# Registro público: STJ — 730179

- **Origem:** stj
- **Órgão:** QUINTA TURMA
- **Classe:** AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS
- **Grau:** 
- **Data de julgamento:** 2024-03-04
- **Publicação:** 2024-03-06
- **Ajuizamento:** 
- **Página canônica da Wiki Jurídica:** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/53532/
- **Registro público da fonte (JSON):** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/53532.json
- **Fonte primária preservada:** STJ, dados abertos de acórdãos
- **SHA-256 da fonte preservada:** 475d07c09e52e8818587a748eec299304751b426d41f079dd114dffd501a7a67

## Questão jurídica conforme a ementa oficial

PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS.
HOMICÍDIO QUALIFICADO TENTADO E POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO.
PRONÚNCIA BASEADA, APENAS, EM DEPOIMENTOS COLHIDOS NA FASE POLICIAL.
VÍTIMA QUE NÃO COMPARECEU EM JUÍZO PARA PRESTAR DEPOIMENTO
JUDICIAL. DEPOIMENTO DE TESTEMUNHAS EM JUÍZO DE "OUVI DIZER".
FUNDAMENTO INIDÔNEO PARA SUBMISSÃO DOS ACUSADOS AO TRIBUNAL DO JÚRI.
ILEGALIDADE. PROVA EMPRESTADA. NECESSIDADE DE SUBMISSÃO AO
CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO.
AGRAVO DO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL DESPROVIDO.

**Origem:** transcrição do STJ, sem tese jurídica inferida.

## Fundamentos documentados nos itens da ementa

- **Item 1 (texto oficial):** De acordo com o entendimento desta Corte Superior, "o testemunho
de "ouvir dizer" ou hearsay testimony não é suficiente para
fundamentar a pronúncia, não podendo esta, também, encontrar-se
baseada exclusivamente em elementos colhidos durante o inquérito
policial, nos termos do art. 155 do CPP" (AgRg no AgRg no AREsp n.
2.097.753/MG, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta
Turma, julgado em 2/8/2022, DJe de 8/8/2022).
In casu, a única testemunha que apontou a autoria do agravado
Dionatan foi a vítima, ouvida unicamente em sede de inquérito
policial, porquanto não compareceu em juízo para prestar depoimento
judicial. Assim como, o único indício de autoria do agravado Thales
foi extraído da suposta motivação do delito, que segundo o
depoimento da vítima, repita-se, ouvida tão somente em sede de
inquérito policial, se deu em razão do desaparecimento de drogas
cuja propriedade é atribuída ao requerente. Todas as demais
testemunhas, além de não presenciarem os fatos, desconheciam os
agravados, e não souberam afirmar a prévia existência de
desentendimentos anteriores entre vítima e os corréus ou de amizade
entre os corréus, tendo conhecimento apenas de boatos no bairro no
sentido de que a vítima era "ladrãozinho". Desse modo, afastado o
depoimento da vítima prestado unicamente na fase inquisitorial e o
testemunho indireto (de ouvir dizer) prestado pelas testemunhas, não
subsiste um único indício colhido na fase judicial que aponte o
agravado Dionatan como o autor d o homicídio que lhe fora imputado,
e quanto ao agravado Thales, subsiste apenas a apreensão de seu
celular no local do ocorrido, que, por si só, não é suficiente para
configurar indícios de autoria, sendo de rigor, portanto, a
impronúncia de ambos os agravados.
- **Item 2 (texto oficial):** A prova emprestada - testemunhos - oriunda de inquéritos
policiais diversos do que embasa a ação penal em exame no presente
writ, foi produzida sem que fosse assegurado aos agravados o
contraditório e a ampla defesa, contrariando a jurisprudência desta
Corte Superior de Justiça, no sentido de que é admitida a prova
emprestada, ainda que proveniente de processo no qual o réu não seja
parte, desde que assegurado o exercício efetivo do contraditório e
da ampla defesa.
- **Item 3 (texto oficial):** Não conhecido o habeas corpus, contudo, concedida a ordem de
ofício, para impronunciar os pacientes, ora agravados, nos termos do
art. 414 do Código de Processo Penal - CPP e, por conseguinte,
revogar suas prisões preventivas.
- **Item 4 (texto oficial):** Agravo regimental do Ministério Público de Santa Catarina
desprovido.

