STJ — 1528605
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Ementa
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA.
RESPONSABILIDADE CIVIL. ERRO MÉDICO. ART. 1.022 DO CPC/2015.
AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. CONCLUSÃO DO ACÓRDÃO PELA CONFIGURAÇÃO DE
CULPA CONCORRENTE. FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES.
DEVER DE INDENIZAR. CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE.
SÚMULA 83/STJ. QUANTUM INDENIZATÓRIO RAZOÁVEL. REVISÃO DO JULGADO.
IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA
FÁTICO-PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. JUROS DE MORA. TERMO
INICIAL. DATA DA CITAÇÃO. RESPONSABILIDADE CONTRATUAL. PRECEDENTES.
SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO DE CASA DE SAÚDE LARANJEIRAS LTDA.
IMPROVIDO.
1. Não ficou configurada a violação ao art. 489 do CPC/2015, uma vez
que o Tribunal de origem se manifestou sobre todas as questões
necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da
parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza
omissão ou deficiência na prestação jurisdicional.
2. No caso concreto, o Tribunal local concluiu que houve nexo de
causalidade entre a alta efetiva do paciente recém-nascido e a
evolução para o gravíssimo quadro clínico que culminou em paralisia
cerebral e tetraplegia, ressaltando a existência de comprovação de
falha na prestação do serviço médico e falta do dever de informação
da ora agravante. Nesse contexto, não há como acolher a pretensão
recursal sem proceder ao revolvimento do conteúdo fático-probatório
dos autos, o que é inviável no âmbito do recurso especial, nos
termos da Súmula n. 7/STJ.
3. O Superior Tribunal de Justiça possui orientação no sentido de
que a revisão do valor arbitrado somente é possível quando irrisório
ou exorbitante o montante fixado, o que não se visualiza no presente
caso, pois o valor fixado na sentença e mantido no acórdão em R$
150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) para cada recorrido cumpre
os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade.
3.1. Dessa forma, levando-se em consideração as particularidades do
caso concreto, notadamente quanto à capacidade econômico-financeira
da Casa de Saúde e às consequências gravosas do evento para a vítima
e seus pais, verifica-se que a quantia indenizatória fixada não se
mostra desproporcional, e sua revisão demandaria inevitavelmente o
reexame de matéria fático-probatória, providência vedada pela
incidência da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça.
4. Agravo interno improvido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de
Justiça, em sessão virtual de 30/08/2022 a 05/09/2022, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Paulo de Tarso Sanseverino,
Ricardo Villas Bôas Cueva e Moura Ribeiro votaram com o Sr.
Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.