STJ — 2970344
Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: 18f4b36a270443b94c3ca6ee7acd58a49c755eeb230289890ee4133029b51bc0
Origem do registro no STJ
Conjunto de dados oficial do STJ
- Identificador na fonte
- 1437017
- Número de registro na fonte
- 202502288493
- Coleta informada no registro
- 2026-09-19T12:58:02Z
Registro público original completo (JSON)
Quadro documental do acórdão — seções literais do STJ
Transcrição dos títulos e fundamentos expressamente delimitados na ementa oficial, sem síntese ou tese criada por IA.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que
conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial em ação
penal relativa a organização criminosa, tráfico de drogas e delitos
conexos.
2. A agravante sustenta, em síntese: (i) ocorrência de ação
controlada ilegal, realizada por 22 dias sem autorização judicial,
em violação ao art. 53, II e parágrafo único, da Lei n. 11.343/2006,
o que contaminaria toda a prova colhida; (ii) quebra da cadeia de
custódia de celulares apreendidos, por terem sido encaminhados à
perícia sem lacre; e (iii) impossibilidade de aplicação da causa de
aumento de pena pelo emprego de arma de fogo (art. 2º, § 2º, da Lei
n. 12.850/2013), em razão de absolvição quanto às armas apreendidas
em determinado condomínio, da apreensão de apenas uma munição em sua
residência e de alegado bis in idem com a condenação pelo art. 12
da Lei n. 10.826/2003.
3. A decisão ora submetida a exame manteve o não conhecimento do
recurso especial, pelos mesmos fundamentos anteriormente expendidos,
notadamente a incidência da Súmula n. 7/STJ e a ausência de
impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada.
II. Questão em discussão
4. Há três questões em discussão: (i) saber se a investigação
preliminar, com campanas e monitoramento por 22 dias antes da
deflagração da operação policial, configurou ação controlada
realizada sem prévia autorização judicial, em afronta ao art. 53 da
Lei n. 11.343/2006, a justificar a nulidade das provas produzidas;
(ii) saber se o encaminhamento de aparelhos celulares à perícia sem
lacre caracteriza quebra da cadeia de custódia (arts. 158-A a 158-F
do CPP) e torna imprestáveis as provas extraídas, independentemente
de demonstração concreta de adulteração ou manipulação; (iii) saber
se é possível a incidência da causa de aumento de pena pelo emprego
de arma de fogo prevista no art. 2º, § 2º, da Lei n. 12.850/2013, em
relação à integrante de organização criminosa absolvida quanto às
armas apreendidas em determinado local e condenada apenas por posse
de munição em sua residência, bem como se essa majorante configura
bis in idem em face da condenação pelo art. 12 da Lei n.
10.826/2003, à luz da necessidade de impugnação específica dos
fundamentos da decisão agravada (Súmula n. 182/STJ) e do óbice ao
revolvimento fático-probatório (Súmula n. 7/STJ).
III. Razões de decidir
5. A distinção entre investigação preliminar (campanas,
monitoramentos, levantamentos de campo) e ação controlada sujeita à
autorização judicial (art. 53 da Lei n. 11.343/2006) foi apreciada
pelas instâncias ordinárias, que concluíram, com base no acervo
probatório, tratar-se de investigação prévia ordinária, e não de
ação controlada, de modo que a pretensão de requalificar a atuação
policial demanda reexame de provas, vedado pela Súmula n. 7/STJ.
6. O mero monitoramento policial, ainda que prolongado, sem
deliberada postergação de flagrante já configurado para ampliar a
investigação, não caracteriza ação controlada, não havendo nulidade
por suposta ausência de autorização judicial.
7. A alegada quebra da cadeia de custódia, em razão do envio de
celulares à perícia sem lacres, não foi acompanhada de demonstração
concreta de adulteração, substituição ou manipulação do conteúdo,
limitando-se a agravante a invocar irregularidade formal, em
contrariedade à jurisprudência consolidada do STJ que exige
comprovação de prejuízo para o reconhecimento de nulidade.
8. O sistema processual penal adota o princípio pas de nullité sans
grief (art. 563 do CPP), de modo que a ausência de lacre,
desacompanhada de prova ou indício específico de comprometimento do
material probatório, não conduz à nulidade das provas periciais
extraídas dos aparelhos apreendidos.
9. A causa de aumento de pena pelo emprego de arma de fogo, no crime
de organização criminosa, constitui circunstância objetiva ligada
ao modus operandi do grupo criminoso, comunicável a todos os
coautores, independentemente de porte ou uso pessoal de armamento
por cada integrante, conforme art. 2º, § 2º, da Lei n. 12.850/2013 e
jurisprudência pacífica desta Corte.
