STJ para negar provimento ao recurso especial em conformidade\n com a jurisprudência consolidada. Dispositivos relevantes citados:\n CPP, art. 619; CP, art. 217-A, § 1º; CP, art. 215-A; CP, art. 59;\n CP, art. 33, § 2º, a; Súmula 7/STJ; Súmula 568/STJ\n Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no AREsp 1.322.810/ES,\n Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe 30.08.2018;\n STJ, AgRg nos EDcl no REsp 1.957.639/PR, Rel. Min. Ribeiro Dantas,\n Quinta Turma, j. 15.03.2022; STJ, AgRg no AREsp 1.965.518/RS, Rel.\n Min. Olindo Menezes, Sexta Turma, DJe 24.06.2022; STJ, AgRg no REsp\n 2.016.810/SP, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe\n 15.08.2024; STJ, AgRg no REsp 2.049.512/SP, Rel. Min. Ribeiro\n Dantas, Quinta Turma, DJe 27.02.2024; STJ, AgRg no HC 924.377/SP,\n Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe 06.09.2024; STJ, REsp\n 2.039.851/PA, Rel. Min. Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJe\n 23.12.2024; STJ, AgRg no AREsp 2.681.272/RN, Rel. Min. Joel Ilan\n Paciornik, Quinta Turma, DJe 18.10.2024; STJ, AgRg nos EDcl no AREsp\n 1.565.652/RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 23.06.2020;\n STJ, AgRg no HC 801.789/SC, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro,\n Sexta Turma, DJe 20.09.2023; STJ, AgRg no AREsp 2.924.704/AL, Rel.\n Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJEN 17.06.2025; STJ,\n AgRg no AgRg no AREsp 2.929.807/AL, Rel. Min. Otávio de Almeida\n Toledo, Sexta Turma, DJEN 18.08.2025; STJ, EDcl no AgRg no AREsp\n 3.000.398/MG, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJEN\n 24.10.2025; STJ, AgRg no HC 977.052/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas,\n Quinta Turma, DJEN 08.04.2025; STJ, AgRg no REsp 2.226.875/AL, Rel.\n Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJEN 17.11.2025; STJ, AgRg\n no AREsp 2.975.615/MG, Rel. Min. Maria Marluce Caldas, Quinta Turma,\n DJEN 18.03.2026; STJ, AgRg no REsp 2.187.201/MS, Rel. Min. Reynaldo\n Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJEN 17.03.2026","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\n acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao\n agravo regimental.\n Os Srs. Ministros Messod Azulay Neto, Maria Marluce Caldas, Reynaldo\n Soares da Fonseca e Ribeiro Dantas votaram com o Sr. Ministro\n Relator.\n Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":["urn:lex:br:federal:decreto.lei:1940-12-07;2848!art215","urn:lex:br:federal:decreto.lei:1940-12-07;2848!art217","urn:lex:br:federal:decreto.lei:1940-12-07;2848!art59","urn:lex:br:federal:decreto.lei:1941-10-03;3689!art619"],"sumulas_citadas":["STJ:7"],"referencias_legislativas_brutas":["LEG:FED DEL:003689 ANO:1941\n *****  CPP-41    CÓDIGO DE PROCESSO PENAL\n         ART:00619","LEG:FED DEL:002848 ANO:1940\n *****  CP-40    CÓDIGO PENAL\n         ART:00059 ART:0215A ART:0217A PAR:00001","LEG:FED SUM:****** ANO:****\n *****  SUM(STJ)    SÚMULA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA\n         SUM:000007"],"jurisprudencia_citada":"(PROCESSO PENAL - PRESTAÇÃO JURISDICIONAL)\n    STJ - <<AgRg no REsp 2016810>>-SP, <<AgRg no REsp 2049512>>-SP\n (CRIMES SEXUAIS - PALAVRA DA VÍTIMA)\n    STJ - <<AgRg nos EDcl no AREsp 1565652>>-RJ\n (ESTRUPO DE VULNERÁVEL - EMBRIAGUEZ)\n    STJ - <<AgRg no HC 977052>>-SP,\n          <<EDcl no AgRg no AREsp 3000398>>-MG\n (ESTUPRO DE VULNERÁVEL - EMBRIAGUEZ DA VÍTIMA - SÚMULA 7/STJ)\n    STJ - <<AgRg no AgRg no AREsp 2929807>>-AL,\n          <<AgRg no AREsp 2975615>>-MG\n (CONSEQUÊNCIAS DO CRIME - VALORAÇÃO NEGATIVA)\n    STJ - <<AgRg no REsp 2226875>>-AL, <<AgRg no AREsp 2924704>>-AL,\n          <<AgRg no AREsp 2681272>>-RN, <<AgRg no HC 801789>>-SC,\n          <<REsp 2039851>>-PA\n (ABSOLVIÇÃO - SÚMULA 7/STJ)\n    STJ - <<AgRg no REsp 2226875>>-AL","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/b79a7764-5c86-4530-9b6b-18cf60e2f38f/resource/fe4192ec-a00d-4d7f-93dc-16cd40031435/download/20260630.json","coletado_em":"2026-09-19T12:58:02Z","sha256_conteudo":"1cde7ae7f20fa417174fe7fc659a33238263130e742e8820993c6d62659272e3","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
