{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":148461,"origem":"stj","sha256_origem":"55597f21e729e80d4cff23df2f39d44ae6044c35377cac86ad7be644a069ff20","registro_original":{"id_fonte":"1441159","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"QUINTA TURMA","classe":"AgRg no HC","classe_descricao":"AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS","numero_processo":"1093538","numero_registro":"202601685581","relator":"RIBEIRO DANTAS","data_julgamento":"2026-06-16","data_publicacao":"2026-06-23","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS.\n MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO. SUSPENSÃO DO EXERCÍCIO DA\n ADVOCACIA E PROIBIÇÃO DE ACESSO A ESCRITÓRIOS INVESTIGADOS.\n ADEQUAÇÃO E PROPORCIONALIDADE. INEXISTÊNCIA DE FLAGRANTE\n ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.\n I. CASO EM EXAME\n 1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão\n monocrática que não conheceu do habeas corpus.\n 2. Fato relevante. O Tribunal de origem, ao dar provimento ao\n recurso do Ministério Público, agregou às medidas cautelares\n impostas pelo Juízo de primeiro grau as restrições de suspensão do\n exercício da advocacia (para investigados que se valiam da atividade\n profissional na empreitada criminosa) e de proibição de acesso aos\n escritórios investigados, a fim de resguardar a ordem pública e a\n instrução criminal.\n 3. Pedidos. A agravante sustenta possibilidade de conhecimento do\n habeas corpus como substitutivo de recurso especial,\n desproporcionalidade e inadequação das cautelares acrescidas,\n inobservância da contemporaneidade por falta de fatos novos e\n existência de elementos que afastariam sua participação na\n empreitada criminosa, requerendo a revogação das cautelares\n acrescidas e o restabelecimento da decisão de primeiro grau.\n II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO\n 4. As questões em discussão são: 4.1. saber se o habeas corpus pode\n ser conhecido como substitutivo de recurso próprio e se há flagrante\n ilegalidade a justificar o seu conhecimento excepcional; 4.2. saber\n se a suspensão do exercício da advocacia e a proibição de acesso a\n escritórios investigados são medidas cautelares adequadas e\n proporcionais ao contexto fático; 4.3. se é necessária a\n demonstração de fatos novos para que o Tribunal, ao prover recurso\n do Ministério Público, imponha medidas cautelares mais gravosas com\n base no contexto já examinado em primeira instância; 4.4. saber se a\n tese de negativa de autoria pode ser apreciada na via estreita do\n habeas corpus para afastar ou modular medidas cautelares.\n III. RAZÕES DE DECIDIR\n 5. A jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça e do\n Supremo Tribunal Federal afasta o conhecimento do habeas corpus\n como substitutivo de recurso previsto em lei, admitindo-se apenas em\n hipóteses de flagrante ilegalidade, o que não se verifica no caso.\n 6. Não há flagrante ilegalidade na decisão agravada, que aplicou\n medidas cautelares compatíveis com a gravidade dos fatos\n investigados, voltadas a proteger a ordem pública e a instrução\n criminal.\n 7. As medidas de suspensão do exercício da advocacia e de proibição\n de acesso aos escritórios investigados se mostram adequadas e\n proporcionais (CPP, art. 319), diante da utilização da atividade\n profissional para viabilizar a empreitada criminosa e do risco de\n comprometer a instrução.\n 8. A decisão colegiada respeitou os limites da decisão proferida por\n esta Corte Superior (HC n. 1.026.885/SC), que determinou a\n substituição da prisão por cautelares diversas, autorizando a adoção\n de medidas suficientes e adequadas ao contexto processual de cada\n investigado.\n 9. A imposição de cautelares mais gravosas pelo Tribunal, ao prover\n recurso do Ministério Público, dispensa a indicação de fato novo,\n quando fundada no contexto fático já examinado em primeira instância\n e na necessidade de tratamento cautelar mais rigoroso.\n 10. A análise de negativa de autoria demanda revolvimento\n fático-probatório, incompatível com a via do habeas corpus, não\n servindo para afastar ou modular cautelares na espécie.\n IV. DISPOSITIVO E TESE\n 11. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.\n Tese de julgamento:\n 1. O habeas corpus não se presta como substitutivo de recurso\n previsto em lei, salvo para sanar flagrante ilegalidade. 2. A\n suspensão temporária do exercício de atividade profissional e a\n proibição de acesso a locais relacionados aos fatos investigados\n podem ser impostas como medidas cautelares do art. 319 do CPP quando\n necessárias para resguardar a ordem pública e a instrução criminal.\n Dispositivos relevantes citados:\n CPP, art. 319; CPP, art. 282, I e II; CPP, art. 312\n Jurisprudência relevante citada:STJ, HC 535.063, Terceira Seção,\n Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, j. 10.06.2020; STF, AgRg no HC\n 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, j. 27.03.2020; STF,\n AgRg no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, j.\n 30.10.2018.","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\n acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao\n agravo regimental.\n Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria\n Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr.\n Ministro Relator.\n Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":[],"sumulas_citadas":[],"referencias_legislativas_brutas":[],"jurisprudencia_citada":"","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/b79a7764-5c86-4530-9b6b-18cf60e2f38f/resource/fe4192ec-a00d-4d7f-93dc-16cd40031435/download/20260630.json","coletado_em":"2026-09-19T12:58:02Z","sha256_conteudo":"60d2130f4fda3fa3140a1b9bb01626438499a344cf66e6212c5c8e26f15bbe64","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
