STJ — 1877011
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Ementa
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. INADIMPLEMENTO
CONTRATUAL. PRAZO PRESCRICIONAL DECENAL. TERMO INICIAL. TEORIA DA
ACTIO NATA. REVISÃO DAS P REMISSAS FÁTICAS ESTABELECIDAS PELO
TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE. ÓBICE DA SÚMULA N. 7/STJ.
RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO,
DESPROVIDO.
1. O Superior Tribunal de Justiça caminha no sentido de
que " o prazo trienal a que alude o art. 206, § 3º, V, do Código
Civil somente é aplicável às pretensões indenizatórias decorrentes
de responsabilidade civil extracontratual - inobservância do dever
geral de não lesar -, não alcançando as pretensões reparatórias
resultantes do inadimplemento de obrigações contratuais" (REsp n.
2.208.185/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, julgado em 23/6/2025, DJEN de 26/6/2025).
2. Quanto ao termo
inicial da prescrição, este Superior Tribunal de Justiça possui
firme entendimento no sentido de que, em conformidade com o
princípio da actio nata, o termo inicial da prescrição ocorre a
partir da ciência inequívoca da lesão ao direito subjetivo.
Precedentes.
3. No caso, o Tribunal de origem, com base nos fatos e
provas dos autos, assim como no estudo do contrato em destaque,
entendeu que, mesmo aplicando o prazo decenal, a pretensão permanece
fulminada pela prescrição, haja vista que seu termo inicial se dá
com o registro da escritura pública ter ocorrido em 2002.
4. Rever
as premissas fáticas e a conclusão da Corte local, na via do recurso
especial, esbarra no óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de
simples reexame de prova não enseja recurso especial").
5 Recurso
especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, desprovido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de
Justiça, em Sessão Virtual de 11/09/2025 a 17/09/2025, por
unanimidade, conhecer parcialmente do recurso, mas lhe negar
provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Teodoro Silva
Santos.
Os Srs. Ministros Afrânio Vilela, Francisco Falcão, Maria
Thereza de Assis Moura e Marco Aurélio Bellizze votaram com o Sr.
Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio
Vilela.