# Registro público: STJ — 1979465

- **Origem:** stj
- **Órgão:** QUINTA TURMA
- **Classe:** AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL
- **Grau:** 
- **Data de julgamento:** 2022-05-03
- **Publicação:** 2022-05-06
- **Ajuizamento:** 
- **Página canônica da Wiki Jurídica:** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/2397/
- **Registro público original integral (JSON):** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/2397.json
- **Fonte primária preservada:** STJ, dados abertos de acórdãos
- **SHA-256 da fonte preservada:** 9911a6aae4a4f72419556270a2950bac2c2abaeaa8be05287bdf441e50087371

## Questão jurídica conforme a ementa oficial

PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL DO
MINISTÉRIO PÚBLICO PROVIDO PARA ANULAR A RECLAMAÇÃO CRIMINAL QUE
AFASTAVA O RELATOR ORIGINÁRIO VENCIDO DAS FUTURAS AÇÕES E/OU
RECURSOS SUBSEQUENTES DISTRIBUÍDOS POR PREVENÇÃO À AÇÃO PENAL
ORIGINÁRIA NAQUELE ÓRGÃO JULGADOR. PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL.
NULIDADE RECONHECIDA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

**Origem:** transcrição do STJ, sem tese jurídica inferida.

## Fundamentos documentados nos itens da ementa

- **Item 1 (texto oficial):** Não se desconhece que o Regimento Interno do TJPR assim se
mostra: Vencido o Relator, a prevenção recairá no Desembargador
designado para lavrar o acórdão (§ 7.º do art. 197 do RITJ/PR,
redação dada pela Emenda Regimental n.º 01/2016 - DJe n.º 1882, de
13.9.2016). De modo semelhante, vencido o relator, a prevenção
referir-se-á ao Ministro designado para a lavratura do acórdão. Esse
o comando presente no art. 71, § 2º, do RI/STJ.
- **Item 2 (texto oficial):** Em outra palavras, [n]os termos do art. 71, § 2º, do RISTJ, a
competência, então fixada a partir da distribuição de recurso
especial, cede lugar à prevenção estabelecida com a designação do
Ministro indicado para lavratura do acórdão, na hipótese de o
relator ficar vencido (AgInt nos EDcl na PET no AREsp 1777272/MG,
Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, julgado em 22/11/2021,
DJe 25/11/2021).
- **Item 3 (texto oficial):** Com efeito, não há nenhuma previsão legal ou regimental para
afastar o julgador vencido de futuros julgamentos de recursos ou
ações distribuídos por prevenção ao órgão julgador do qual integra.
- **Item 4 (texto oficial):** Por determinação regimental, o magistrado unicamente deixa de ser
relator do acórdão cujo seu voto restou vencido e passa a não mais
ser relator de futuros recursos ou ações distribuídos por prevenção
àquele julgado.
- **Item 5 (texto oficial):** Ora, afastar o julgador, que teve sua competência estabelecida
pela distribuição originária (juiz natural), do quórum de julgamento
de recursos e ações subsequentes preventos, em razão de seu
entendimento acerca da tese de mérito restar vencido, data máxima
vênia, não me parece a interpretação mais adequada.
- **Item 6 (texto oficial):** É certo que o princípio do juiz natural não se confunde com o da
identidade física do juiz, mas modificar a composição do órgão
julgador sem nenhum amparo legal fere frontalmente tal princípio,
bem como caracterizar juízo de exceção, de todo vedado em nosso
ordenamento.
- **Item 7 (texto oficial):** O princípio do juiz natural foi encampado pelo ordenamento
jurídico nas suas duas vertentes, uma proibindo a instituição de
tribunais de exceção; e outra garantindo ao indivíduo o seu
julgamento por autoridade judiciária com competência definida
previamente no ordenamento jurídico (HC 143.633/RS, Rel. Ministro
JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 15/3/2012, DJe 31/8/2012).
- **Item 8 (texto oficial):** Agravo regimental não provido.

