{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":15030,"origem":"stj","sha256_origem":"01554f0a58437229a85d76dcdf36f9ea369044a29c4809717f1d7a8114dabcbf","registro_original":{"id_fonte":"000827563","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"PRIMEIRA TURMA","classe":"AgInt no RMS","classe_descricao":"AGRAVO INTERNO NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA","numero_processo":"62935","numero_registro":"202000348620","relator":"MANOEL ERHARDT (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF5)","data_julgamento":"2022-10-03","data_publicacao":"2022-10-05","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  INTENO  NO  RECURSO\nORDINÁRIO  EM  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  ICMS.  DIFERENCIAL  DE\nALÍQUOTA.  WRIT  OBJETIVANDO  A  DECLARAÇAO  DE\nINCONSTITUCIONALIDADE  DA  EMENDA  CONSTITUCIONAL  87/2015  E,\nSUBSIDIARIAMENTE,  DO  CONVÊNIO  CONFAZ  93/2015.  DESCABIMENTO  DA\nVIA  ELEITA.  APLICAÇÃO  DA  SÚMULA  266/STF.  ILEGITIMIDADE\nPASSIVA  DO  SECRETÁRIO  DE  ESTADO  DO  MARANHÃO.  PROCESSO\nEXTINTO  SEM  RESOLUÇÃO  DE  MÉRITO.  VIOLAÇÃO  AO  PRINCÍPIO  DA\nNÃO  SURPRESA.  NÃO  OCORRÊNCIA.  AGRAVO  INTERNO  DO  CONTRIBUINTE\nDESPROVIDO.\n1.  Trazem  os  autos  mandado  de  segurança  impetrado  contra\nato  do  Secretário  da  Fazenda  do  Estado  do  Maranhão  no  qual\n se  questiona  a  constitucionalidade  da  cobrança  do\ndiferencial  de  alíquota  do  ICMS  nas  operações  interestaduais\nde  venda  de  mercadoria  a  não  contribuintes  do  imposto  no\nEstado  do  Maranhão.\n2.  Os  argumentos  expostos  na  impetração  evidenciam  a\ninexistência  de  possíveis  atos  de  efeitos  concretos,\ninsurgindo-se  a  impetrante  contra  ato  genérico  e  abstrato,\nconsistente  nas  normas  que  disciplinam  a  cobrança  do\ndiferencial  de  alíquota  nas  operações  interestaduais.  Logo,\nconforme  consta  do  acórdão  recorrido,  a  hipótese  é  de\nimpetração  de  mandado  de  segurança  contra  lei  em  tese,  o\nque  não  é  compatível  com  a  via  eleita,  tendo  em  vista  o\nóbice  da  Súmula  266/STF.\n3.  Por  ocasião  do  julgamento  do  REsp  1.119.872/RS,  sob  a\nsistemática  do  recurso  repetitivo,  o  Superior  Tribunal  de\nJustiça  fixou  a  tese  de  que  é  incabível  mandado  de\nsegurança  que  tem  como  pedido  autônomo  a  declaração  de\ninconstitucionalidade  de  norma,  por  se  caracterizar  mandado\nde  segurança  contra  lei  em  tese  (Tema  430/STJ).  No  mesmo\nsentido  é  o  Enunciado  Sumular  n.  266/STF  (\"Não  cabe  mandado\n de  segurança  contra  lei  em  tese.\").\n4.  Não  há,  na  petição  inicial,  indicação  de  qualquer\nnotificação  ou  ato  praticado,  ou  que  esteja  na  iminência  de\n ser  praticado,  pelo  Secretário  de  Estado  da  Fazenda,  capaz\nde  violar  suposto  direito  líquido  e  certo  do  contribuinte,\napto  a  justificar  a  impetração,  ainda  que  na  forma\npreventiva,  limitando-se  a  impetrante  a  discorrer  sobre  a\ninconstitucionalidade  das  disposições  constitucionais  e  legais\nque  autorizam  a  cobrança  do  diferencial  de  alíquotas  nas\noperações  interestaduais  envolvendo  consumidores  localizados  no\n Estado  do  Maranhão.\n5.  Vale  lembrar  que  o  Secretário  de  Estado,  agente  político\n titular  da  pasta  responsável  pela  administração  tributária  e\n implantação  de  políticas  fiscais,  no  âmbito  estadual,  não\ndetém  atribuição  legal  específica  para  o  exercício  de  função\n de  arrecadação,  fiscalização  ou  lançamento  do  ICMS.\n6.  Segundo  orientação  jurisprudencial  consolidada  do  STJ,  o\nSecretário  de  Estado  não  possui  legitimidade  para  figurar\ncomo  autoridade  coatora  em  mandado  de  segurança  em  que  se\npretende  evitar  o  lançamento  de  tributos  estaduais,  haja\nvista  que  a  autoridade  coatora,  no  mandado  de  segurança,  é\naquela  que  pratica  o  ato,  não  a  que  genericamente  orienta\nos  órgãos  subordinados  a  respeito  da  aplicação  da  lei  no\nâmbito  administrativo;  mal  endereçado  o  writ,  o  processo\ndeve  ser  extinto  sem  julgamento  de  mérito  (MS  4.839/DF,\nrel.  Min.  ARI  PARGENDLER).  Precedentes:  AgInt  no  RMS\n64.072/PR,  Rel.  Ministro  HERMAN  BENJAMIN,  SEGUNDA  TURMA,\njulgado  em  16/11/2020,  DJe  24/11/2020;  RMS  54.996/RN,  Rel.\nMinistro  FRANCISCO  FALCÃO,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em\n06/06/2019,  DJe  17/06/2019.\n7.  