# Registro público: STJ — 2138023

- **Origem:** stj
- **Órgão:** QUINTA TURMA
- **Classe:** AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- **Grau:** 
- **Data de julgamento:** 2024-06-18
- **Publicação:** 2024-06-21
- **Ajuizamento:** 
- **Página canônica da Wiki Jurídica:** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/62701/
- **Registro público da fonte (JSON):** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/62701.json
- **Fonte primária preservada:** STJ, dados abertos de acórdãos
- **SHA-256 da fonte preservada:** d8df9874765099361a5b4ac978a91986bc159e81e6739908cd86c21cffdf6a9d

## Questão jurídica conforme a ementa oficial

PENAL. PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO
AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 54, § 2º, V, DA LEI N. 9.605/98.
CRIME DE POLUIÇÃO AMBIENTAL DE RESPONSABILIDADE DO PREFEITO.
MANUTENÇÃO DE LIXÃO ENTRE 2014 E 2017. AÇÃO PENAL ORIGINÁRIA.
DENÚNCIA REJEITADA. LEI PENAL EM BRANCO. AUSÊNCIA DE CONDUTA
PREVISTA EM PARÂMETRO NORMATIVO ESTADUAL. ÓBICE DA SÚMULA N. 280 DO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF. ART. 47, II, DA LEI N. 12.305/2010
(POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS). PROIBIÇÃO DE LANÇAMENTOS DE
RESÍDUOS SÓLIDOS E REJEITOS A CÉU ABERTO COM PRAZO LEGAL PARA
ENTRADA EM VIGOR. PRAZO LEGAL AMPLIADO PELA LEI N. 14.026/2020
(MARCO LEGAL DO SANEAMENTO BÁSICO). LEI POSTERIOR QUE FAVORECE O
DENUNCIADO. REJEIÇÃO DA DENÚNCIA QUE DEVE SER MANTIDA. AGRAVO
REGIMENTAL DESPROVIDO.

**Origem:** transcrição do STJ, sem tese jurídica inferida.

## Fundamentos documentados nos itens da ementa

- **Item 1 (texto oficial):** "É entendimento consolidado desta Corte que o oferecimento da
denúncia sem a norma complementadora constitui inépcia da denúncia,
por impossibilitar a defesa adequada do denunciado" (HC 370.972/MS,
Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, DJe 7/12/2016).
- **Item 2 (texto oficial):** No caso concreto, a denúncia pela prática do delito tipificado no
art. 54, § 2º, V, da Lei n. 9.605/98, norma penal em branco, foi
rejeitada, embora indicado como complemento a inobservância ao art.
47, II, da Lei n. 12.305/10; do art. 61 da Lei Complementar Estadual
n. 272/2004; e da Resolução n. 04/2006 do Conselho Estadual do Meio
Ambiente (CONEMA). Segundo a Corte de origem, tais normativos não
se prestam para apontar as inconsistências no descarte do lixo.
2.1. Em relação aos parâmetros contidos na Lei Complementar Estadual
n. 272/2004 e na Resolução n. 04/2006 do CONEMA, a análise dos
referidos dispositivos esbarra no óbice da Súmula n. 280 do Supremo
Tribunal Federal - STF.
2.2. Em relação ao contido na Lei n. 12.305/2010, o art. 47, II, da
Lei n. 12.305/2010, proíbe o lançamento de resíduos sólidos ou
rejeitos in natura a céu aberto, excetuados os resíduos de
mineração, como forma de disposição final.
2.3. Entretanto, o art. 54 da Lei n. 12.305/10 conferiu prazo legal
para implantação da disposição final ambientalmente adequada dos
rejeitos (art. 47, II). Em sua redação original, a prática conhecida
como "lixão" deveria se encerrar em 2/8/2014. Posteriormente, o
art. 54 da Lei n. 12.305/2010 foi alterado pela Lei n. 14.026/2020,
conhecida por Marco Legal do Saneamento Básico, que conferiu aos
Municípios novo prazo para implementação da disposição final
ambientalmente adequada ao menos até 31/12/2020, podendo ainda ser
outra data posterior.
- **Item 3 (texto oficial):** Diante de norma que elasteceu o prazo para implantação da
disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos e da vedação
de punição contida no art. 2º, parágrafo único, do Código Penal -
CP, forçoso concluir pela manutenção da rejeição da denúncia
embasada na hipótese normativa do art. 54, § 2º, V, da Lei n.
9.605/98, combinado com o art. 47, II, da Lei n. 12.305/10, de
Prefeito responsável por "lixão" no período de 3/4/2014 a 4/6/2017.
- **Item 4 (texto oficial):** Agravo regimental desprovido.

