Assunto e questão jurídica conforme a ementa oficial
AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. NULIDADE DE ATOS PROCESSUAIS. MORTE DA PARTE. AUSÊNCIA DE SUSPENSÃO. PREJUÍZO NÃO DEMONSTRADO. NULIDADE DE ALGIBEIRA. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. SÚMULA 7/STJ. RESPONSABILIDADE DOS HERDEIROS. LIMITES DA HERANÇA. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. 1. Segundo entendimento firmado pela Corte Especial, "Atos praticados a partir da data do falecimento da parte podem ser anulados, desde que causem prejuízo aos interessados, o que não restou demonstrado. Precedentes" (AgInt nos EREsp 1.960.721/RJ, Relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Corte Especial,…
Ementa
AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. NULIDADE DE ATOS
PROCESSUAIS. MORTE DA PARTE. AUSÊNCIA DE SUSPENSÃO. PREJUÍZO NÃO
DEMONSTRADO. NULIDADE DE ALGIBEIRA. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. SÚMULA
7/STJ. RESPONSABILIDADE DOS HERDEIROS. LIMITES DA HERANÇA. FALTA DE
INTERESSE RECURSAL. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO
RECURSO ESPECIAL.
1. Segundo entendimento firmado pela Corte
Especial, "Atos praticados a partir da data do falecimento da parte
podem ser anulados, desde que causem prejuízo aos interessados, o
que não restou demonstrado. Precedentes" (AgInt nos EREsp
1.960.721/RJ, Relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Corte
Especial, julgado em 9/4/2024, DJe de 24/4/2024).
2. A ausência de
suspensão do processo após o falecimento da parte enseja apenas
nulidade relativa, sendo necessária a demonstração de prejuízo
concreto para o reconhecimento da nulidade. Precedentes. No caso,
não houve demonstração de nenhum prejuízo aos sucessores, tendo
ainda o Tribunal de origem assentado que os familiares do falecido
agiram com má-fé ao ocultar o óbito para fins de estratégia
processual ("nulidade de algibeira").
3. Os herdeiros respondem
pelas dívidas do falecido até o limite das forças da herança,
conforme disposto nos arts. 1.792 e 1.997 do Código Civil. O acórdão
recorrido está em consonância com essa tese, não havendo interesse
recursal neste ponto.
4. A alegação de irregularidade na
representação processual da parte recorrida foi rejeitada pelo
Tribunal de origem, que constatou a regularidade na cadeia de
substabelecimentos. A revisão dessa conclusão demandaria reexame de
provas, o que é vedado em sede de recurso especial, nos termos da
Súmula 7/STJ.
5. Alegação de dissídio jurisprudencial afastada pela
ausência de cotejo analítico e pela falta de similitude
fático-jurídica entre os casos comparados.
6. Agravo conhecido para
negar provimento ao recurso especial.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de
Justiça, em Sessão Virtual de 10/03/2026 a 16/03/2026, por
unanimidade, conhecer do recurso mas lhe negar provimento, nos
termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Maria
Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Luís Carlos Gambogi
(Desembargador Convocado do TJMG) e João Otávio de Noronha votaram
com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro
João Otávio de Noronha.
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.