# Registro público: STJ — 1979739

- **Origem:** stj
- **Órgão:** SEXTA TURMA
- **Classe:** AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL
- **Grau:** 
- **Data de julgamento:** 2023-08-14
- **Publicação:** 2023-08-21
- **Ajuizamento:** 
- **Página canônica da Wiki Jurídica:** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/38829/
- **Registro público da fonte (JSON):** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/38829.json
- **Fonte primária preservada:** STJ, dados abertos de acórdãos
- **SHA-256 da fonte preservada:** eb244b5ec10ecd5432372a68ac6ca79ddd5ab8d7e5a1dfbaaa4d0c2b0a6176f7

## Questão jurídica conforme a ementa oficial

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PENAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL.
ABSOLVIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE VIOLÊNCIA. VÍTIMA
QUE CONTAVA COM 12 (DOZE) ANOS À ÉPOCA DOS FATOS. SUPOSTO
CONSENTIMENTO. IRRELEVÂNCIA. UNIÃO ESTÁVEL POSTERIOR. SÚMULA N.
593/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

**Origem:** transcrição do STJ, sem tese jurídica inferida.

## Fundamentos documentados nos itens da ementa

- **Item 1 (texto oficial):** In casu, o Réu foi absolvido quanto ao delito previsto no art.
217-A do Código Penal em razão de ter havido consentimento da Vítima
(que contava com 12 (doze) anos à época dos fatos) e porque,
posteriormente, chegaram a manter união estável.
- **Item 2 (texto oficial):** A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça a propósito do
tema está materializada na Súmula n. 593, in verbis:"o crime de
estupro de vulnerável se configura com a conjunção carnal ou prática
de ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante eventual
consentimento da vítima para a prática do ato, sua experiência
sexual anterior ou existência de relacionamento amoroso com o
agente". Precedentes.
- **Item 3 (texto oficial):** Ao ratificar a Convenção sobre os Direitos da Criança (Decreto n.
99.710/90), o Brasil se comprometeu a adotar todas as medidas
necessárias para proteger pessoas com idade inferior à 18 (dezoito)
anos contra todas as formas de violência física ou mental, abuso ou
tratamento negligente, maus tratos ou exploração, inclusive abuso
sexual (arts. 19 e 34 da Convenção). Este compromisso internacional
está em consonância com a norma constitucional que confere absoluta
prioridade à proteção dos direitos da criança e do adolescente,
determinando que a lei deve punir severamente o abuso, a violência e
a exploração sexual contra elas (art. 227, caput e § 4.º, da CF).
- **Item 4 (texto oficial):** O fato de a Vítima ter passado a viver em união estável com o
Agravante tão somente reforça o contexto de sexualização precoce no
qual se encontra inserida, sendo o seu consentimento infantil
incapaz de afastar a tipicidade da conduta, consoante expressamente
dispõe o art. 217-A, §5.º, do Código Penal.
- **Item 5 (texto oficial):** A proteção à infância prepondera sobre a proteção à família que
tem a violência sexual em sua gênese, sob pena de violação ao
princípio da proibição da proteção insuficiente, pois, na referida
situação, o convívio "não pode ser caracterizado como união estável,
nem mesmo para os fins do art. 226, § 3º, da Constituição
Republicana, que não protege a relação marital de uma criança com
seu opressor, sendo clara a inexistência de um consentimento
válido." (RE 418376/ MS, Tribunal Pleno, Rel. Min. JOAQUIM BARBOSA,
DJ 23.03.2007).
- **Item 6 (texto oficial):** Agravo regimental desprovido.

## Ementa

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PENAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL.
ABSOLVIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE VIOLÊNCIA. VÍTIMA
QUE CONTAVA COM 12 (DOZE) ANOS À ÉPOCA DOS FATOS. SUPOSTO
CONSENTIMENTO. IRRELEVÂNCIA. UNIÃO ESTÁVEL POSTERIOR. SÚMULA N.
593/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. In casu, o Réu foi absolvido quanto ao delito previsto no art.
217-A do Código Penal em razão de ter havido consentimento da Vítima
(que contava com 12 (doze) anos à época dos fatos) e porque,
posteriormente, chegaram a manter união estável.
2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça a propósito do
tema está materializada na Súmula n. 593, in verbis:"o crime de
estupro de vulnerável se configura com a conjunção carnal ou prática
de ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante eventual
consentimento da vítima para a prática do ato, sua experiência
sexual anterior ou existência de relacionamento amoroso com o
agente". Precedentes.
3. Ao ratificar a Convenção sobre os Direitos da Criança (Decreto n.
99.710/90), o Brasil se comprometeu a adotar todas as medidas
necessárias para proteger pessoas com idade inferior à 18 (dezoito)
anos contra todas as formas de violência física ou mental, abuso ou
tratamento negligente, maus tratos ou exploração, inclusive abuso
sexual (arts. 19 e 34 da Convenção). Este compromisso internacional
está em consonância com a norma constitucional que confere absoluta
prioridade à proteção dos direitos da criança e do adolescente,
determinando que a lei deve punir severamente o abuso, a violência e
a exploração sexual contra elas (art. 227, caput e § 4.º, da CF).
4. O fato de a Vítima ter passado a viver em união estável com o
Agravante tão somente reforça o contexto de sexualização precoce no
qual se encontra inserida, sendo o seu consentimento infantil
incapaz de afastar a tipicidade da conduta, consoante expressamente
dispõe o art. 217-A, §5.º, do Código Penal.
5. A proteção à infância prepondera sobre a proteção à família que
tem a violência sexual em sua gênese, sob pena de violação ao
princípio da proibição da proteção insuficiente, pois, na referida
situação, o convívio "não pode ser caracterizado como união estável,
nem mesmo para os fins do art. 226, § 3º, da Constituição
Republicana, que não protege a relação marital de uma criança com
seu opressor, sendo clara a inexistência de um consentimento
válido." (RE 418376/ MS, Tribunal Pleno, Rel. Min. JOAQUIM BARBOSA,
DJ 23.03.2007).
6. Agravo regimental desprovido.