## Ementa

PENAL. PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO
AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 54, § 2º, V, DA LEI N. 9.605/98.
CRIME DE POLUIÇÃO AMBIENTAL DE RESPONSABILIDADE DO PREFEITO.
MANUTENÇÃO DE LIXÃO ENTRE 2014 E 2017. AÇÃO PENAL ORIGINÁRIA.
DENÚNCIA REJEITADA. LEI PENAL EM BRANCO. AUSÊNCIA DE CONDUTA
PREVISTA EM PARÂMETRO NORMATIVO ESTADUAL. ÓBICE DA SÚMULA N. 280 DO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF. ART. 47, II, DA LEI N. 12.305/2010
(POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS). PROIBIÇÃO DE LANÇAMENTOS DE
RESÍDUOS SÓLIDOS E REJEITOS A CÉU ABERTO COM PRAZO LEGAL PARA
ENTRADA EM VIGOR. PRAZO LEGAL AMPLIADO PELA LEI N. 14.026/2020
(MARCO LEGAL DO SANEAMENTO BÁSICO). LEI POSTERIOR QUE FAVORECE O
DENUNCIADO. REJEIÇÃO DA DENÚNCIA QUE DEVE SER MANTIDA. AGRAVO
REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. "É entendimento consolidado desta Corte que o oferecimento da
denúncia sem a norma complementadora constitui inépcia da denúncia,
por impossibilitar a defesa adequada do denunciado" (HC 370.972/MS,
Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, DJe 7/12/2016).
2. No caso concreto, a denúncia pela prática do delito tipificado no
art. 54, § 2º, V, da Lei n. 9.605/98, norma penal em branco, foi
rejeitada, embora indicado como complemento a inobservância ao art.
47, II, da Lei n. 12.305/10; do art. 61 da Lei Complementar Estadual
n. 272/2004; e da Resolução n. 04/2006 do Conselho Estadual do Meio
Ambiente (CONEMA). Segundo a Corte de origem, tais normativos não
se prestam para apontar as inconsistências no descarte do lixo.
2.1. Em relação aos parâmetros contidos na Lei Complementar Estadual
n. 272/2004 e na Resolução n. 04/2006 do CONEMA, a análise dos
referidos dispositivos esbarra no óbice da Súmula n. 280 do Supremo
Tribunal Federal - STF.
2.2. Em relação ao contido na Lei n. 12.305/2010, o art. 47, II, da
Lei n. 12.305/2010, proíbe o lançamento de resíduos sólidos ou
rejeitos in natura a céu aberto, excetuados os resíduos de
mineração, como forma de disposição final.
2.3. Entretanto, o art. 54 da Lei n. 12.305/10 conferiu prazo legal
para implantação da disposição final ambientalmente adequada dos
rejeitos (art. 47, II). Em sua redação original, a prática conhecida
como "lixão" deveria se encerrar em 2/8/2014. Posteriormente, o
art. 54 da Lei n. 12.305/2010 foi alterado pela Lei n. 14.026/2020,
conhecida por Marco Legal do Saneamento Básico, que conferiu aos
Municípios novo prazo para implementação da disposição final
ambientalmente adequada ao menos até 31/12/2020, podendo ainda ser
outra data posterior.
3. Diante de norma que elasteceu o prazo para implantação da
disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos e da vedação
de punição contida no art. 2º, parágrafo único, do Código Penal -
CP, forçoso concluir pela manutenção da rejeição da denúncia
embasada na hipótese normativa do art. 54, § 2º, V, da Lei n.
9.605/98, combinado com o art. 47, II, da Lei n. 12.305/10, de
Prefeito responsável por "lixão" no período de 3/4/2014 a 4/6/2017.
4. Agravo regimental desprovido.

## Dispositivo / resultado textual

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar
provimento ao agravo regimental.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Messod
Azulay Neto e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.

## Referências extraídas



**Limite documental:** Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.


## Navegação contextual


**Nota:** processos com a mesma classificação ou norma podem ter fatos, fundamentos e desfechos divergentes. Ato/andamento não prova vitória, derrota ou trânsito em julgado.
