{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":163352,"origem":"stj","sha256_origem":"032a736ac9222e337ead7bff1bb5d3705e3bbfab9b2102c1e6d5732dd96e9ab5","registro_original":{"id_fonte":"1465268","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"QUINTA TURMA","classe":"AgRg no AREsp","classe_descricao":"AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL","numero_processo":"3033653","numero_registro":"202503220213","relator":"RIBEIRO DANTAS","data_julgamento":"2026-08-18","data_publicacao":"2026-08-25","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. BUSCA PESSOAL E\n VEICULAR. DENÚNCIA ANÔNIMA ESPECIFICADA. ACESSO A DADOS DE CELULAR\n MEDIANTE CONSENTIMENTO E POSTERIOR AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CADEIA DE\n CUSTÓDIA. TRÁFICO DE DROGAS E TRÁFICO PRIVILEGIADO. SÚMULA 7/STJ.\n AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.\n I. CASO EM EXAME\n 1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão\n monocrática que conheceu do agravo e negou provimento ao recurso\n especial, em ação penal por tráfico de drogas.\n 2. Fundamentos relevantes. Defesa busca: (i) reconhecimento de\n nulidade da busca pessoal/veicular realizada com base em denúncia\n anônima; (ii) reconhecimento de nulidade por quebra de sigilo de\n dados e devassa em aparelhos celulares antes de autorização\n judicial; (iii) decretação de nulidade por quebra da cadeia de\n custódia; (iv) concessão de habeas corpus de ofício (CPP, art.\n 647-A); (v) reconhecimento de violação ao princípio da\n colegialidade; e (vi) absolvição por insuficiência probatória,\n desclassificação para uso (Lei 11.343/06, art. 28) ou aplicação do\n redutor do art. 33, § 4º.\n 3. Decisões anteriores. Decisão monocrática manteve a validade da\n abordagem e das provas, afastou quebra de cadeia de custódia,\n reputou suficientes os elementos para a condenação por tráfico e\n inviável o redutor do art. 33, § 4º, bem como rejeitou alegação de\n ofensa à colegialidade.\n II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO\n 4. Há cinco questões em discussão: (i) saber se denúncia anônima\n especificada, minimamente confirmada por elementos objetivos, gera\n fundada suspeita apta a justificar busca pessoal e veicular sem\n mandado (CPP, arts. 240, § 2º, e 244); (ii) saber se o acesso a\n dados de celular é ilícito quando precedido de consentimento\n voluntário do detentor e, posteriormente, autorizado judicialmente e\n periciado oficialmente; (iii) saber se houve quebra da cadeia de\n custódia com comprometimento substancial da confiabilidade\n probatória; (iv) saber se pedidos de absolvição, desclassificação e\n aplicação do art. 33, § 4º, da Lei 11.343/06 demandam revolvimento\n fático-probatório incompatível com o recurso especial (Súmula\n 7/STJ); e (v) saber se houve violação ao princípio da colegialidade\n pela decisão monocrática mantida pelo órgão colegiado.\n III. RAZÕES DE DECIDIR\n 5. A notícia anônima que se revela específica, com indicação de\n veículo, local e pessoas, e que encontra mínima confirmação em\n elementos de observação policial, acrescida dos antecedentes\n criminais dos abordados, é suficiente a configurar a fundada\n suspeita autorizadora da busca pessoal e veicular sem mandado\n judicial, nos termos do art. 244 do Código de Processo Penal.\n 6. Não configura violação ao art. 5º, X, da Constituição da\n República a análise do conteúdo de aparelho celular precedida de\n consentimento livre e voluntário do investigado, que requereu a\n devolução do aparelho e forneceu a combinação de desbloqueio, ainda\n que a autorização judicial tenha sido superveniente, pois a\n cronologia dos eventos e o consentimento expresso afastam a alegação\n de devassa ilegal.\n 7. As deficiências formais na cadeia de custódia não acarretam, por\n si sós, a nulidade da prova ou a perda de seu valor probatório. A\n análise e a transcrição do conteúdo de mensagens, ademais, não\n exigem a atuação de perito oficial, por não demandarem conhecimento\n técnico especializado.\n 8. A avaliação da finalidade da substância, orientada pelos\n critérios do art. 28, § 2º, da Lei n. 11.343/06, conjugada à prova\n oral e ao vasto conteúdo da prova telemática, que revela intensa\n atividade mercantil, utilização de linguagem cifrada própria do\n tráfico e integração do recorrente em rede criminosa mais ampla,\n afasta a desclassificação para o porte para uso próprio.\n 9. A dedicação do agente a atividades criminosas e o seu\n envolvimento com organização criminosa, demonstrados pelas\n instâncias ordinárias com base no acervo probatório, impedem a\n aplicação da causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei\n n. 11.343/06.\n 10.  As teses defensivas que impõem o revolvimento do acervo\n probatório, notadamente quanto às premissas fáticas que\n fundamentaram a condenação, esbarram no óbice da Súmula 7/STJ.\n IV. DISPOSITIVO E TESE\n 11. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.\n Tese de julgamento:\n 1. Denúncia anônima especificada e minimamente confirmada por dados\n objetivos autoriza abordagem e busca pessoal/veicular sem mandado, à\n luz dos arts. 240, § 2º, e 244 do CPP e do flagrante em crime\n permanente. 2. O consentimento voluntário do detentor do celular,\n seguido de autorização judicial e perícia oficial, afasta a\n ilicitude do acesso aos dados e da prova produzida. 3. Pedidos que\n demandem revolvimento fático-probatório são inviáveis em recurso\n especial, por força da Súmula 7/STJ.\n Dispositivos relevantes citados:\n CPP, arts. 240, § 2º, 244, 303, 6º, II, 157, caput e § 1º, 158,\n caput, 158-A, 158-B, 158-C, 159, 276 e 563; CR/1988, art. 5º, X; Lei\n 11.343/2006, arts. 33, caput e § 4º, e 28, § 2º; CPP, art. 647-A;\n Súmula 7/STJ.\n Jurisprudência relevante citada:STJ, HC 774.140/SP, Sexta Turma, j.\n 25.10.2022, DJe 28.10.2022; STJ, AgRg no HC 815.998/RS, Sexta Turma,\n j. 12.09.2023, DJe 05.10.2023; STJ, AgRg no HC 842.561/SP, Quinta\n Turma, j. 09.10.2023, DJe 16.10.2023; STJ, AgRg no RHC 183.317/SC,\n Quinta Turma, j. 18.09.2023, DJe 20.09.2023.","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,\n acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao\n agravo regimental.\n Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria\n Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr.\n Ministro Relator.\n Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":[],"sumulas_citadas":[],"referencias_legislativas_brutas":[],"jurisprudencia_citada":"","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/b79a7764-5c86-4530-9b6b-18cf60e2f38f/resource/85e3924f-9307-4c82-bb9c-a7b2de4e958f/download/20260831.json","coletado_em":"2026-09-19T12:58:02Z","sha256_conteudo":"19c3a99f70c6c25203a9f0c8e594c315b15357a944d75efdc179cab0989cba35","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
