Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.
Assunto e questão jurídica conforme a ementa oficial
PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. FRAUDE À LICITAÇÃO (ART. 90 DA LEI N. 8.666/1993). ABSOLVIÇÃO. DOLO. SÚMULA N. 7/STJ. DOSIMETRIA. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. REDUÇÃO DA PENA FINAL. CULPABILIDADE. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. CONFISSÃO QUALIFICADA. SÚMULA N. 7/STJ. OFENSA AO ART. 619 DO CPP. NÃO CONFIGURADA. DECISÃO MONOCRÁTICA MANTIDA. AGRAVO RE GIMENTAL DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto pela defesa contra decisão monocrática que negou provimento a seu recurso especial, mantendo a condenação pelo crime de fraude à licitação e rechaçando teses de nulidade, violação ao princípio da n…
Ementa
PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.
FRAUDE À LICITAÇÃO (ART. 90 DA LEI N. 8.666/1993). ABSOLVIÇÃO. DOLO.
SÚMULA N. 7/STJ. DOSIMETRIA. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA.
REDUÇÃO DA PENA FINAL. CULPABILIDADE. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA.
CONFISSÃO QUALIFICADA. SÚMULA N. 7/STJ. OFENSA AO ART. 619 DO CPP.
NÃO CONFIGURADA. DECISÃO MONOCRÁTICA MANTIDA. AGRAVO RE GIMENTAL
DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto pela
defesa contra decisão monocrática que negou provimento a seu recurso
especial, mantendo a condenação pelo crime de fraude à licitação e
rechaçando teses de nulidade, violação ao princípio da ne reformatio
in pejus e ilegalidades na dosimetria da pena.
II. QUESTÃO EM
DISCUSSÃO
2. A controvérsia abrange múltiplos pontos: a) a
possibilidade de absolvição por ausência de dolo, e o óbice da
Súmula n. 7/STJ; b) a ocorrência de reformatio in pejus quando, em
recurso exclusivo da defesa, o tribunal afasta uma atenuante, mas
reduz a pena final; c) a idoneidade da valoração negativa da
culpabilidade; d) o reconhecimento da atenuante da confissão; e e) a
suposta negativa de prestação jurisdicional.
III. RAZÕES DE
DECIDIR
3. A pretensão de absolvição por ausência de dolo demanda,
inevitavelmente, o reexame do acervo probatório que levou as
instâncias ordinárias a concluírem pela existência de uma "montagem
grosseira de licitação", com ajuste prévio e participação consciente
dos agentes, o que é vedado pela Súmula n. 7/STJ.
4. Conforme a
jurisprudência pacífica desta Corte, inexiste reformatio in pejus
quando, em recurso exclusivo da defesa, a situação final do réu é
melhorada, ainda que haja reestruturação da dosimetria. No caso, a
pena foi reduzida, afastando qualquer prejuízo.
5. A valoração
negativa da culpabilidade, em razão da "pobreza pungente do
município", é fundamentação concreta e idônea, pois demonstra a
maior reprovabilidade da conduta, que fraudou certame destinado a
uma população em extrema vulnerabilidade social.
6. Aferir se a
confissão qualificada dos réus foi efetivamente utilizada para a
condenação, diante do vasto conjunto de provas objetivas, implicaria
revolvimento fático-probatório, atraindo o óbice da Súmula n.
7/STJ.
7. Ausente ofensa ao art. 619 do CPP quando o acórdão
recorrido, ainda que de forma contrária aos interesses da parte,
apresenta fundamentação suficiente para as questões postas, não se
confundindo o mero inconformismo com a existência de omissão.
IV.
DISPOSITIVO E TESES
8. Agravo regimental desprovido.
Teses de
julgamento: 1. A análise do elemento subjetivo (dolo) no crime de
fraude à licitação, quando as instâncias ordinárias o afirmam com
base em provas concretas, é inviável em recurso especial, por força
da Súmula n. 7/STJ. 2. Não se configura reformatio in pejus se, em
recurso exclusivo da defesa, a pena final é reduzida, sendo
irrelevante a eventual exclusão de uma atenuante no recálculo da
dosimetria.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de
Justiça, em Sessão Virtual de 28/08/2025 a 03/09/2025, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca,
Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com
o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro
Reynaldo Soares da Fonseca.
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.