{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":155663,"origem":"stj","sha256_origem":"7125fafa44623913f0331f4d39f8081ba873ee496de78fa69f81ea6c2e42c271","registro_original":{"id_fonte":"1448076","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"QUINTA TURMA","classe":"AgRg no HC","classe_descricao":"AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS","numero_processo":"1053250","numero_registro":"202504540250","relator":"RIBEIRO DANTAS","data_julgamento":"2026-06-24","data_publicacao":"2026-07-01","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS\n SUBSTITUTIVO. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO\n AO TRÁFICO DE DROGAS. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. INÉPCIA DA DENÚNCIA\n E MATERIALIDADE DO TRÁFICO. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTOS\n CONCRETOS. NULIDADE POR VÍCIO DE MOTIVAÇÃO AFASTADA. AGRAVO\n IMPROVIDO.\n I. CASO EM EXAME\n 1. Agravo regimental contra decisão que não conheceu do habeas\n corpus, mantendo a ação penal e a prisão preventiva do agravante\n pelos delitos de integrar organização criminosa, tráfico de drogas e\n associação para o tráfico. Pretensão defensiva de: (i) trancamento\n da ação penal por inépcia da inicial e ausência de comprovação da\n materialidade delitiva quanto ao tráfico de drogas; (ii) revogação\n da prisão preventiva por falta de motivação válida; e (iii)\n declaração de nulidade do acórdão impugnado por vício de\n fundamentação.\n 2. Fato relevante. Denúncia descreve associação criminosa voltada ao\n tráfico em larga escala, apontando o paciente como fornecedor de\n entorpecentes, com base em interceptação telefônica que revela\n tratativas de venda, inclusive remessa ao exterior; apreensão de\n drogas com corréu; não localização do acusado no endereço informado,\n com citação por edital e suspensão do processo.\n 3. Decisões anteriores. A decisão recorrida limitou o exame às teses\n constantes da inicial do habeas corpus referente a um único acórdão\n estadual, rejeitando a análise cumulativa de insurgências dirigidas\n a julgados distintos.\n II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO\n 4. A questão em discussão consiste em saber se: (i) é cabível o\n trancamento da ação penal por meio de habeas corpus, por inépcia da\n denúncia e ausência de materialidade do crime de tráfico, quando a\n denúncia atende ao art. 41 do CPP e há indícios de autoria; (ii) a\n prisão preventiva está fundamentada de forma idônea, à luz de\n elementos concretos que indiquem risco à aplicação da lei penal, não\n se tratando de decretação automática por força do art. 366 do CPP;\n e (iii) há nulidade por vício de motivação no acórdão estadual, por\n suposto enfrentamento de matéria estranha à lide, sem demonstração\n de prejuízo.\n III. RAZÕES DE DECIDIR\n 5. O trancamento da ação penal via habeas corpus é medida\n excepcional, somente cabível quando demonstradas, de plano, a\n atipicidade, a causa de extinção da punibilidade ou a ausência de\n indícios de autoria ou de prova da materialidade, o que não se\n verifica no caso.\n 6. A denúncia atende ao art. 41 do CPP, descrevendo de modo\n suficiente os fatos, circunstâncias e a participação do agravante,\n com base em interceptações que revelam tratativas de venda de drogas\n entre os agentes, inclusive quanto a remessa de drogas ao exterior,\n o que permite o exercício da ampla defesa.\n 7. A alegada ausência de apreensão direta de entorpecentes com o\n agravante não impede a persecução penal, sendo suficiente, nesta\n fase, a apreensão com corréu, aliada à possibilidade de eventual\n demonstração de liame subjetivo entre os agentes para justificar o\n prosseguimento da ação e eventual responsabilização, se comprovada a\n vinculação.\n 8. A prisão preventiva foi motivada em elementos concretos de risco\n à aplicação da lei penal, notadamente a não localização do acusado\n no endereço informado e o embaraço ao andamento processual, não\n decorrendo automaticamente da citação por edital, conforme\n orientação jurisprudencial.\n 9. Inexistência de nulidade por vício de motivação: ainda que o\n acórdão estadual tenha mencionado tema não levantado nas razões do\n writ originário, a fundamentação correlata aos pedidos (justa causa\n e motivação da cautelar) foi suficiente e baseada nos elementos do\n caso, inexistindo demonstração de prejuízo à defesa.\n IV. DISPOSITIVO E TESE\n 10. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.\n Tese de julgamento:\n 1. O trancamento da ação penal por habeas corpus é medida\n excepcional e exige demonstração inequívoca de atipicidade, extinção\n da punibilidade ou ausência de indícios de autoria ou prova da\n materialidade. 2. A denúncia que cumpre o art. 41 do CPP,\n descrevendo fatos, circunstâncias e indícios de autoria, afasta a\n alegação de inépcia e autoriza a persecução penal. 3. A prisão\n preventiva pode ser decretada para garantir a aplicação da lei penal\n quando presentes elementos concretos de evasão ou obstrução, não\n sendo automática em razão da citação por edital prevista no art. 366\n do CPP. 4. A menção a tema não trazido pela defesa não invalida o\n julgado quando todos os pontos controvertidos foram analisados e com\n fundamentação suficiente, inexistindo prejuízo à defesa.\n Dispositivos relevantes citados:\n CPP, art. 41; CPP, art. 366.\n Jurisprudência relevante citada:STJ, EDcl no HC 395.759/SP, Rel.\n Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, j. 05.12.2017, DJe\n 18.12.2017; STJ, HC 481.686/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma,\n j. 26.02.2019, DJe 15.03.2019; STJ, HC 676.357/SP, Rel. Min. Antonio\n Saldanha Palheiro, Sexta Turma, j. 09.11.2021, DJe 12.11.2021; STJ,\n AgRg no RHC 162.377/CE, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta\n Turma, j. 13.09.2022, DJe 19.09.2022; STJ, AgInt no REsp\n 1.310.582/SC, Rel. Min. Afrânio Vilela, Segunda Turma, j.\n 10.03.2026, DJEN 18.03.2026.","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\n acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de\n Justiça, em Sessão Virtual de 18/06/2026 a 24/06/2026, por\n unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.\n Ministro Relator.\n Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria\n Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr.\n Ministro Relator.\n Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":[],"sumulas_citadas":[],"referencias_legislativas_brutas":[],"jurisprudencia_citada":"","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/b79a7764-5c86-4530-9b6b-18cf60e2f38f/resource/ef54df86-ad3f-4c5c-99ad-289d93972266/download/20260731.json","coletado_em":"2026-09-19T12:58:02Z","sha256_conteudo":"c92eda91244ec3965b5755d174093e4c72b685d5c54baad218c5e18b71ad8b8f","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
