STJ — 2598615
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Ementa
AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JULGAMENTO VIRTUAL. OPOSIÇÃO. NEGATIVA
DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. ANÁLISE DE REGRA
REGIMENTAL DO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE. COMISSÃO DE
CORRETAGEM. REEXAME DE PROVAS E CLÁUSULAS. SÚMULAS NºS 5 E 7/STJ.
PERCENTUAL DE RETENÇÃO DE VALORES PAGOS PELA AQUISIÇÃO DO IMÓVEL.
PREVISÃO CONTRATUAL. DESISTÊNCIA DOS ADQUIRENTES. ART. 67-A, §5º DA
LEI 4.875/1965. LEI 13.786/2018.
1. Não há falar em negativa
de prestação jurisdicional se o Tribunal de origem motiva
adequadamente sua decisão, ainda que de forma sucinta,
solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que
entende cabível à hipótese, apenas não no sentido pretendido
pela parte.
2. É inviável na via do recurso especial a
interpretação de regras regimentais do Tribunal de origem, as quais
não possuem natureza de lei federal.
3. A mera oposição da parte
quanto ao julgamento virtual não é causa de sua nulidade, mesmo
quando formulada de tempestivamente, até porque é possível a juntada
de memorial, bem como gravação ou link da sustentação oral de forma
digital.
4. A revisão da matéria referente à retenção de comissão de
corretagem demanda a análise da interpretação de cláusulas
contratuais e do conjunto fático-probatório, atraindo a incidência
dos óbices das Súmulas nºs 5 e 7/STJ.
5. Nos contratos de promessa
de compra e venda de imóveis celebrados sob o regime do patrimônio
de afetação, na forma da Lei nº 13.786/2018, é válida a cláusula de
retenção de até 50% (cinquenta por cento) dos valores pagos quando
houver a desistência do negócio pelo adquirente, desde que haja
previsão expressa no contrato.
6. Agravo conhecido. Recurso especial
parcialmente conhecido e provido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de
Justiça, em Sessão Virtual de 21/10/2025 a 27/10/2025, por
unanimidade, conhecer parcialmente do recurso e, nessa parte,
dar-lhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro
Relator.
Os Srs. Ministros Moura Ribeiro, Daniela Teixeira, Nancy
Andrighi e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro
Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins.