# Registro público: STJ — 176926

- **Origem:** stj
- **Órgão:** QUINTA TURMA
- **Classe:** AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS
- **Grau:** 
- **Data de julgamento:** 2023-05-08
- **Publicação:** 2023-05-12
- **Ajuizamento:** 
- **Página canônica da Wiki Jurídica:** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/33653/
- **Registro público original integral (JSON):** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/33653.json
- **Fonte primária preservada:** STJ, dados abertos de acórdãos
- **SHA-256 da fonte preservada:** 475919863d4611f7ec43c2db57b1a3397e5a58d64f1224a8dc5f113cd0b64c01

## Questão jurídica conforme a ementa oficial

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS.
CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA. NULIDADE. COLHEITA DE ELEMENTOS
PROBATÓRIOS. NÃO VERIFICAÇÃO. DENÚNCIA RECEBIDA. PREJUDICIALIDADE.
AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. ANÁLISE FÁTICO-PROBATÓRIA. AGRAVO
REGIMENTAL DESPROVIDO.

**Origem:** transcrição do STJ, sem tese jurídica inferida.

## Fundamentos documentados nos itens da ementa

- **Item 1 (texto oficial):** "[E]ventuais irregularidades ocorridas na fase investigatória,
dada a natureza inquisitiva do inquérito policial, não contaminam a
ação penal" (HC n. 586.321/AP, Relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta
Turma, julgado em 18/8/2020, DJe 28/8/2020). No mesmo sentido:
"[e]ventual vício no inquérito policial não tem o liame de
contaminar a ação penal, dada a natureza meramente informativa das
peças processuais e sua dispensabilidade na formação da opinio
delicti" (AgRg no AREsp n. 1374735/DF, relatora Ministra Laurita
Vaz, Sexta Turma, DJe de 4/2/2019).
- **Item 2 (texto oficial):** Tal entendimento prevalece ainda que a nulidade venha a ser
comprovada, sobretudo se não há demonstração de prejuízo à defesa,
tudo em conformidade com o princípio do pas de nullité sans grief
(informações complementares à ementa (voto vista do Ministro Luis
Felipe Salomão) na APn 741-DF, relator Ministro Og Fernandes, Corte
Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 23/10/2018).
- **Item 3 (texto oficial):** Hipótese em que a denúncia já foi oferecida e devidamente
recebida, razão pela qual a pretensão de reconhecimento de eventuais
nulidades ocorridas durante a fase inquisitiva encontra-se
prejudicada, pois, uma vez instaurada a ação penal, todo o conteúdo
probatório obtido será revisitado durante a fase instrutória, sob o
pálio do devido processo legal, nos quais são assegurados o
exercício do contraditório e da ampla defesa.
- **Item 4 (texto oficial):** A configuração da quebra da cadeia de custódia, com efeito,
pressupõe a existência de irregularidades no procedimento de
colheita e conservação da prova, não demonstrados de plano pelo
recorrente.
- **Item 5 (texto oficial):** Instâncias ordinárias que foram firmes ao asseverar a presença de
elementos informativos suficientes para justificar a persecução
criminal em desfavor do recorrente, devendo ser ressaltado que o
reconhecimento da ocorrência de quebra da cadeia de custódia, neste
momento processual, demandaria amplo revolvimento do conjunto
fático-probatório, o que, como é sabido, não é possível na via
eleita.
- **Item 6 (texto oficial):** O reconhecimento da ausência de justa causa exige profundo exame
do contexto probatórios dos autos, o que é inviável na via estreita
do writ. Nesse sentido: RHC 51.659/CE, Rel. Ministro Nefi Cordeiro,
Sexta Turma, julgado em 5/5/2016, DJe 16/5/2016; e RHC 63.480/SP,
Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 1/3/2016, DJe
9/3/2016.
- **Item 7 (texto oficial):** Se as instâncias ordinárias reconheceram que as condutas
imputadas ao recorrente, em princípio, se subsomem ao tipo previsto
no art. 288-A do Código Penal, porquanto presentes todas as
elementares do crime de constituição de milícia privada, verifica-se
a existência de justa causa para o prosseguimento da ação penal.
- **Item 8 (texto oficial):** Agravo regimental desprovido.

