STJ — 2004684
Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: 90b0959d8ffde36e5f0088cb2483a55764e9aa608bc9432588218314fb63a8dc
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Ementa
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO
REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
PENAL E PROCESSUAL PENAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRESCRIÇÃO DA
PRETENSÃO PUNITIVA. NÃO OCORRÊNCIA. PRAZO DE 12 ANOS NÃO
ULTRAPASSADO ENTRE OS MARCOS INTERRUPTIVOS. EMBARGOS ACOLHIDOS SEM
EFEITOS INFRINGENTES.
1. O argumento da ocorrência da prescrição da pretensão punitiva
estatal só foi apontado nos aclaratórios anteriores. Assim, não
obstante o aresto impugnado p udesse ser mantido, a matéria é de
ordem pública, devendo ser analisada.
2. Consta dos autos que, por fatos cometidos em maio de 2006, o
recorrente foi condenado à pena de 6 anos e 5 meses de reclusão, em
regime inicial fechado, como incurso no crime previsto no art. 312,
do Código Penal ? CP (peculato).
2.1. Tratando-se de fatos ocorridos antes de 2010, não se aplica à
espécie a atual redação do art. 110, §1º, do Código Penal, incluída
pela Lei n. 12.234, de 5/5/2010, segundo a qual a prescrição não
pode ter como termo inicial data anterior à denúncia, tendo em vista
a proibição da retroatividade da lei penal mais gravosa.
2.2. No caso, não foi ultrapassado o prazo de 12 anos, previsto no
artigo 109, III, do CP, entre os fatos (2006) e o recebimento da
denúncia, em 16/9/2014, nem entre este último termo e a sentença
(5/1/2017), nem mesmo entre esta última data e o presente dia, sendo
todos marcos interruptivos da prescrição. Portanto, não decorreu
prazo superior a 12 anos desde o último marco interruptivo.
2.3. Não houve outro marco interruptivo, vez que a inovação
legislativa operada com a Lei n. 11.596/07, que passou a prever a
interrupção da prescrição pela publicação do acórdão recorrível, não
é aplicável a crimes cometidos anteriormente à sua edição.
3. Embargos declaratórios acolhidos para esclarecimento da matéria
de ordem pública, sem efeitos infringentes.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, acolher
os embargos, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Jorge Mussi, Reynaldo
Soares da Fonseca e Ribeiro Dantas votaram com o Sr. Ministro
Relator.