## Ementa

PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL DO
MINISTÉRIO PÚBLICO PROVIDO PARA ANULAR A RECLAMAÇÃO CRIMINAL QUE
AFASTAVA O RELATOR ORIGINÁRIO VENCIDO DAS FUTURAS AÇÕES E/OU
RECURSOS SUBSEQUENTES DISTRIBUÍDOS POR PREVENÇÃO À AÇÃO PENAL
ORIGINÁRIA NAQUELE ÓRGÃO JULGADOR. PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL.
NULIDADE RECONHECIDA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. Não se desconhece que o Regimento Interno do TJPR assim se
mostra: Vencido o Relator, a prevenção recairá no Desembargador
designado para lavrar o acórdão (§ 7.º do art. 197 do RITJ/PR,
redação dada pela Emenda Regimental n.º 01/2016 - DJe n.º 1882, de
13.9.2016). De modo semelhante, vencido o relator, a prevenção
referir-se-á ao Ministro designado para a lavratura do acórdão. Esse
o comando presente no art. 71, § 2º, do RI/STJ.
2. Em outra palavras, [n]os termos do art. 71, § 2º, do RISTJ, a
competência, então fixada a partir da distribuição de recurso
especial, cede lugar à prevenção estabelecida com a designação do
Ministro indicado para lavratura do acórdão, na hipótese de o
relator ficar vencido (AgInt nos EDcl na PET no AREsp 1777272/MG,
Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, julgado em 22/11/2021,
DJe 25/11/2021).
3. Com efeito, não há nenhuma previsão legal ou regimental para
afastar o julgador vencido de futuros julgamentos de recursos ou
ações distribuídos por prevenção ao órgão julgador do qual integra.
4. Por determinação regimental, o magistrado unicamente deixa de ser
relator do acórdão cujo seu voto restou vencido e passa a não mais
ser relator de futuros recursos ou ações distribuídos por prevenção
àquele julgado.
5. Ora, afastar o julgador, que teve sua competência estabelecida
pela distribuição originária (juiz natural), do quórum de julgamento
de recursos e ações subsequentes preventos, em razão de seu
entendimento acerca da tese de mérito restar vencido, data máxima
vênia, não me parece a interpretação mais adequada.
6. É certo que o princípio do juiz natural não se confunde com o da
identidade física do juiz, mas modificar a composição do órgão
julgador sem nenhum amparo legal fere frontalmente tal princípio,
bem como caracterizar juízo de exceção, de todo vedado em nosso
ordenamento.
7.  O princípio do juiz natural foi encampado pelo ordenamento
jurídico nas suas duas vertentes, uma proibindo a instituição de
tribunais de exceção; e outra garantindo ao indivíduo o seu
julgamento por autoridade judiciária com competência definida
previamente no ordenamento jurídico (HC 143.633/RS, Rel. Ministro
JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 15/3/2012, DJe 31/8/2012).
8. Agravo regimental não provido.

## Dispositivo / resultado textual

Visto, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Quinta Turma do Superior Tribunal
de Justiça,  por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental.
 Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Jesuíno
Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT) votaram com o Sr.
Ministro Relator.
Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro João Otávio de Noronha.

## Referências extraídas



## Jurisprudência citada pela fonte STJ

(RELATOR ORIGINÁRIO VENCIDO - COMPETÊNCIA POR PREVENÇÃO - JULGADOR
RESPONSÁVEL PELA LAVRATURA DO ACÓRDÃO)
   STJ - <<AgInt nos EDcl na PET no AREsp 1777272>>-MG
(PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL - PROIBIÇÃO DE TRIBUNAIS DE EXCEÇÃO -
COMPETÊNCIA PREVIAMENTE DEFINIDA)
   STJ - <<HC 143633>>-RS

## Referências legislativas textuais

- LEG:EST RGI:****** ANO:****
*****  RITJ-PR    REGIMENTO INTERNO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ
        ART:00197 PAR:00007
(COM A REDAÇÃO DADA PELA EMENDA REGIMENTAL 01/2016)
- LEG:EST EMR:000001 ANO:2016 UF:PR
(TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ - TJPR)
- LEG:FED RGI:****** ANO:1989
*****  RISTJ-89    REGIMENTO INTERNO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
        ART:00071 PAR:00002

**Limite documental:** Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.


## Navegação contextual


**Nota:** processos com a mesma classificação ou norma podem ter fatos, fundamentos e desfechos divergentes. Ato/andamento não prova vitória, derrota ou trânsito em julgado.
