STJ — 240857
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Ementa
PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS
CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. INÉPCIA
PARCIAL DA DENÚNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. REQUISITOS DO ART. 41 DO CÓDIGO
DE PROCESSO PENAL. NÚCLEO MÍNIMO DE COGNOSCIBILIDADE. CRIMES CONTRA
A DIGNIDADE SEXUAL. INDIVIDUALIZAÇÃO EXAURIENTE DAS CIRCUNSTÂNCIAS.
DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. ARTS. 396 E 396-A DO CÓDIGO
DE PROCESSO PENAL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. NULIDADE DA DECISÃO
SANEADORA. NÃO CONFIGURAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. O trancamento da ação penal, pela via do habeas corpus, constitui
medida excepcional, cabível apenas quando demonstradas, de plano e
sem necessidade de dilação probatória, a atipicidade da conduta, a
ausência de indícios mínimos de autoria ou materialidade, a
incidência de causa extintiva da punibilidade ou a manifesta inépcia
da denúncia.
2. A denúncia atende aos requisitos do art. 41 do Código de Processo
Penal quando contém elementos mínimos capazes de permitir a
compreensão da imputação e o exercício da defesa, não sendo exigida
descrição exaustiva ou minudente de todas as circunstâncias dos
fatos.
3. A ausência de indicação pormenorizada de datas, horários ou
circunstâncias específicas de todos os episódios imputados não
caracteriza, por si só, inépcia da denúncia, sobretudo em apuração
de crimes contra a dignidade sexual, cuja dinâmica frequentemente se
desenvolve sem testemunhas presenciais e em contexto de
clandestinidade. A maior delimitação fática, quando necessária, deve
ser aferida no curso da instrução, sob o crivo do contraditório.
4. Não há omissão quanto à alegação de cerceamento de defesa fundada
nos arts. 396 e 396-A do Código de Processo Penal quando a decisão
agravada afasta expressamente a inépcia da denúncia e assenta que a
defesa poderá exercer, no curso da ação penal, os meios processuais
pertinentes para impugnar a imputação e requerer providências
probatórias cabíveis.
5. A rejeição da tese defensiva pela instância de origem, mediante
fundamentação que reconhece a suficiência da denúncia e a
necessidade de instrução probatória, não se confunde com ausência de
fundamentação da decisão saneadora.
6. Agravo regimental não provido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao
agravo regimental.
Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay
Neto e Maria Marluce Caldas votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.