## Ementa

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS.
CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA. NULIDADE. COLHEITA DE ELEMENTOS
PROBATÓRIOS. NÃO VERIFICAÇÃO. DENÚNCIA RECEBIDA. PREJUDICIALIDADE.
AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. ANÁLISE FÁTICO-PROBATÓRIA. AGRAVO
REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. "[E]ventuais irregularidades ocorridas na fase investigatória,
dada a natureza inquisitiva do inquérito policial, não contaminam a
ação penal" (HC n. 586.321/AP, Relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta
Turma, julgado em 18/8/2020, DJe 28/8/2020). No mesmo sentido:
"[e]ventual vício no inquérito policial não tem o liame de
contaminar a ação penal, dada a natureza meramente informativa das
peças processuais e sua dispensabilidade na formação da opinio
delicti" (AgRg no AREsp n. 1374735/DF, relatora Ministra Laurita
Vaz, Sexta Turma, DJe de 4/2/2019).
2. Tal entendimento prevalece ainda que a nulidade venha a ser
comprovada, sobretudo se não há demonstração de prejuízo à defesa,
tudo em conformidade com o princípio do pas de nullité sans grief
(informações complementares à ementa (voto vista do Ministro Luis
Felipe Salomão) na APn 741-DF, relator Ministro Og Fernandes, Corte
Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 23/10/2018).
3. Hipótese em que a denúncia já foi oferecida e devidamente
recebida, razão pela qual a pretensão de reconhecimento de eventuais
nulidades ocorridas durante a fase inquisitiva encontra-se
prejudicada, pois, uma vez instaurada a ação penal, todo o conteúdo
probatório obtido será revisitado durante a fase instrutória, sob o
pálio do devido processo legal, nos quais são assegurados o
exercício do contraditório e da ampla defesa.
4. A configuração da quebra da cadeia de custódia, com efeito,
pressupõe a existência de irregularidades no procedimento de
colheita e conservação da prova, não demonstrados de plano pelo
recorrente.
5. Instâncias ordinárias que foram firmes ao asseverar a presença de
elementos informativos suficientes para justificar a persecução
criminal em desfavor do recorrente, devendo ser ressaltado que o
reconhecimento da ocorrência de quebra da cadeia de custódia, neste
momento processual, demandaria amplo revolvimento do conjunto
fático-probatório, o que, como é sabido, não é possível na via
eleita.
6. O reconhecimento da ausência de justa causa exige profundo exame
do contexto probatórios dos autos, o que é inviável na via estreita
do writ. Nesse sentido: RHC 51.659/CE, Rel. Ministro Nefi Cordeiro,
Sexta Turma, julgado em 5/5/2016, DJe 16/5/2016; e RHC 63.480/SP,
Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 1/3/2016, DJe
9/3/2016.
7. Se as instâncias ordinárias reconheceram que as condutas
imputadas ao recorrente, em princípio, se subsomem ao tipo previsto
no art. 288-A do Código Penal, porquanto presentes todas as
elementares do crime de constituição de milícia privada, verifica-se
a existência de justa causa para o prosseguimento da ação penal.
8. Agravo regimental desprovido.

## Dispositivo / resultado textual

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de
Justiça, em sessão virtual de 02/05/2023 a 08/05/2023, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Joel Ilan Paciornik,
Messod Azulay Neto e João Batista Moreira (Desembargador convocado
do TRF1) votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Joel Ilan Paciornik.

## Referências extraídas



## Jurisprudência citada pela fonte STJ

(NULIDADE - IRREGULARIDADES NA FASE INQUISITORIAL - CONTAMINAÇÃO -
FASE PROCESSUAL)
   STJ - <<HC 586321>>-AP, <<AgRg no AREsp 1374735>>-DF
(NULIDADE - DEMONSTRAÇÃO DE EFETIVO PREJUÍZO - PAS DE NULLITÉ SANS
GRIEF)
   STJ - <<APn 741>>-DF
(WRIT PROFILÁTICO - TRANCAMENTO DA PERSECUÇÃO CRIMINAL - AFERIÇÃO -
JUSTA CAUSA - DILAÇÃO PROBATÓRIA)
   STJ - <<RHC 51659>>-CE, <<RHC 63480>>-SP

**Limite documental:** Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.


## Navegação contextual


**Nota:** processos com a mesma classificação ou norma podem ter fatos, fundamentos e desfechos divergentes. Ato/andamento não prova vitória, derrota ou trânsito em julgado.
