{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":148990,"origem":"stj","sha256_origem":"40b9a236a5930c4b73f9963fe9ac60f538cfc7ca184f223d29c2fcabcdf82279","registro_original":{"id_fonte":"960177","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"QUINTA TURMA","classe":"RMS","classe_descricao":"RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA","numero_processo":"77352","numero_registro":"202503740698","relator":"MESSOD AZULAY NETO","data_julgamento":"2026-06-03","data_publicacao":"2026-06-10","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"DIREITO PROCESSUAL PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA.\n MEDIDAS ASSECURATÓRIAS PATRIMONIAIS EM INQUÉRITO POLICIAL. BLOQUEIO\n DE ATIVOS FINANCEIROS. AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS.\n EXCESSO DE PRAZO.  RECURSO PROVIDO.\n I. CASO EM EXAME\n 1. Recurso ordinário em mandado de segurança interposto contra\n acórdão de Tribunal Regional Federal que denegou a ordem mandamental\n voltada à revogação de bloqueio de ativos financeiros determinado\n por juízo criminal federal em inquérito policial.\n 2. O bloqueio judicial de valores pertencentes aos recorrentes foi\n mantido pelo acórdão recorrido com fundamento: (i) na participação\n de investigado em grupo de mensagens instantâneas juntamente com\n outros investigados; e (ii) na identificação, decorrente de\n afastamento de sigilo bancário, de transações financeiras entre a\n empresa recorrente e empresa investigada, incluindo transferência de\n alto valor.\n 3. O juízo criminal decretou o bloqueio e o Tribunal Regional\n Federal concedeu parcialmente a segurança apenas para resguardar\n proventos até o limite de 40 (quarenta) salários mínimos, mantendo\n as demais constrições.\n II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO\n 4. Há três questões em discussão: (i) saber se estão demonstrados,\n de forma concreta, a materialidade e os indícios suficientes de\n autoria dos crimes aptos a justificar a medida assecuratória de\n bloqueio de ativos; (ii) saber se a manutenção do bloqueio por\n período de dois anos, sem oferecimento de denúncia e com\n controvérsia sobre competência, viola os princípios da razoabilidade\n e proporcionalidade; (iii) saber se a ausência de individualização\n das condutas e do dano supostamente causado ao erário torna\n desproporcional e ilegal a cautelar patrimonial.\n III. RAZÕES DE DECIDIR\n 5. As medidas assecuratórias previstas nos arts. 125 a 144-A do CPP\n exigem a demonstração do fumus commissi delicti e do periculum in\n mora. A mera participação em grupo de mensagens e a referência\n genérica a transações de elevado valor, sem prova de origem ilícita\n ou liame concreto com a prática delitiva apurada, não satisfazem\n tais requisitos.\n 6. No caso, a decisão que decretou o bloqueio não especificou\n elementos mínimos que vinculem os recorrentes aos negócios ilícitos\n investigados ou que demonstrem que as transferências financeiras\n mencionadas constituam produto ou proveito de crime, o que fragiliza\n a manutenção do bloqueio.\n 7. A cautelar patrimonial não pode se apoiar em responsabilização\n criminal solidária, sendo imprescindível a individualização das\n condutas criminosas supostamente praticadas pelos investigados e do\n dano causado para fixação de limites de bloqueio.\n 8. A manutenção do bloqueio por dois anos, sem conclusão do\n inquérito ou oferecimento de denúncia, mostra-se desproporcional e\n viola a razoabilidade, impondo o levantamento da constrição.\n IV. DISPOSITIVO\n 9. Resultado do Julgamento: Recurso provido para determinar o\n levantamento do bloqueio dos ativos financeiros pertencentes\n exclusivamente aos recorrentes.","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\n acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de\n Justiça, em Sessão Virtual de 28/05/2026 a 03/06/2026, por\n unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.\n Ministro Relator.\n Os Srs. Ministros Maria Marluce Caldas, Reynaldo Soares da Fonseca,\n Ribeiro Dantas e Joel Ilan Paciornik votaram com o Sr. Ministro\n Relator.\n Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":["urn:lex:br:federal:decreto.lei:1941-10-03;3689!art125","urn:lex:br:federal:decreto.lei:1941-10-03;3689!art144"],"sumulas_citadas":[],"referencias_legislativas_brutas":["LEG:FED DEL:003689 ANO:1941\n *****  CPP-41    CÓDIGO DE PROCESSO PENAL\n         ART:00125 ART:0144A"],"jurisprudencia_citada":"(SEQUESTRO DE BENS - VALORES BLOQUEADOS - INDIVIDUALIZAÇÃO DAS\n CONDUTAS)\n    STJ - <<AgRg no RMS 60870>>-MS\n (MEDIDAS ASSECURATÓRIAS - BLOQUEIO DE ATIVOS FINANCEIROS - PRINCÍPIO\n DA RAZOABILIDADE)\n    STJ - <<RMS 69359>>-SP","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/b79a7764-5c86-4530-9b6b-18cf60e2f38f/resource/fe4192ec-a00d-4d7f-93dc-16cd40031435/download/20260630.json","coletado_em":"2026-09-19T12:58:02Z","sha256_conteudo":"b0d184b310e67be0d5c2517b2e505444d3a3c3f24091df17c9ffdf32044cee37","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