10. A condenação pelo art. 12 da Lei n. 10.826/2003 decorre de
conduta autônoma (posse de munição na residência da agravante),
distinta da circunstância objetiva de que a organização criminosa
atuava armada, de sorte que não há identidade fática entre os
fundamentos das reprimendas e, por conseguinte, não se configura bis
in idem.
11. A pretensão de afastar a majorante do art. 2º, § 2º, da Lei n.
12.850/2013 exigiria reanálise da suficiência e da valoração do
conjunto probatório produzido nas instâncias ordinárias, providência
obstada pela Súmula n. 7/STJ.
IV. Dispositivo
Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido, mantida a
decisão que conheceu do agravo para não conhecer do recurso
especial.
Dispositivos relevantes citados: Lei n. 11.343/2006, art. 53, II e
parágrafo único; CPP, arts. 158-A a 158-F e 563; Lei n. 12.850/2013,
art. 2º, § 2º; Lei n. 10.826/2003, art. 12; CPC/1973, art. 545;
Súmula n. 7/STJ; Súmula n. 182/STJ.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp n. 3.039.158/SC,
Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, j. 17.12.2025, DJEN
22.12.2025; STJ, AgRg no REsp n. 2.151.112/PR, Quinta Turma, j.
05.08.2025, DJEN 14.08.2025; STJ, AgRg no HC n. 804.533/PE, Quinta
Turma, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe 17.03.2023; STJ,
AgRg no HC n. 659.003/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Rogerio Schietti
Cruz, DJe 30.03.2023.
Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL.
ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. INVESTIGAÇÃO PRELIMINAR. AÇÃO CONTROLADA.
CADEIA DE CUSTÓDIA. EMPREGO DE ARMA DE FOGO. CAUSA DE AUMENTO DE
PENA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que
conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial em ação
penal relativa a organização criminosa, tráfico de drogas e delitos
conexos.
2. A agravante sustenta, em síntese: (i) ocorrência de ação
controlada ilegal, realizada por 22 dias sem autorização judicial,
em violação ao art. 53, II e parágrafo único, da Lei n. 11.343/2006,
o que contaminaria toda a prova colhida; (ii) quebra da cadeia de
custódia de celulares apreendidos, por terem sido encaminhados à
perícia sem lacre; e (iii) impossibilidade de aplicação da causa de
aumento de pena pelo emprego de arma de fogo (art. 2º, § 2º, da Lei
n. 12.850/2013), em razão de absolvição quanto às armas apreendidas
em determinado condomínio, da apreensão de apenas uma munição em sua
residência e de alegado bis in idem com a condenação pelo art. 12
da Lei n. 10.826/2003.
3. A decisão ora submetida a exame manteve o não conhecimento do
recurso especial, pelos mesmos fundamentos anteriormente expendidos,
notadamente a incidência da Súmula n. 7/STJ e a ausência de
impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada.
II. Questão em discussão
4. Há três questões em discussão: (i) saber se a investigação
preliminar, com campanas e monitoramento por 22 dias antes da
deflagração da operação policial, configurou ação controlada
realizada sem prévia autorização judicial, em afronta ao art. 53 da
Lei n. 11.343/2006, a justificar a nulidade das provas produzidas;
(ii) saber se o encaminhamento de aparelhos celulares à perícia sem
lacre caracteriza quebra da cadeia de custódia (arts. 158-A a 158-F
do CPP) e torna imprestáveis as provas extraídas, independentemente
de demonstração concreta de adulteração ou manipulação; (iii) saber
se é possível a incidência da causa de aumento de pena pelo emprego
de arma de fogo prevista no art. 2º, § 2º, da Lei n. 12.850/2013, em
relação à integrante de organização criminosa absolvida quanto às
armas apreendidas em determinado local e condenada apenas por posse
de munição em sua residência, bem como se essa majorante configura
bis in idem em face da condenação pelo art. 12 da Lei n.
10.826/2003, à luz da necessidade de impugnação específica dos
fundamentos da decisão agravada (Súmula n. 182/STJ) e do óbice ao
revolvimento fático-probatório (Súmula n. 7/STJ).
III. Razões de decidir
5. A distinção entre investigação preliminar (campanas,
monitoramentos, levantamentos de campo) e ação controlada sujeita à
autorização judicial (art. 53 da Lei n. 11.343/2006) foi apreciada
pelas instâncias ordinárias, que concluíram, com base no acervo
probatório, tratar-se de investigação prévia ordinária, e não de
ação controlada, de modo que a pretensão de requalificar a atuação
policial demanda reexame de provas, vedado pela Súmula n. 7/STJ.