De  outro  lado,  inexiste  possibilidade  de  aplicação  da\nteoria  da  encampação  em  face  da  hierarquia  do  Secretário  de\n Estado  sobre  agentes  fiscais  vinculados  à  pasta,  na  medida\nem  que  compete  originariamente  ao  Tribunal  de  Justiça\nEstadual  o  julgamento  de  mandado  de  segurança  contra\nSecretário  de  Estado,  prerrogativa  de  foro  não  extensível  ao\n servidor  responsável  pelo  lançamento  tributário.  Precedentes:\nAgInt  no  RMS  34.860/RJ,  Rel.  Ministro  NAPOLEÃO  NUNES  MAIA\nFILHO,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  13/05/2019,  DJe  20/05/2019;\n RMS  59.935/BA,  Rel.  Ministra  ASSUSETE  MAGALHÃES,  SEGUNDA\nTURMA,  julgado  em  06/06/2019,  DJe  14/06/2019.\n8.  Importante  consignar,  por  fim,  que  os  recursos  em\nmandado  de  segurança  dirigidos  ao  Superior  Tribunal  de\nJustiça  são  apreciados  em  sede  de  jurisdição  ordinária,  o\nque  enseja  o  conhecimento  de  ofício  de  questões  de  ordem\npública,  entre  elas  a  alusiva  às  condições  da  ação,  no\ncaso,  especificamente,  a  relacionada  com  a  legitimidade\npassiva  da  autoridade  apontada  como  coatora  (AgInt  no  RMS\n53.867/MG,  Rel.  Min.  GURGEL  DE  FARIA,  PRIMEIRA  TURMA,  DJe\n3.4.2019).\n9.  Quanto  ao  art.  10  do  CPC/2015,  vinculado  à  tese  de\nofensa  ao  princípio  da  não  surpresa,  verifica-se  que  o\nargumento  utilizado  pela  agravante  não  induz  à  modificação\ndo  decisum,  porquanto  não  se  pode  alegar  desconhecimento  de\nentendimento  jurisprudencial  vigente  e  recorrentemente  adotado\npor  esta  Corte  Superior.\n10.  Consoante  já  decidiu  esta  Primeira  Turma  em  caso\nsimilar,  esvazia  a  alegação  de  surpresa  e,  em  consequência,\nde  desrespeito  ao  art.  10  do  CPC/15,  quando,  da\ninterposição  do  recurso,  já  vigia,  na  instância  para  a  qual\n foi  dirigido,  entendimento  diverso  ou  contrário  à  pretensão\nrecursal  (AgInt  no  RMS  n.  55.310/RN,  relatora  Ministra\nRegina  Helena  Costa,  Primeira  Turma,  julgado  em  23/10/2018,\nDJe  de  31/10/2018).\n11.  Nesse  contexto,  mantém-se,  na  íntegra,  a  decisão\nagravada,  que  extinguiu  o  processo  sem  resolução  do  mérito,\npela  inviabilidade  da  via  eleita  e  pela  ilegitimidade\npassiva  da  autoridade  coatora.\n12.  Agravo  interno  do  contribuinte  a  que  se  nega\nprovimento.","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\nacordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de\nJustiça, em sessão virtual de 27/09/2022 a 03/10/2022, por\nunanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.\nMinistro Relator.\nOs Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena\nCosta e Gurgel de Faria  votaram com o Sr. Ministro Relator.\nPresidiu o julgamento o Sr. Ministro Benedito Gonçalves.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":["urn:lex:br:federal:lei:2015-03-16;13105!art10"],"sumulas_citadas":["STF:266"],"referencias_legislativas_brutas":["LEG:FED LEI:013105 ANO:2015\n*****  CPC-15    CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015\n        ART:00010","LEG:FED SUM:****** ANO:****\n*****  SUM(STF)    SÚMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL\n        SUM:000266"],"jurisprudencia_citada":"(MANDADO DE SEGURANÇA - PEDIDO AUTÔNOMO DE DECLARAÇÃO DE\nINCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA - NÃO CABIMENTO - SÚMULA 266/STF)\n   STJ - <<REsp 1119872>>-RS (RECURSO REPETITIVO - TEMA(s) 430)\n(MANDADO DE SEGURANÇA - LANÇAMENTO INDEVIDO DE TRIBUTOS ESTADUAIS -\nAUTORIDADE COATORA - SECRETÁRIO DE ESTADO - ILEGITIMIDADE PASSIVA)\n   STJ - <<MS 4839>>-DF,\n         <<AgInt no RMS 64072>>-PR,\n         <<RMS 54996>>-RN\n(MANDADO DE SEGURANÇA - LANÇAMENTO INDEVIDO DE TRIBUTOS ESTADUAIS -\nAUTORIDADE COATORA - SECRETÁRIO DE ESTADO - ILEGITIMIDADE PASSIVA -\nAPLICAÇÃO DA TEORIA DA ENCAMPAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE)\n   STJ - <<AgInt no RMS 34860>>-RJ,\n         <<RMS 59935>>-BA\n(RECURSOS EM MANDADO DE SEGURANÇA DIRIGIDOS AO STJ - SEDE DE\nJURISDIÇÃO ORDINÁRIA - QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA - CONHECIMENTO DE\nOFÍCIO)\n   STJ - <<AgInt no RMS 53867>>-MG\n(OFENSA AO PRINCÍPIO DA NÃO SURPRESA)\n   STJ - <<AgInt no RMS 55310>>-RN","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/a927747a-2fc9-46f7-be25-c3f12e7d560c/resource/2fc8e2d0-5667-4726-bd77-b754242cea34/download/20221031.json","coletado_em":"2026-09-16T12:51:45Z","sha256_conteudo":"4077432a6807b7775a996f711536ff96e9e452899c66cd87c2e2b76bb88320b1","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
