# Registro público: STJ — 2422725

- **Origem:** stj
- **Órgão:** PRIMEIRA TURMA
- **Classe:** EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
- **Grau:** 
- **Data de julgamento:** 2024-12-09
- **Publicação:** 2025-01-28
- **Ajuizamento:** 
- **Página canônica da Wiki Jurídica:** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/80918/
- **Registro público original integral (JSON):** https://wikijuridica.com.br/casos/documento/80918.json
- **Fonte primária preservada:** STJ, dados abertos de acórdãos
- **SHA-256 da fonte preservada:** 80ed4e17a34509cad09599c67ee37b723bea0949143e1297c11fbd18ce65d357

## Questão jurídica conforme a ementa oficial

PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO DE IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N. 14.230/2021.
RESPONSABILIZAÇÃO POR DOLO GENÉRICO. REVOGAÇÃO. APLICAÇÃO IMEDIATA.
OMISSÃO RECONHECIDA. EFEITOS INFRINGENTES.

**Origem:** transcrição do STJ, sem tese jurídica inferida.

## Fundamentos documentados nos itens da ementa

- **Item 1 (texto oficial):** A questão jurídica referente à aplicação da Lei n. 14.230/2021 -
em especial, no tocante à necessidade da presença do elemento
subjetivo dolo para a configuração do ato de improbidade
administrativa e da aplicação dos novos prazos de prescrição geral e
intercorrente - teve a repercussão geral julgada pelo Supremo
Tribunal Federal (Tema 1.199 do STF).
- **Item 2 (texto oficial):** A despeito de ser reconhecida a irretroatividade da norma mais
benéfica advinda da Lei n. 14.230/2021, que revogou a modalidade
culposa do ato de improbidade administrativa, o STF autorizou a
aplicação da lei nova, quanto a tal aspecto, aos processos ainda não
cobertos pelo manto da coisa julgada.
- **Item 3 (texto oficial):** A Primeira Turma desta Corte Superior, no julgamento do AREsp
2.031.414/MG, em 9/5/2023, firmou a orientação de conferir
interpretação restritiva às hipóteses de aplicação retroativa da LIA
(com a redação da Lei n. 14.230/2021), adstrita aos atos ímprobos
culposos não transitados em julgado, de acordo com a tese 3 do Tema
1.199 do STF.
- **Item 4 (texto oficial):** Acontece que o STF, posteriormente, ampliou a abrangência do Tema
1.199/STF, a exemplo do que ocorreu no ARE 803568
AgR-segundo-EDv-ED, admitindo que a norma mais benéfica prevista na
Lei n. 14.230/2021, decorrente da revogação (naquele caso,
tratava-se de discussão sobre o art. 11 da LIA), poderia ser
aplicada aos processos em curso.
- **Item 5 (texto oficial):** Tal como aconteceu com a modalidade culposa e com os incisos I e
II do art. 11 da LIA (questões diretamente examinadas pelo STF), a
conduta ímproba escorada em dolo genérico (tema ainda não examinado
pelo Supremo) também foi revogada pela Lei n. 14.230/2021, pelo que
deve receber rigorosamente o mesmo tratamento. Nesse sentido: REsp
2107601/MG, rel. Min. GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe
02/05/2024.
- **Item 6 (texto oficial):** Sobre a questão da presença da identificação do dolo pela
instância de origem, existem três situações mais comuns que chegam a
esta Corte: a) a primeira diz respeito aos casos em que o juízo a
quo identifica a presença do elemento doloso, mas não explicita qual
a modalidade do dolo (se específico ou genérico); b) a segunda
hipótese se opera quando a decisão recorrida expressamente afirma
que o dolo é genérico, seja se limitando a concluir dessa maneira
(sem examinar a presença do dolo específico), seja afirmando
categoricamente que não está presente o dolo específico; c) o
terceiro caso é quando o julgado impugnado claramente fala que está
presente o dolo específico.
- **Item 7 (texto oficial):** Em cada um desses casos esta Corte deve adotar uma providência
diferente: 1) na hipótese do item "a", os autos devem ser devolvidos
à origem para que reexamine o caso e se manifeste expressamente
sobre a presença do dolo específico que, se não estiver presente,
deverá levar à improcedência do pedido; 2) no caso do item "b", não
há necessidade de retorno dos autos à instância originária, sendo
possível que o pedido seja julgado improcedente no próprio STJ,
porque ausente o elemento subjetivo especial necessário à
configuração do ato ímprobo; e 3) na situação do item "c", também
não há necessidade de devolver os autos ao juízo a quo, cabendo a
esta Corte entender presente o elemento subjetivo (pois a revisão da
questão esbarraria no óbice da Súmula 7 do STJ) e examinar os
demais pontos do recurso ou incidente processual em trâmite neste
Tribunal.
- **Item 8 (texto oficial):** No caso presente, o Tribunal de origem categoricamente entendeu
presente o dolo genérico, e, ainda assim, concluiu pela presença do
ato ímprobo, enquadrando-se na hipótese do item "2".
- **Item 9 (texto oficial):** Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes.