## Ementa

PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS.
HOMICÍDIO QUALIFICADO TENTADO E POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO.
PRONÚNCIA BASEADA, APENAS, EM DEPOIMENTOS COLHIDOS NA FASE POLICIAL.
VÍTIMA QUE NÃO COMPARECEU EM JUÍZO PARA PRESTAR DEPOIMENTO
JUDICIAL. DEPOIMENTO DE TESTEMUNHAS EM JUÍZO DE "OUVI DIZER".
FUNDAMENTO INIDÔNEO PARA SUBMISSÃO DOS ACUSADOS AO TRIBUNAL DO JÚRI.
ILEGALIDADE. PROVA EMPRESTADA. NECESSIDADE DE SUBMISSÃO AO
CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO.
AGRAVO DO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL DESPROVIDO.
1. De acordo com o entendimento desta Corte Superior, "o testemunho
de "ouvir dizer" ou hearsay testimony não é suficiente para
fundamentar a pronúncia, não podendo esta, também, encontrar-se
baseada exclusivamente em elementos colhidos durante o inquérito
policial, nos termos do art. 155 do CPP" (AgRg no AgRg no AREsp n.
2.097.753/MG, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta
Turma, julgado em 2/8/2022, DJe de 8/8/2022).
In casu, a única testemunha que apontou a autoria do agravado
Dionatan foi a vítima, ouvida unicamente em sede de inquérito
policial, porquanto não compareceu em juízo para prestar depoimento
judicial. Assim como, o único indício de autoria do agravado Thales
foi extraído da suposta motivação do delito, que segundo o
depoimento da vítima, repita-se, ouvida tão somente em sede de
inquérito policial, se deu em razão do desaparecimento de drogas
cuja propriedade é atribuída ao requerente. Todas as demais
testemunhas, além de não presenciarem os fatos, desconheciam os
agravados, e não souberam afirmar a prévia existência de
desentendimentos anteriores entre vítima e os corréus ou de amizade
entre os corréus, tendo conhecimento apenas de boatos no bairro no
sentido de que a vítima era "ladrãozinho". Desse modo, afastado o
depoimento da vítima prestado unicamente na fase inquisitorial e o
testemunho indireto (de ouvir dizer) prestado pelas testemunhas, não
subsiste um único indício colhido na fase judicial que aponte o
agravado Dionatan como o autor d o homicídio que lhe fora imputado,
e quanto ao agravado Thales, subsiste apenas a apreensão de seu
celular no local do ocorrido, que, por si só, não é suficiente para
configurar indícios de autoria, sendo de rigor, portanto, a
impronúncia de ambos os agravados.
2. A prova emprestada - testemunhos - oriunda de inquéritos
policiais diversos do que embasa a ação penal em exame no presente
writ, foi produzida sem que fosse assegurado aos agravados o
contraditório e a ampla defesa, contrariando a jurisprudência desta
Corte Superior de Justiça, no sentido de que é admitida a prova
emprestada, ainda que proveniente de processo no qual o réu não seja
parte, desde que assegurado o exercício efetivo do contraditório e
da ampla defesa.
3. Não conhecido o habeas corpus, contudo, concedida a ordem de
ofício, para impronunciar os pacientes, ora agravados, nos termos do
art. 414 do Código de Processo Penal - CPP e, por conseguinte,
revogar suas prisões preventivas.
4. Agravo regimental do Ministério Público de Santa Catarina
desprovido.

## Dispositivo / resultado textual

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal
de Justiça, em sessão virtual de 27/02/2024 a 04/03/2024, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Messod
Azulay Neto e Daniela Teixeira  votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.

## Referências extraídas

urn:lex:br:federal:decreto.lei:1941-10-03;3689!art155, urn:lex:br:federal:decreto.lei:1941-10-03;3689!art414

## Jurisprudência citada pela fonte STJ

(PRONÚNCIA - TESTEMUNHO DE OUVIR DIZER - EMBASAMENTO EXCLUSIVO)
   STJ - <<AgRg no AgRg no AREsp 2097753>>-MG,
         <<AgRg no HC 668407>>-RS, <<AgRg no REsp 1940104>>-AM,
         <<AgRg no AREsp 1848729>>-MA, <<HC 688594>>-CE

## Referências legislativas textuais

- LEG:FED DEL:003689 ANO:1941
*****  CPP-41    CÓDIGO DE PROCESSO PENAL
        ART:00155 ART:00414

**Limite documental:** Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.


## Navegação contextual

- [Decisões que citam urn:lex:br:federal:decreto.lei:1941-10-03;3689!art155](https://wikijuridica.com.br/casos/dispositivo/?urn=urn%3Alex%3Abr%3Afederal%3Adecreto.lei%3A1941-10-03%3B3689%21art155)
- [Decisões que citam urn:lex:br:federal:decreto.lei:1941-10-03;3689!art414](https://wikijuridica.com.br/casos/dispositivo/?urn=urn%3Alex%3Abr%3Afederal%3Adecreto.lei%3A1941-10-03%3B3689%21art414)

**Nota:** processos com a mesma classificação ou norma podem ter fatos, fundamentos e desfechos divergentes. Ato/andamento não prova vitória, derrota ou trânsito em julgado.

## Casos reais relacionados — semelhanças e diferenças documentais

Relações por códigos TPU ou URN LexML coincidentes. Diferenças de classificação, tribunal ou órgão não demonstram por si só interpretação jurídica contrária ou desfecho oposto.

- [STJ — 2605892](https://wikijuridica.com.br/casos/documento/110121/) — classe: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL; referências coincidentes: urn:lex:br:federal:decreto.lei:1941-10-03;3689!art155, urn:lex:br:federal:decreto.lei:1941-10-03;3689!art414
  - Classe processual (atual / relacionado): AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS / AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- [STJ — 2170160](https://wikijuridica.com.br/casos/documento/98133/) — classe: RECURSO ESPECIAL; referências coincidentes: urn:lex:br:federal:decreto.lei:1941-10-03;3689!art155, urn:lex:br:federal:decreto.lei:1941-10-03;3689!art414
  - Classe processual (atual / relacionado): AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS / RECURSO ESPECIAL
  - Órgão julgador (atual / relacionado): QUINTA TURMA / SEXTA TURMA
- [STJ — 2708351](https://wikijuridica.com.br/casos/documento/93720/) — classe: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL; referências coincidentes: urn:lex:br:federal:decreto.lei:1941-10-03;3689!art155, urn:lex:br:federal:decreto.lei:1941-10-03;3689!art414
  - Classe processual (atual / relacionado): AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS / AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
  - Órgão julgador (atual / relacionado): QUINTA TURMA / SEXTA TURMA
