STJ — 900489
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Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS.
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ELEITORAL. NULIDADE DE ATOS PROCESSUAIS.
AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. A Justiça Eleitoral é competente para processar e julgar crimes
eleitorais e crimes comuns conexos, conforme entendimento pacífico
do STF e STJ. No caso em análise, não há nos autos qualquer indício
objetivo da prática de crime eleitoral conexo que determine o
afastamento da competência da Justiça Comum.
2. Ao longo da instrução penal, em nenhum momento foi feita
referência à prática de crime de competência da Justiça Eleitoral,
de modo a atrair a competência especializada. Pelo contrário, a
prestação de contas da campanha do paciente para o cargo de prefeito
nas eleições de 2012 foi aprovada. Tanto não havia prova de conexão
com crime eleitoral, que a defesa em momento algum arguiu a
competência da justiça especializada, apesar de ter arguido a
competência da Justiça Federal, que foi afastada.
3. Não se coaduna com a boa-fé processual - e não afasta o instituto
da preclusão ou a ocorrência de nulidade de algibeira - a arguição
da competência da Justiça Eleitoral cinco anos após o trânsito em
julgado da condenação. Conforme consta no voto-vogal do
Desembargador Willian Silva no julgamento na origem, é "inédita
situação à qual chegamos: a anulação de uma condenação é buscada por
meio da aparente confissão, pelo condenado, de outros crimes, como
se dá com a insistência na demonstração de que, segundo a própria
defesa, teria havido omissão na prestação de contas de campanha"
(fl. 1323).
4. Agravo Regimental não provido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal
de Justiça, em Sessão Virtual de 25/06/2025 a 01/07/2025, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Messod
Azulay Neto e Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado
TJRS) votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.