6. O mero monitoramento policial, ainda que prolongado, sem
deliberada postergação de flagrante já configurado para ampliar a
investigação, não caracteriza ação controlada, não havendo nulidade
por suposta ausência de autorização judicial.
7. A alegada quebra da cadeia de custódia, em razão do envio de
celulares à perícia sem lacres, não foi acompanhada de demonstração
concreta de adulteração, substituição ou manipulação do conteúdo,
limitando-se a agravante a invocar irregularidade formal, em
contrariedade à jurisprudência consolidada do STJ que exige
comprovação de prejuízo para o reconhecimento de nulidade.
8. O sistema processual penal adota o princípio pas de nullité sans
grief (art. 563 do CPP), de modo que a ausência de lacre,
desacompanhada de prova ou indício específico de comprometimento do
material probatório, não conduz à nulidade das provas periciais
extraídas dos aparelhos apreendidos.
9. A causa de aumento de pena pelo emprego de arma de fogo, no crime
de organização criminosa, constitui circunstância objetiva ligada
ao modus operandi do grupo criminoso, comunicável a todos os
coautores, independentemente de porte ou uso pessoal de armamento
por cada integrante, conforme art. 2º, § 2º, da Lei n. 12.850/2013 e
jurisprudência pacífica desta Corte.
10. A condenação pelo art. 12 da Lei n. 10.826/2003 decorre de
conduta autônoma (posse de munição na residência da agravante),
distinta da circunstância objetiva de que a organização criminosa
atuava armada, de sorte que não há identidade fática entre os
fundamentos das reprimendas e, por conseguinte, não se configura bis
in idem.
11. A pretensão de afastar a majorante do art. 2º, § 2º, da Lei n.
12.850/2013 exigiria reanálise da suficiência e da valoração do
conjunto probatório produzido nas instâncias ordinárias, providência
obstada pela Súmula n. 7/STJ.
IV. Dispositivo
Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido, mantida a
decisão que conheceu do agravo para não conhecer do recurso
especial.
Dispositivos relevantes citados: Lei n. 11.343/2006, art. 53, II e
parágrafo único; CPP, arts. 158-A a 158-F e 563; Lei n. 12.850/2013,
art. 2º, § 2º; Lei n. 10.826/2003, art. 12; CPC/1973, art. 545;
Súmula n. 7/STJ; Súmula n. 182/STJ.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp n. 3.039.158/SC,
Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, j. 17.12.2025, DJEN
22.12.2025; STJ, AgRg no REsp n. 2.151.112/PR, Quinta Turma, j.
05.08.2025, DJEN 14.08.2025; STJ, AgRg no HC n. 804.533/PE, Quinta
Turma, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe 17.03.2023; STJ,
AgRg no HC n. 659.003/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Rogerio Schietti
Cruz, DJe 30.03.2023.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao
agravo regimental.
Os Srs. Ministros Maria Marluce Caldas, Ribeiro Dantas e Joel Ilan
Paciornik votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Maria Marluce Caldas.
Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Reynaldo Soares da
Fonseca.
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.
Relações com outros documentos
As relações com outros casos e textos estão temporariamente indisponíveis. A consulta não foi concluída; isso não significa que não existam relações.
Comentário de Rafael Toledo
Análise autoral de leitura documental, separada do teor oficial.
Neste registro, o processo 2970344 no STJ está identificado por “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL”. Esse é o dado documental disponível para orientar a leitura. O campo de assunto não está informado nesta representação, de modo que não o completo por aproximação com outros processos.
O órgão indicado é “QUINTA TURMA”. Esse vínculo permite localizar a unidade registrada e acompanhar seus atos. A identificação do órgão não informa, por si, o conteúdo de uma decisão ou o acolhimento de um pedido.
A ementa deste acórdão organiza a exposição em “I. Caso em exame”; “II. Questão em discussão”; “III. Razões de decidir”. Essa estrutura permite separar a questão apresentada, a fundamentação descrita e o dispositivo. Um trecho isolado precisa ser confrontado com as demais seções do mesmo acórdão.
O registro disponível não contém o inteiro teor do voto. Por isso, este comentário se limita à organização da fonte publicada; argumentos, fatos ou ressalvas ausentes não são reconstruídos como se fossem afirmações do tribunal.
Fonte oficial que sustenta este comentário
Identidade e proveniência do comentário
Autoria: Rafael Toledo. Versão: 2026-10-22.1. SHA-256 da fonte:
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