## Ementa

PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO DE IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N. 14.230/2021.
RESPONSABILIZAÇÃO POR DOLO GENÉRICO. REVOGAÇÃO. APLICAÇÃO IMEDIATA.
OMISSÃO RECONHECIDA. EFEITOS INFRINGENTES.
1. A questão jurídica referente à aplicação da Lei n. 14.230/2021 -
em especial, no tocante à necessidade da presença do elemento
subjetivo dolo para a configuração do ato de improbidade
administrativa e da aplicação dos novos prazos de prescrição geral e
intercorrente - teve a repercussão geral julgada pelo Supremo
Tribunal Federal (Tema 1.199 do STF).
2. A despeito de ser reconhecida a irretroatividade da norma mais
benéfica advinda da Lei n. 14.230/2021, que revogou a modalidade
culposa do ato de improbidade administrativa, o STF autorizou a
aplicação da lei nova, quanto a tal aspecto, aos processos ainda não
cobertos pelo manto da coisa julgada.
3. A Primeira Turma desta Corte Superior, no julgamento do AREsp
2.031.414/MG, em 9/5/2023, firmou a orientação de conferir
interpretação restritiva às hipóteses de aplicação retroativa da LIA
(com a redação da Lei n. 14.230/2021), adstrita aos atos ímprobos
culposos não transitados em julgado, de acordo com a tese 3 do Tema
1.199 do STF.
4. Acontece que o STF, posteriormente, ampliou a abrangência do Tema
1.199/STF, a exemplo do que ocorreu no ARE 803568
AgR-segundo-EDv-ED, admitindo que a norma mais benéfica prevista na
Lei n. 14.230/2021, decorrente da revogação (naquele caso,
tratava-se de discussão sobre o art. 11 da LIA), poderia ser
aplicada aos processos em curso.
5. Tal como aconteceu com a modalidade culposa e com os incisos I e
II do art. 11 da LIA (questões diretamente examinadas pelo STF), a
conduta ímproba escorada em dolo genérico (tema ainda não examinado
pelo Supremo) também foi revogada pela Lei n. 14.230/2021, pelo que
deve receber rigorosamente o mesmo tratamento. Nesse sentido: REsp
2107601/MG, rel. Min. GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe
02/05/2024.
6. Sobre a questão da presença da identificação do dolo pela
instância de origem, existem três situações mais comuns que chegam a
esta Corte: a) a primeira diz respeito aos casos em que o juízo a
quo identifica a presença do elemento doloso, mas não explicita qual
a modalidade do dolo (se específico ou genérico); b) a segunda
hipótese se opera quando a decisão recorrida expressamente afirma
que o dolo é genérico, seja se limitando a concluir dessa maneira
(sem examinar a presença do dolo específico), seja afirmando
categoricamente que não está presente o dolo específico; c) o
terceiro caso é quando o julgado impugnado claramente fala que está
presente o dolo específico.
7. Em cada um desses casos esta Corte deve adotar uma providência
diferente: 1) na hipótese do item "a", os autos devem ser devolvidos
à origem para que reexamine o caso e se manifeste expressamente
sobre a presença do dolo específico que, se não estiver presente,
deverá levar à improcedência do pedido; 2) no caso do item "b", não
há necessidade de retorno dos autos à instância originária, sendo
possível que o pedido seja julgado improcedente no próprio STJ,
porque ausente o elemento subjetivo especial necessário à
configuração do ato ímprobo; e 3) na situação do item "c", também
não há necessidade de devolver os autos ao juízo a quo, cabendo a
esta Corte entender presente o elemento subjetivo (pois a revisão da
questão esbarraria no óbice da Súmula 7 do STJ) e examinar os
demais pontos do recurso ou incidente processual em trâmite neste
Tribunal.
8. No caso presente, o Tribunal de origem categoricamente entendeu
presente o dolo genérico, e, ainda assim, concluiu pela presença do
ato ímprobo, enquadrando-se na hipótese do item "2".
9. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes.

## Dispositivo / resultado textual

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA, por unanimidade,
acolher os embargos de declaração, com efeitos modificativos, nos
termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena
Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues.

## Referências extraídas



**Limite documental:** Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.


## Navegação contextual


**Nota:** processos com a mesma classificação ou norma podem ter fatos, fundamentos e desfechos divergentes. Ato/andamento não prova vitória, derrota ou trânsito em julgado.
