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# Publi não paga: caminhos para o criador cobrar a marca inadimplente

Por Rafael Toledo, OAB/RJ 227191 · revisado em 2026-08-26

O vídeo foi gravado, editado e publicado dentro do prazo combinado. A marca aprovou o conteúdo antes da postagem, o público engajou normalmente — e, mesmo assim, o pagamento nunca chega. Diferente dos problemas que envolvem a própria plataforma, aqui o conflito é direto entre duas partes de um contrato: o criador que prestou o serviço de publicidade e a marca que se comprometeu a pagar por ele.

## Por que a ausência de contrato escrito não impede a cobrança

Muitos acordos de publicidade com influenciadores são fechados por troca de mensagens, sem contrato formal assinado. O [art. 107](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art107) do [Código Civil](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm) dispensa forma especial para a validade da declaração de vontade, salvo quando a lei expressamente a exigir — o que não é o caso da prestação de serviço publicitário. Isso não elimina a existência da obrigação: o conjunto de mensagens que definiu escopo, valor e prazo já forma prova de que houve ajuste entre as partes. Uma vez entregue o serviço combinado, nasce o direito ao pagamento, e o não cumprimento da obrigação de pagar, no prazo ou nas condições acertadas, atrai a regra do [art. 389](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art389) do [Código Civil](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm), segundo a qual o devedor responde por perdas e danos quando não cumpre o que deve.

Imagine uma criadora de conteúdo de moda que fecha, por WhatsApp, uma publi de três vídeos para uma marca de roupas, com valor e prazo de pagamento definidos na própria conversa. Ela entrega os três vídeos dentro do prazo, a marca aprova o material e agradece publicamente na própria rede social — mas o pagamento, previsto para trinta dias após a publicação, simplesmente não acontece. A conversa de WhatsApp, nesse caso, já é prova suficiente do que foi combinado.

## Juros e correção sobre o valor em atraso

Enquanto o pagamento não é feito, o valor devido se atualiza. Pelo [art. 395](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art395) do [Código Civil](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm), quem retarda o pagamento arca com os prejuízos que o próprio atraso provoca — juros e atualização monetária entram nessa conta —, e o art. 406 do mesmo código estabelece a taxa legal de juros aplicável quando as partes não fixaram percentual diferente em contrato. Na prática, isso significa que o criador pode cobrar não apenas o valor original combinado, mas também os acréscimos decorrentes do tempo em que a marca deixou de pagar.

## Provas que sustentam a cobrança

- Troca de mensagens que definiu escopo, valor e prazo de pagamento;
- Comprovante de publicação do conteúdo dentro do combinado;
- Aprovação prévia da marca sobre o material, quando existir;
- Nota fiscal ou recibo emitido, se o criador for formalizado como pessoa jurídica.

Quanto mais clara a demonstração de que o serviço foi entregue exatamente como acordado, mais direto fica o pedido de cobrança, sem necessidade de discutir a qualidade do trabalho prestado.

## Notificação extrajudicial antes de ir à Justiça

Enviar notificação formal — por e-mail, com confirmação de leitura, ou por carta com aviso de recebimento — cobrando o valor em aberto e fixando prazo para pagamento costuma ser o passo que antecede a ação judicial. Além de formalizar a mora de forma inequívoca, essa notificação frequentemente resolve o problema sem necessidade de processo, porque empresas evitam o desgaste de uma cobrança judicial documentada.

Se nem assim o valor sai, a cobrança pode ser ajuizada no Juizado Especial Cível, que a [Lei nº 9.099/1995](https://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:federal:lei:1995-09-26;9099) reserva às causas de até quarenta salários mínimos (art. 3º, I), com dispensa de advogado até o limite de vinte (art. 9º); publis de valor mais alto seguem para a vara cível, pelo procedimento comum. Nos dois cenários, a conversa que fechou o acordo e o comprovante de publicação continuam funcionando como núcleo da prova do ajuste.

## Quando a cobrança pode esbarrar em resistência legítima

Se o conteúdo entregue divergiu do briefing combinado, foi publicado fora do prazo sem justificativa, ou violou regra contratual expressa sobre exclusividade com concorrentes, a marca pode ter argumento para reter o pagamento total ou parcial. A força da cobrança depende de o criador demonstrar que cumpriu exatamente o que foi pedido, e não apenas que produziu algum conteúdo relacionado à marca.

## Prazo para cobrar antes que prescreva

A pretensão de cobrança de dívida líquida decorrente de instrumento particular, incluindo troca de mensagens que comprove o ajuste, prescreve em cinco anos, conforme o [art. 206, § 5º, inciso I](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art206), do [Código Civil](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm), contado do vencimento da obrigação de pagar. Esperar demais para cobrar também dificulta a prova: quanto mais tempo passa, maior o risco de perder acesso ao histórico de conversas ou de a marca alegar desconhecimento do ajuste original.

## Perguntas frequentes

### É possível cobrar mesmo sem nota fiscal emitida?

Sim, a ausência de nota fiscal não invalida a cobrança civil do valor combinado, embora possa gerar questionamento tributário à parte; o essencial para a cobrança é comprovar o ajuste e a entrega do serviço.

## Proveniência

- [Código Civil (Lei nº 10.406/2002), arts. 107, 389, 395, 406 e 206, § 5º, I](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm) — verificado em 2026-07-14 · texto compilado, com as alterações posteriores incorporadas, conferido em 2026-08-12 · Fonte oficial usada como referência e proveniência.
- [Lei nº 9.099/1995 (Juizados Especiais Cíveis), arts. 3º, I, e 9º](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9099.htm) — verificado em 2026-07-15 · texto conforme publicado; o Planalto não oferece versão compilada desta norma, conferido em 2026-08-12 · Fonte oficial usada como referência e proveniência.
  - Sustenta nesta página: delimita a alçada de quarenta salários mínimos do Juizado Especial Cível e a dispensa de advogado até o teto de vinte, citadas ao indicar onde ajuizar a cobrança

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Conteúdo informativo; não substitui a análise individual de um advogado sobre o seu caso.

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Conteúdo de autoria de Rafael Toledo, advogado responsável técnico pela publicação, elaborado a partir de fontes oficiais verificadas e citadas.

## Como citar esta página

Rafael Toledo, OAB/RJ 227191. Publi não paga: caminhos para o criador cobrar a marca inadimplente. Wiki Jurídica. 2026-08-26. https://wikijuridica.com.br/digital/publi-influenciador-marca-nao-pagou/

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