STJ — 2715026
Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: 692f7dd87eb2823ba1d720e903553ee3a9d248c0eececf583a3754baaf772f24
Origem do registro no STJ
Conjunto de dados oficial do STJ
- Identificador na fonte
- 951790
- Número de registro na fonte
- 202402922518
- Coleta informada no registro
- 2026-09-10T12:42:21Z
Registro público original completo (JSON)
Quadro documental do acórdão — seções literais do STJ
Transcrição dos títulos e fundamentos expressamente delimitados na ementa oficial, sem síntese ou tese criada por IA.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que
inadmitiu o recurso especial por incidência da Súmula n. 7 do STJ.
2. A controvérsia envolve ação de obrigação de fazer c/c
indenizatória por danos morais e materiais em razão de atraso na
entrega da área de lazer de empreendimento imobiliário, com pedidos
de entrega da área anunciada, compensação por dano moral, multa
convencional, devolução da comissão de corretagem e de cotas
condominiais anteriores à imissão na posse, além de revisão do saldo
devedor.
3. Na sentença, o Juízo de primeiro grau julgou parcialmente
procedente para condenar solidariamente ao pagamento de danos morais
de R$ 8.000,00 por autor e à devolução de R$ 5.474,00 de
corretagem; extinguiu, sem resolução do mérito, o pedido de
obrigação de fazer relativo à área de lazer e reconheceu sucumbência
recíproca.
4. A Corte de origem desproveu o recurso dos réus, deu parcial
provimento ao adesivo para determinar a devolução das cotas
condominiais pagas antes da imissão na posse, afastou a
ilegitimidade passiva da corré e manteve os danos morais e a
devolução da corretagem.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
5. Há quatro questões em discussão: (i) saber se o atraso na entrega
da área de lazer caracteriza dano moral, em ofensa ao art. 186 do
CC; (ii) saber se o quantum de dano moral é desproporcional, em
afronta ao art. 944 do CC; (iii) saber se a devolução da comissão de
corretagem configura enriquecimento sem causa, em violação do art.
884 do CC; e (iv) saber se há divergência jurisprudencial sobre a
indenização por dano moral diante de mero inadimplemento contratual.
III. RAZÕES DE DECIDIR
6. Incide a Súmula n. 7 do STJ quanto ao reconhecimento do dano
moral, pois a alteração da conclusão da instância ordinária, que
reconheceu atraso relevante superior a 3 anos, demanda o reexame das
provas, o que é vedado em recurso especial. Por igual razão, o
dissídio jurisprudencial sobre o tema fica prejudicado, por exigir
identidade fática e revolvimento do acervo probatório.
7. A revisão do quantum de dano moral somente é possível nas
hipóteses excepcionais de valor irrisório ou exorbitante; na
espécie, não demonstrada a excepcionalidade, aplica-se a Súmula n. 7
do STJ.
8. A restituição da comissão de corretagem, sem destaque contratual
claro, atrai os óbices das Súmulas n. 5 e 7 do STJ, por exigir
interpretação de cláusula e revolvimento de provas, mantendo-se a
conclusão da origem.
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Agravo em recurso especial desprovido.
Tese de julgamento: "1. A Súmula n. 7 do STJ obsta o reexame do
reconhecimento do dano moral decorrente de atraso relevante na
entrega da área de lazer. 2. O conhecimento do recurso por
divergência jurisprudencial sobre dano moral fica prejudicado quando
a análise demanda revolvimento do conjunto fático-probatório. 3. A
revisão do quantum indenizatório por dano moral somente é admitida
nas hipóteses de valor irrisório ou exorbitante; não sendo o caso,
aplica-se a Súmula n. 7 do STJ. 4. A restituição da comissão de
corretagem sem destaque contratual claro atrai a incidência das
Súmulas n. 5 e 7 do STJ, inviabilizando o conhecimento do recurso".
Dispositivos relevantes citados: CF, art. 105, III, a e c; CC, arts.
186, 944 e 884; CPC, art. 85, § 11.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt no AREsp n.
1.898.375/RS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, julgado em 27/6/2022; STJ, AgInt no AREsp n. 1.866.385/DF,
relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em
16/5/2022; STJ, AgInt no AREsp n. 1.611.756/GO, relator Ministro
Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 29/8/2022; STJ, AgInt no AREsp
n. 1.724.656/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira
Turma, julgado em 22/8/2022; STJ, AgInt no REsp n. 1.503.880/PE,
relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em
27/2/2018; STJ, AREsp n. 2.976.037/PR, relator Ministro Moura
Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 24/11/2025; STJ, REsp n.
1.947.912/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, julgado em 5/5/2025; STJ, Súmulas n. 5 e 7; STF, Súmulas n.
282 e 283.
Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.
