STJ — 870673
Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: 1db12ac1d6803d8dcc0a473fa6952c805c9f38e0d5bdc6152d44656ba1a1d788
Registro público original completo (JSON)
Quadro documental do acórdão — seções literais do STJ
Transcrição dos títulos e fundamentos expressamente delimitados na ementa oficial, sem síntese ou tese criada por IA.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto pelo Ministério Público Federal
contra decisão monocrática que concedeu ordem de habeas corpus,
absolvendo o ora agravado da condenação por crime de sonegação
fiscal (art. 1º, I, da Lei n. 8.137/1990). O habeas corpus havia
sido impetrado contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª
Região, que reformou sentença absolutória para condenar o paciente
sob o fundamento de que a ausência de dolo de um dos coautores não
afastaria a responsabilidade penal dos demais. A defesa sustentou
ausência de prática de conduta típica, inexistência de dolo próprio
e ausência de exame da tese jurídica em apelação.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões em discussão: (i) definir se é admissível a
condenação penal por sonegação fiscal com fundamento exclusivo na
posição societária do acusado, sem demonstração de conduta concreta
e dolo específico; e (ii) estabelecer se o habeas corpus é cabível
para análise de suposta nulidade por ausência de fundamentação e
responsabilização penal objetiva.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça inadmite a
responsabilização penal objetiva, exigindo demonstração do dolo
específico na prática de crimes tributários.
4. A posição de gestor ou sócio administrador da empresa, por si só,
é insuficiente para configurar a autoria ou coautoria delitiva, se
ausente a descrição de conduta concreta que vincule o agente ao fato
típico.
5. A teoria do domínio do fato, embora reconhecida, não prescinde da
comprovação de liame subjetivo e nexo de causalidade entre a
conduta e o resultado ilícito.
6. No caso concreto, a condenação se baseou exclusivamente na
condição de administrador da empresa COMED, sem individualização de
conduta ou comprovação de dolo próprio do paciente.
7. O habeas corpus, embora não seja sucedâneo de recurso ordinário,
é cabível quando presente manifesta ilegalidade, como na hipótese de
condenação sem demonstração de elementos subjetivos mínimos do tipo
penal.
8. A decisão impugnada seguiu jurisprudência consolidada do STJ,
inclusive em caso idêntico envolvendo o mesmo paciente (HC
871550/SP), o que reforça a coerência e a segurança jurídica da
solução adotada.
IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.
Ementa
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS
CORPUS. SONEGAÇÃO FISCAL. CONDENAÇÃO FUNDADA EXCLUSIVAMENTE NA
CONDIÇÃO DE GESTOR. AUSÊNCIA DE CONDUTA CONCRETA E DE DOLO PRÓPRIO.
INADMISSIBILIDADE DE RESPONSABILIZAÇÃO PENAL OBJETIVA. AGRAVO
DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto pelo Ministério Público Federal
contra decisão monocrática que concedeu ordem de habeas corpus,
absolvendo o ora agravado da condenação por crime de sonegação
fiscal (art. 1º, I, da Lei n. 8.137/1990). O habeas corpus havia
sido impetrado contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª
Região, que reformou sentença absolutória para condenar o paciente
sob o fundamento de que a ausência de dolo de um dos coautores não
afastaria a responsabilidade penal dos demais. A defesa sustentou
ausência de prática de conduta típica, inexistência de dolo próprio
e ausência de exame da tese jurídica em apelação.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões em discussão: (i) definir se é admissível a
condenação penal por sonegação fiscal com fundamento exclusivo na
posição societária do acusado, sem demonstração de conduta concreta
e dolo específico; e (ii) estabelecer se o habeas corpus é cabível
para análise de suposta nulidade por ausência de fundamentação e
responsabilização penal objetiva.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça inadmite a
responsabilização penal objetiva, exigindo demonstração do dolo
específico na prática de crimes tributários.
4. A posição de gestor ou sócio administrador da empresa, por si só,
é insuficiente para configurar a autoria ou coautoria delitiva, se
ausente a descrição de conduta concreta que vincule o agente ao fato
típico.
5. A teoria do domínio do fato, embora reconhecida, não prescinde da
comprovação de liame subjetivo e nexo de causalidade entre a
conduta e o resultado ilícito.
6. No caso concreto, a condenação se baseou exclusivamente na
condição de administrador da empresa COMED, sem individualização de
conduta ou comprovação de dolo próprio do paciente.
7. O habeas corpus, embora não seja sucedâneo de recurso ordinário,
é cabível quando presente manifesta ilegalidade, como na hipótese de
condenação sem demonstração de elementos subjetivos mínimos do tipo
penal.
8. A decisão impugnada seguiu jurisprudência consolidada do STJ,
inclusive em caso idêntico envolvendo o mesmo paciente (HC
871550/SP), o que reforça a coerência e a segurança jurídica da
solução adotada.
IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar
provimento ao agravo regimental.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel
Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com o Sr. Ministro
Relator.
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.