# Registro público: STJ — 2035619

- **Origem:** stj
- **Órgão:** QUINTA TURMA
- **Classe:** AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- **Grau:** 
- **Data de julgamento:** 2022-04-26
- **Publicação:** 2022-04-28
- **Ajuizamento:** 
- **Página canônica da Wiki Jurídica:** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/2217/
- **Registro público da fonte (JSON):** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/2217.json
- **Fonte primária preservada:** STJ, dados abertos de acórdãos
- **SHA-256 da fonte preservada:** 9647fc879b7e661f6ae81efcfc95a2192bc23863dde38065d55e9acfc3ff23b6

## Questão jurídica conforme a ementa oficial

PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. CRIMES EM LICITAÇÃO E CONTRATO ADMINISTRATIVO.
INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA. PRETENDIDA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL PARA
VERIFICAR A QUEM PERTENCEM AS VOZES GRAVADAS. ART. 400, § 1º, DO
CPP. PERÍCIA PARA APURAÇÃO DO DANO AO ERÁRIO. DESNECESSIDADE, QUANTO
AO CRIME DO ART. 90 DA LEI N. 8.666/1993. SÚMULA 645/STJ. PARA O
DELITO DO ART. 96, I, DA MESMA LEI, MATERIALIDADE JÁ COMPROVADA POR
OUTROS MEIOS. VALIDADE DA INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA, ORIGINALMENTE
DEFERIDA PARA APURAR CRIMES PUNIDOS COM RECLUSÃO. ENCONTRO FORTUITO
DE PROVAS DE DELITOS APENADOS COM DETENÇÃO. PRINCÍPIO DA
SERENDIPIDADE. TRANSCRIÇÃO INTEGRAL DOS DIÁLOGOS. DESNECESSIDADE.
PLEITO ABSOLUTÓRIO. SÚMULA 7/STJ. DOSIMETRIA DA PENA. FUNDAMENTAÇÃO
VÁLIDA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

**Origem:** transcrição do STJ, sem tese jurídica inferida.

## Fundamentos documentados nos itens da ementa

- **Item 1 (texto oficial):** A respeito da negativa de realização de perícia nas gravações
(para identificar as vozes dos interlocutores), é cediço que, na
condução do processo penal, cabe ao juiz indeferir, motivadamente, a
produção de provas irrelevantes ao deslinde do feito, nos termos do
art. 400, § 1º, do CPP. Estando adequadamente fundamentada sua
decisão, concluir que a prova pretendida seria necessária demandaria
reexame do conjunto fático-probatório da causa, inviável nesta
instância especial.
- **Item 2 (texto oficial):** Quanto ao crime do art. 90 da Lei n. 8.666/1993, é prescindível a
produção de prova pericial para apurar o valor de eventual dano ao
erário, por se tratar de delito formal, consoante a Súmula 645/STJ.
Já em relação ao art. 96, I, da mesma Lei, a Corte local vislumbrou
outras provas da materialidade delitiva, tornando desnecessária a
perícia.
- **Item 3 (texto oficial):** Durante a interceptação telefônica deferida para investigar
crimes punidos com reclusão, se forem encontrados fortuitamente
elementos comprobatórios da prática de delitos apenados com
detenção, é válido o uso das provas na ação penal referente a estes
últimos, ainda que não haja conexão entre os fatos. Inteligência do
princípio da serendipidade. Precedente desta Quinta Turma.
- **Item 4 (texto oficial):** Como decidiu este colegiado no habeas corpus conexo ao presente
recurso especial, é desnecessária a transcrição integral dos
diálogos interceptados.
- **Item 5 (texto oficial):** Constatada pelo Tribunal de origem a existência do dolo,
inclusive específico, a inversão do julgado no ponto encontra óbice
na Súmula 7/STJ.
- **Item 6 (texto oficial):** A posição de liderança ocupada pelo réu na condução da empreitada
criminosa autoriza a elevação da pena.
- **Item 7 (texto oficial):** Agravo regimental desprovido.

## Ementa

PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. CRIMES EM LICITAÇÃO E CONTRATO ADMINISTRATIVO.
INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA. PRETENDIDA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL PARA
VERIFICAR A QUEM PERTENCEM AS VOZES GRAVADAS. ART. 400, § 1º, DO
CPP. PERÍCIA PARA APURAÇÃO DO DANO AO ERÁRIO. DESNECESSIDADE, QUANTO
AO CRIME DO ART. 90 DA LEI N. 8.666/1993. SÚMULA 645/STJ. PARA O
DELITO DO ART. 96, I, DA MESMA LEI, MATERIALIDADE JÁ COMPROVADA POR
OUTROS MEIOS. VALIDADE DA INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA, ORIGINALMENTE
DEFERIDA PARA APURAR CRIMES PUNIDOS COM RECLUSÃO. ENCONTRO FORTUITO
DE PROVAS DE DELITOS APENADOS COM DETENÇÃO. PRINCÍPIO DA
SERENDIPIDADE. TRANSCRIÇÃO INTEGRAL DOS DIÁLOGOS. DESNECESSIDADE.
PLEITO ABSOLUTÓRIO. SÚMULA 7/STJ. DOSIMETRIA DA PENA. FUNDAMENTAÇÃO
VÁLIDA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. A respeito da negativa de realização de perícia nas gravações
(para identificar as vozes dos interlocutores), é cediço que, na
condução do processo penal, cabe ao juiz indeferir, motivadamente, a
produção de provas irrelevantes ao deslinde do feito, nos termos do
art. 400, § 1º, do CPP. Estando adequadamente fundamentada sua
decisão, concluir que a prova pretendida seria necessária demandaria
reexame do conjunto fático-probatório da causa, inviável nesta
instância especial.
2. Quanto ao crime do art. 90 da Lei n. 8.666/1993, é prescindível a
produção de prova pericial para apurar o valor de eventual dano ao
erário, por se tratar de delito formal, consoante a Súmula 645/STJ.
Já em relação ao art. 96, I, da mesma Lei, a Corte local vislumbrou
outras provas da materialidade delitiva, tornando desnecessária a
perícia.
3. Durante a interceptação telefônica deferida para investigar
crimes punidos com reclusão, se forem encontrados fortuitamente
elementos comprobatórios da prática de delitos apenados com
detenção, é válido o uso das provas na ação penal referente a estes
últimos, ainda que não haja conexão entre os fatos. Inteligência do
princípio da serendipidade. Precedente desta Quinta Turma.
4. Como decidiu este colegiado no habeas corpus conexo ao presente
recurso especial, é desnecessária a transcrição integral dos
diálogos interceptados.
5. Constatada pelo Tribunal de origem a existência do dolo,
inclusive específico, a inversão do julgado no ponto encontra óbice
na Súmula 7/STJ.
6. A posição de liderança ocupada pelo réu na condução da empreitada
criminosa autoriza a elevação da pena.
7. Agravo regimental desprovido.

## Dispositivo / resultado textual

Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Quinta Turma do Superior Tribunal
de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental.
Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Jesuíno Rissato
(Desembargador Convocado do TJDFT), João Otávio de Noronha e
Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr. Ministro Relator.

## Referências extraídas



**Limite documental:** Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.


## Navegação contextual


**Nota:** processos com a mesma classificação ou norma podem ter fatos, fundamentos e desfechos divergentes. Ato/andamento não prova vitória, derrota ou trânsito em julgado.