Ementa
DIREITO DO CONSUMIDOR. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ATRASO NA ENTREGA
DE ÁREA DE LAZER EM EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO. DANOS MORAIS.
DEVOLUÇÃO DE COMISSÃO DE CORRETAGEM. COTAS CONDOMINIAIS. AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que
inadmitiu o recurso especial por incidência da Súmula n. 7 do STJ.
2. A controvérsia envolve ação de obrigação de fazer c/c
indenizatória por danos morais e materiais em razão de atraso na
entrega da área de lazer de empreendimento imobiliário, com pedidos
de entrega da área anunciada, compensação por dano moral, multa
convencional, devolução da comissão de corretagem e de cotas
condominiais anteriores à imissão na posse, além de revisão do saldo
devedor.
3. Na sentença, o Juízo de primeiro grau julgou parcialmente
procedente para condenar solidariamente ao pagamento de danos morais
de R$ 8.000,00 por autor e à devolução de R$ 5.474,00 de
corretagem; extinguiu, sem resolução do mérito, o pedido de
obrigação de fazer relativo à área de lazer e reconheceu sucumbência
recíproca.
4. A Corte de origem desproveu o recurso dos réus, deu parcial
provimento ao adesivo para determinar a devolução das cotas
condominiais pagas antes da imissão na posse, afastou a
ilegitimidade passiva da corré e manteve os danos morais e a
devolução da corretagem.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
5. Há quatro questões em discussão: (i) saber se o atraso na entrega
da área de lazer caracteriza dano moral, em ofensa ao art. 186 do
CC; (ii) saber se o quantum de dano moral é desproporcional, em
afronta ao art. 944 do CC; (iii) saber se a devolução da comissão de
corretagem configura enriquecimento sem causa, em violação do art.
884 do CC; e (iv) saber se há divergência jurisprudencial sobre a
indenização por dano moral diante de mero inadimplemento contratual.
III. RAZÕES DE DECIDIR
6. Incide a Súmula n. 7 do STJ quanto ao reconhecimento do dano
moral, pois a alteração da conclusão da instância ordinária, que
reconheceu atraso relevante superior a 3 anos, demanda o reexame das
provas, o que é vedado em recurso especial. Por igual razão, o
dissídio jurisprudencial sobre o tema fica prejudicado, por exigir
identidade fática e revolvimento do acervo probatório.
7. A revisão do quantum de dano moral somente é possível nas
hipóteses excepcionais de valor irrisório ou exorbitante; na
espécie, não demonstrada a excepcionalidade, aplica-se a Súmula n. 7
do STJ.
8. A restituição da comissão de corretagem, sem destaque contratual
claro, atrai os óbices das Súmulas n. 5 e 7 do STJ, por exigir
interpretação de cláusula e revolvimento de provas, mantendo-se a
conclusão da origem.
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Agravo em recurso especial desprovido.
Tese de julgamento: "1. A Súmula n. 7 do STJ obsta o reexame do
reconhecimento do dano moral decorrente de atraso relevante na
entrega da área de lazer. 2. O conhecimento do recurso por
divergência jurisprudencial sobre dano moral fica prejudicado quando
a análise demanda revolvimento do conjunto fático-probatório. 3. A
revisão do quantum indenizatório por dano moral somente é admitida
nas hipóteses de valor irrisório ou exorbitante; não sendo o caso,
aplica-se a Súmula n. 7 do STJ. 4. A restituição da comissão de
corretagem sem destaque contratual claro atrai a incidência das
Súmulas n. 5 e 7 do STJ, inviabilizando o conhecimento do recurso".
Dispositivos relevantes citados: CF, art. 105, III, a e c; CC, arts.
186, 944 e 884; CPC, art. 85, § 11.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt no AREsp n.
1.898.375/RS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, julgado em 27/6/2022; STJ, AgInt no AREsp n. 1.866.385/DF,
relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em
16/5/2022; STJ, AgInt no AREsp n. 1.611.756/GO, relator Ministro
Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 29/8/2022; STJ, AgInt no AREsp
n. 1.724.656/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira
Turma, julgado em 22/8/2022; STJ, AgInt no REsp n. 1.503.880/PE,
relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em
27/2/2018; STJ, AREsp n. 2.976.037/PR, relator Ministro Moura
Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 24/11/2025; STJ, REsp n.
1.947.912/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, julgado em 5/5/2025; STJ, Súmulas n. 5 e 7; STF, Súmulas n.
282 e 283.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de
Justiça, em Sessão Virtual de 03/03/2026 a 09/03/2026, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Luís Carlos
Gambogi (Desembargador Convocado do TJMG) votaram com o Sr. Ministro
Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha.
Não participou do julgamento o Sr. Ministro Antonio Carlos Ferreira.
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.