{"schema":"wiki.casos-public-original.v1","id":86046,"origem":"stj","sha256_origem":"2da508b36ebba124cec5a671051c81b84fbded39db3bae550e9f2e9ca4f0cf2c","registro_original":{"id_fonte":"000900339","tribunal":"STJ","orgao_julgador":"QUINTA TURMA","classe":"AgRg no HC","classe_descricao":"AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS","numero_processo":"977614","numero_registro":"202500257087","relator":"REYNALDO SOARES DA FONSECA","data_julgamento":"2025-02-18","data_publicacao":"2025-02-26","tipo_decisao":"ACÓRDÃO","ementa":"AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NEGATIVA DE\nAUTORIA. PLEITO DE DESCLASSIFICAÇÃO PARA O CRIME DE POSSE DE DROGAS\nPARA USO PESSOAL. REEXAME DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO. INADEQUAÇÃO\nDA VIA ELEITA. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. GRAVIDADE\nCONCRETA. INDÍCIOS DE ENVOLVIMENTO COM ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA.\nREITERAÇÃO DELITIVA. RÉU REINCIDENTE. CONDIÇÕES PESSOAIS FAVORÁVEIS.\nIRRELEVÂNCIA. MEDIDAS CAUTELARES ALTERNATIVAS. INSUFICIÊNCIA.\nAGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.\n1. Trata-se de agravo regimental interposto contra decisão desta\nrelatoria que denegou a ordem no habeas corpus, mantendo a prisão\npreventiva do agravante, acusado da suposta prática do crime\nprevisto no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006.\n2. As teses de negativa de autoria e de que a droga apreendida se\ndestinava a consumo próprio demandam exame aprofundado do conjunto\nfático-probatório, o que é inviável na via estreita do habeas\ncorpus. Assim, as provas dos autos devem ser apreciadas durante a\ninstrução criminal, sob o crivo do contraditório, não sendo esta a\nvia adequada para a sua revisão.\n3. Com efeito, segundo o STF, \"não se admite no habeas corpus a\nanálise aprofundada de fatos e provas, a fim de se verificar a\ninocência do Paciente\" (HC n. 115.116/RJ, Relatora Ministra CÁRMEN\nLÚCIA, Segunda Turma, julgado em 16/09/2014, DJe 17/11/2014).\n4. No caso, a prisão está devidamente fundamentada na necessidade de\ngarantir a ordem pública, tendo em vista a gravidade concreta da\nconduta, pois, embora a quantidade de droga não seja expressiva, a\napreensão ocorreu em local vinculado à organização criminosa\nPrimeiro Comando da Capital (PCC), indicando a inserção do agravante\nem um contexto de tráfico de drogas. Além disso, o agravante é\nreincidente específico, ostentando condenação definitiva pelo crime\nde tráfico de drogas.\n5. Nos termos da jurisprudência desta Corte, \"o suposto envolvimento\ndo agente com organização criminosa revela sua periculosidade, o\nque justifica a prisão preventiva como forma de garantir a ordem\npública\" (AgRg no HC n. 732.928/PR, relator Ministro João Otávio de\nNoronha, Quinta Turma, julgado em 24/5/2022, DJe de 27/5/2022).\n6. Ademais, \"como sedimentado em farta jurisprudência desta Corte,\nmaus antecedentes, reincidência ou até mesmo outras ações penais ou\ninquéritos em curso justificam a imposição de segregação cautelar\ncomo forma de evitar a reiteração delitiva e, assim, garantir a\nordem pública\" (RHC n. 156.048/SC, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA\nPALHEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 15/02/2022, DJe 18/02/2022).\n7. Eventuais condições subjetivas favoráveis, tais como\nprimariedade, residência fixa e trabalho lícito, por si sós, não\nobstam a segregação cautelar, quando presentes os requisitos legais\npara a decretação da prisão preventiva.\n8. Ademais, as circunstâncias que envolvem o fato demonstram que\noutras medidas previstas no art. 319 do Código de Processo Penal são\ninsuficientes para a consecução do efeito almejado. Ou seja, tendo\nsido exposta de forma fundamentada e concreta a necessidade da\nprisão, revela-se incabível sua substituição por outras medidas\ncautelares mais brandas.\n9. Agravo regimental desprovido.","dispositivo":"Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima\nindicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar\nprovimento ao agravo regimental.\nOs Srs. Ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay\nNeto e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator.\nPresidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.","inteiro_teor":"","inteiro_teor_url":"","dispositivos_citados_urn":["urn:lex:br:federal:decreto.lei:1941-10-03;3689!art312"],"sumulas_citadas":[],"referencias_legislativas_brutas":["LEG:FED DEL:003689 ANO:1941\n*****  CPP-41    CÓDIGO DE PROCESSO PENAL\n        ART:00312"],"jurisprudencia_citada":"(HABEAS CORPUS - AUTORIA E MATERIALIDADE DELITIVA - REEXAME\nFÁTICO-PROBATÓRIO)\n   STJ - <<RHC 119441>>-CE, <<AgRg no RHC 198668>>-MG,\n         <<AgRg no HC 818536>>-RJ\n   STF - [[HC 115116]]-RJ\n(PRISÃO PREVENTIVA - ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA - PERICULOSIDADE -\nGARANTIA DA ORDEM PÚBLICA)\n   STJ - <<AgRg no HC 732928>>-PR, <<AgRg no HC 948676>>-RS,\n         <<AgRg no HC 876153>>-SC\n(PRISÃO PREVENTIVA - MAUS ANTECEDENTES - AÇÕES PENAIS OU INQUÉRITOS\nEM CURSO)\n   STJ - <<RHC 156048>>-SC\n(PRISÃO DOMICILIAR - PAI DE MENOR DE 12 ANOS - IMPRESCINDIBILIDADE\nDOS CUIDADOS - COMPROVAÇÃO)\n   STJ - <<HC 485740>>-SP","tema":"","fonte_url":"https://dadosabertos.web.stj.jus.br/dataset/b79a7764-5c86-4530-9b6b-18cf60e2f38f/resource/1d6fe8d8-64b4-4c3b-bf34-acc5f4d6e063/download/20250228.json","coletado_em":"2026-09-18T12:46:26Z","sha256_conteudo":"6e164db0ee6ffd59959fc0edd626f89c4d60dbb017a773e518c951f2b2943d0f","base_legal":"Lei 9.610/98 art. 8o, IV; CPC art. 189; dataset STJ sob Creative Commons Atribuicao","nivel_sigilo":null},"registro_original_integral":true,"campos_identificadores_removidos":[],"formato_caminhos_removidos":"JSON Pointer"}
