{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":149044,"origem":"stj","sha256_origem":"9d5c6f2eafdf0b9d85340bc0cbc1c5c17f084e8969d789896c408e008d6f4047","registro_original":{"id_fonte":"1423902","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"SEXTA TURMA","classe":"AgRg no RHC","classe_descricao":"AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS","numero_processo":"231222","numero_registro":"202600228216","relator":"CARLOS PIRES BRANDÃO","data_julgamento":"2026-05-27","data_publicacao":"2026-06-02","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ORDINÁRIO EM\n HABEAS CORPUS. PRISÃO PREVENTIVA. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA E CRIME\n CONTRA AS RELAÇÕES DE CONSUMO. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. PERICULUM\n LIBERTATIS. CONTEMPORANEIDADE. MEDIDAS CAUTELARES ALTERNATIVAS\n INDEFERIDAS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.\n I. Caso em exame\n 1. Agravo regimental interposto pela Defesa contra decisão\n monocrática que negara provimento a recurso ordinário em habeas\n corpus, por meio do qual se buscava a revogação da prisão preventiva\n decretada em investigação destinada a apurar a suposta prática dos\n delitos previstos no art. 2º, caput, da Lei n. 12.850/2013\n (organização criminosa) e no art. 7º, VII, da Lei n. 8.137/1990\n (crime contra as relações de consumo), em razão de esquema de\n fraudes estruturadas contra consumidores.\n II. Questão em discussão\n 2. Há múltiplas questões em discussão: (i) saber se a prisão\n preventiva está amparada em fundamentos concretos, nos termos do\n art. 312 do Código de Processo Penal; e (ii) avaliar a suficiência\n de medidas cautelares diversas da prisão do art. 319 do Código de\n Processo Penal; (iii) saber se subsistem, no momento do julgamento,\n os requisitos do periculum libertatis para a garantia da ordem\n pública, da conveniência da instrução criminal e da aplicação da lei\n penal, notadamente diante da alegada ausência de contemporaneidade\n dos fatos.\n III. Razões de decidir\n 3. A prisão preventiva é medida cautelar excepcional e demanda prova\n da materialidade, indícios suficientes de autoria e demonstração de\n perigo atual aos bens tutelados pelo art. 312 do Código de Processo\n Penal. A decisão impugnada assento que a prisão preventiva foi\n decretada e mantida com apoio em prova da materialidade, indícios\n suficientes de autoria e elementos concretos reveladores do\n periculum libertatis, consubstanciados na elevada sofisticação e\n estruturação da organização criminosa, na reiteração e amplitude das\n fraudes contra consumidores em diferentes unidades da Federação e\n na divisão estável de tarefas entre diversos núcleos operacionais.\n 4. As instâncias ordinárias registraram que o agravante passou a\n assumir progressivamente a liderança do setor comercial da\n organização e permanece foragido desde a expedição do mandado de\n prisão, mesmo ciente das imputações.\n 5. A contemporaneidade da prisão preventiva se relaciona à\n permanência e atualidade do risco à ordem pública e à instrução\n criminal, não à mera distância temporal entre os primeiros fatos\n investigados e o decreto prisional, de modo que o decurso do tempo,\n por si só, não esgota o periculum libertatis.\n 6. A adoção de medidas cautelares diversas mostra-se inviável diante\n da periculosidade revelada pelas circunstâncias do fato e pelo\n risco de reiteração. As condições pessoais favoráveis do agravante\n não afastam a prisão preventiva quando presentes fundamentos\n concretos.\n 7. Quanto ao arquivamento de inquérito anterior por suposta\n atipicidade de determinado recorte fático, esclarece-se que tal\n decisão incidiu sobre substrato probatório distinto e mais limitado,\n não afetando a justa causa da ação penal atual, fundada em conjunto\n probatório mais amplo e autônomo, de modo que a existência de\n procedimentos com soluções diversas não descaracteriza, por si só, a\n higidez da persecução em curso.\n IV. Dispositivo\n 8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\n acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de\n Justiça, em Sessão Virtual de 21/05/2026 a 27/05/2026, por\n unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do\n voto do Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.\n Os Srs. Ministros Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do\n TJDFT), Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior e Rogerio Schietti Cruz\n votaram com o Sr. Ministro Relator.\n Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":[],"sumulas_citadas":[],"referencias_legislativas_brutas":[],"jurisprudencia_citada":"","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/3e51dda9-0d9c-418e-9423-79284d6c9a9b/resource/8fbed137-d167-4aad-815c-94a0925f0b3b/download/20260630.json","coletado_em":"2026-09-19T12:58:02Z","sha256_conteudo":"be7860c71111e6b827f0b8175bbf9eb9ca4831b82124bd82eade429f730999e0","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
