STJ — 2859739
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Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL EM CONTINUIDADE DELITIVA. RECURSO DO
MINISTÉRIO PÚBLICO PARA RECONHECIMENTO DA CONTINUIDADE DELITIVA
ESPECÍFICA. IMPOSSIBILIDADE. VIOLÊNCIA PRESUMIDA. RECURSO IMPROVIDO.
1. A decisão monocrática deve ser mantida pelos seus próprios
fundamentos.
2. Esta Corte Superior entende que "a violência de que trata a
continuidade delitiva especial (art. 71, parágrafo único, do Código
Penal) é real, sendo inviável aplicar limites mais gravosos do
benefício penal da continuidade delitiva com base, exclusivamente,
na ficção jurídica de violência do legislador utilizada para criar o
tipo penal de estupro de vulnerável, se efetivamente a conjunção
carnal ou ato libidinoso executado contra vulnerável foi desprovido
de qualquer violência real (PET no REsp n. 1.659.662/CE, relator
Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 11/5/2021, DJe de
14/5/2021)" (AgRg no AREsp n. 2.165.385/MG, relator Ministro
Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 5/9/2023, DJe
de 8/9/2023).
3. No presente caso, não foi demonstrada a existência de violência
real, sendo, portanto, inviável o reconhecimento da continuidade
delitiva específica.
4. Recurso desprovido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma, por unanimidade,
negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado
do TJSP), Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior e Rogerio Schietti
Cruz votaram com o Sr. Ministro Relator.