{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":149730,"origem":"stj","sha256_origem":"4a9a523f958129a3b34178eb0cdd9e642f2c26de77b5ea11f423ab5d0bf1d272","registro_original":{"id_fonte":"1436805","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"SEXTA TURMA","classe":"EDcl no REsp","classe_descricao":"EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL","numero_processo":"2241834","numero_registro":"202503911939","relator":"CARLOS PIRES BRANDÃO","data_julgamento":"2026-06-11","data_publicacao":"2026-06-16","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.\n ESTUPRO DE VULNERÁVEL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO\n REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE DEPOIMENTO ESPECIAL. LEI N. 13.431/2017.\n NULIDADE. NAO OCORRÊNCIA. DEPOIMENTO ESPECIAL COMO DIREITO DA\n VÍTIMA, NAO DO ACUSADO. PROTEÇÃO CONTRA REVITIMIZAÇÃO. PRINCÍPIO PAS\n DE NULLITÉ SANS GRIEF. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO. CONJUNTO\n PROBATÓRIO ROBUSTO PRODUZIDO SOB CONTRADITÓRIO. DISTINÇÃO DOS\n PRECEDENTES INVOCADOS PELA DEFESA. AGRAVO REGIMENTAL NAO PROVIDO.\n I. CASO EM EXAME\n 1. Agravo regimental interposto por M. da S. R. contra decisão\n monocrática que conheceu do recurso especial e negou-lhe provimento.\n Os embargos de declaração opostos foram recebidos como agravo\n regimental, com fundamento no art. 1.024, §3º, do Código de Processo\n Civil.\n 2. O agravante sustenta contradição na decisão monocrática, alegando\n que os precedentes por ele invocados não foram adequadamente\n afastados, e que a ausência de depoimento especial da vítima menor\n de idade configura nulidade absoluta a comprometer a validade da\n condenação por estupro de vulnerável.\n II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO\n 3. A questão em discussão consiste em verificar se a ausência de\n depoimento especial da vítima menor de idade, nos moldes da Lei n.\n 13.431/2017, configura nulidade processual que enseje a reforma da\n decisão monocrática, e se os precedentes invocados pela defesa são\n aplicáveis ao caso concreto.\n III. RAZÕES DE DECIDIR\n 4. O depoimento especial é mecanismo de proteção instituído\n exclusivamente em benefício da vítima ou testemunha de violência,\n não constituindo direito subjetivo do acusado. Sua ausência não\n acarreta nulidade processual quando não demonstrado prejuízo\n concreto à defesa, nos termos do princípio pas de nullité sans grief\n e do art. 563 do Código de Processo Penal.\n 5. Os precedentes invocados pelo agravante, nos quais esta Corte\n determinou a absolvição do réu, cuidavam de hipóteses em que a\n condenação se fundava exclusivamente em testemunho indireto colhido\n na fase inquisitorial, sem qualquer outro elemento probatório\n produzido sob contraditório, cenário estruturalmente diverso do\n presente caso.\n 6. A condenação do agravante amparou-se em conjunto probatório\n robusto e convergente, integralmente produzido em juízo: depoimento\n judicial do psicólogo que colheu os relatos espontâneos da vítima,\n depoimentos da avó e da genitora da ofendida, apreensão de arma,\n munição e entorpecente no exato local por ela indicado e confissão\n parcial do próprio agravante. A defesa teve plena oportunidade de\n contraditar todas as provas em audiência.\n 7. O agravante não demonstrou, objetivamente, qual ponto relevante\n da versão da vítima permaneceu obscuro em razão da ausência do\n procedimento, nem de que forma o resultado seria diverso caso o\n depoimento especial tivesse sido realizado.\n 8. A decisão monocrática está em conformidade com a jurisprudência\n desta Corte Superior.\n IV. DISPOSITIVO\n 9. Agravo regimental não provido.\n Legislação relevante citada: Lei n. 13.431/2017, arts. 8º, 11, §1º,\n II, e 12; Código de Processo Penal, art. 563; Código de Processo\n Civil, arts. 1.021, §1º, e 1.024, §3º.\n Jurisprudência relevante citada: REsp n. 2.206.417/SP, relator\n Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 3/9/2025,\n DJEN de 9/9/2025; REsp n. 2.022.196/PR, relatora Ministra Daniela\n Teixeira, Quinta Turma, julgado em 11/2/2025, DJEN de 17/2/2025;\n AgRg no HC n. 812.840/SC, relator Ministro Messod Azulay Neto,\n Quinta Turma, julgado em 11/3/2025, DJEN de 18/3/2025; HC n.\n 422.635/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma,\n julgado em 26/2/2019, DJe de 12/3/2019.","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\n acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de\n Justiça, em Sessão Virtual de 05/06/2026 a 11/06/2026, por\n unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do\n voto do Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.\n Os Srs. Ministros Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do\n TJDFT), Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior e Rogerio Schietti Cruz\n votaram com o Sr. Ministro Relator.\n Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":[],"sumulas_citadas":[],"referencias_legislativas_brutas":[],"jurisprudencia_citada":"","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/3e51dda9-0d9c-418e-9423-79284d6c9a9b/resource/8fbed137-d167-4aad-815c-94a0925f0b3b/download/20260630.json","coletado_em":"2026-09-19T12:58:02Z","sha256_conteudo":"d270c7e136151f4dc70403212e615ac757c68b9506ceaa04d62644deef47ab73","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"qualidade_textual":{"schema":"wiki.casos-qualidade-textual.v1","verificacao":"presenca_de_U+FFFD","escopo":"chaves_e_valores_da_representacao_publica","sha256_fonte_preservada":"4a9a523f958129a3b34178eb0cdd9e642f2c26de77b5ea11f423ab5d0bf1d272","tem_alerta":false,"ocorrencias":0,"campos_afetados":0,"caminhos":[],"formato_caminhos":"JSON Pointer relativo ao registro público","caminhos_omitidos":0,"limite_caminhos":128,"origem_da_substituicao":"nao_determinada_por_esta_verificacao","aviso":""},"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