## Dispositivo / resultado textual

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça,
em sessão virtual de 08/08/2023 a 14/08/2023, por unanimidade, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora.
Os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz,
Antonio Saldanha Palheiro e Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado
do TJDFT)  votaram com a Sra. Ministra Relatora.
Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Laurita Vaz.

## Referências extraídas

urn:lex:br:federal:constituicao:1988-10-05;1988!art227_par4, urn:lex:br:federal:decreto.lei:1940-12-07;2848!art217

## Jurisprudência citada pela fonte STJ

(PROTEÇÃO À FAMÍLIA QUE TEM A VIOLÊNCIA SEXUAL EM SUA GÊNESE -
PROTEÇÃO À INFÂNCIA - PREPONDERÂNCIA)
   STF - [[RE 418376]]-MS
(CONSENTIMENTO - CASAMENTO OU UNIÃO ESTÁVEL - ESTUPRO DE VULNERÁVEL)
   STJ - <<AgRg no REsp 1854376>>-SC, <<AgRg no HC 722014>>-PB,
         <<HC 583369>>-SP

## Súmulas citadas

- STJ:593

## Referências legislativas textuais

- LEG:FED DEL:002848 ANO:1940
*****  CP-40    CÓDIGO PENAL
        ART:0217A PAR:00005
- LEG:FED SUM:****** ANO:****
*****  SUM(STJ)    SÚMULA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
        SUM:000593
- LEG:INT RES:****** ANO:1989
*****  RESONU1989    CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE OS DIREITOS DA
CRIANÇA
        ART:00019 ART:00034
(RESOLUÇÃO 44/25 DA ONU, PROMULGADA PELO DECRETO 99.710/1990)
- LEG:INT RES:000044 ANO:1925
(ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS - ONU)
- LEG:FED DEC:099710 ANO:1990
- LEG:FED CFB:****** ANO:1988
*****  CF-1988    CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988
        ART:00227 PAR:00004
- LEG:FED LEI:011106 ANO:2005

**Limite documental:** Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.


## Navegação contextual

- [Decisões que citam urn:lex:br:federal:constituicao:1988-10-05;1988!art227_par4](https://wikijuridica.com.br/casos/dispositivo/?urn=urn%3Alex%3Abr%3Afederal%3Aconstituicao%3A1988-10-05%3B1988%21art227_par4)
- [Decisões que citam urn:lex:br:federal:decreto.lei:1940-12-07;2848!art217](https://wikijuridica.com.br/casos/dispositivo/?urn=urn%3Alex%3Abr%3Afederal%3Adecreto.lei%3A1940-12-07%3B2848%21art217)

**Nota:** processos com a mesma classificação ou norma podem ter fatos, fundamentos e desfechos divergentes. Ato/andamento não prova vitória, derrota ou trânsito em julgado.

## Casos reais relacionados — semelhanças e diferenças documentais

Relações por códigos TPU ou URN LexML coincidentes. Diferenças de classificação, tribunal ou órgão não demonstram por si só interpretação jurídica contrária ou desfecho oposto.

- [STJ — 1977165](https://wikijuridica.com.br/casos/documento/31404/) — classe: RECURSO ESPECIAL; referências coincidentes: urn:lex:br:federal:constituicao:1988-10-05;1988!art227_par4, urn:lex:br:federal:decreto.lei:1940-12-07;2848!art217
  - Classe processual (atual / relacionado): AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL / RECURSO ESPECIAL
- [STJ — 2208241](https://wikijuridica.com.br/casos/documento/25354/) — classe: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL; referências coincidentes: urn:lex:br:federal:constituicao:1988-10-05;1988!art227_par4, urn:lex:br:federal:decreto.lei:1940-12-07;2848!art217
  - Classe processual (atual / relacionado): AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL / AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- [STJ — 1570857](https://wikijuridica.com.br/casos/documento/22681/) — classe: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL; referências coincidentes: urn:lex:br:federal:constituicao:1988-10-05;1988!art227_par4, urn:lex:br:federal:decreto.lei:1940-12-07;2848!art217
  - Classe processual (atual / relacionado): AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL / AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
