STJ — 443499
Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: 666a99a315de2eccc42a761f01cdd495996459c473437bb6b80cba4d182b5a7c
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Assunto e questão jurídica conforme a ementa oficial
HABEAS CORPUS. CORRUPÇÃO ATIVA DE PERITO. ART. 343 DO CP. TRANCAMENTO DO PROCESSO. ATIPICIDADE DA CONDUTA. INÉPCIA DA DENÚNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. ORDEM DENEGADA.
Fundamentos transcritos da ementa — itens numerados pelo STJ
- A denúncia deve ser recebida desde que, atendido seu aspecto formal (art. 41, c/c o art. 395, I, do CPP) e identificada a presença tanto dos pressupostos de existência e validade da relação processual quanto das condições para o exercício da ação penal (art. 395, II, do CPP), venha acompanhada de lastro probatório mínimo a amparar a acusação (art. 395, III, do CPP).
- O órgão acusatório imputa ao ora paciente a prática do delito previsto no art. 343 do Código Penal sob a alegação de que o acusado prometia aos peritos cadastrados na vara em que atuava como juiz vantagem consistente no aumento do número de designações para realização de laudos técnicos, a fim de influenciar no resultado de tais exames, com o intuito de beneficiar partes e advogados ligados à igreja que frequentava.
- As circunstâncias descritas, a um primeiro olhar, retratam os elementos necessários para a configuração do delito de corrupção ativa de perito ? promessa de vantagem aos peritos para que fizessem afirmação diversa de sua conclusão profissional, de modo a omitir a verdade no laudo a ser confeccionado. Mesmo que se considere a afirmação defensiva de que os laudos firmados não trazem conteúdo inverídico, tal elemento não altera a suposta tipicidade da conduta, uma vez que: a) se trata de crime formal, nos termos da jurisprudência anteriormente mencionada; b) a narrativa fática evidencia a configuração do verbo "calar a verdade", também previsto no caput do art. 343 do Código Penal.
- Os elementos informativos colhidos até o oferecimento da inicial acusatória, descritos no acórdão combatido, evidenciam indícios de que: a) houve aumento no número de designação dos profissionais que seguiam as diretrizes do paciente e diminuição das nomeações daqueles que atuavam conforme suas próprias convicções; b) os peritos se sentiram compelidos, pelas palavras do magistrado, a alterar o resultado dos laudos confeccionados, o que os levou a atestar algo que não estava de acordo com sua opinião profissional; c) houve casos de sucessivas designações de peritos em um único processo (três, quatro profissionais) até que viesse aos autos laudo com atestado no sentido pretendido pelo juiz; d) estatisticamente, a unidade jurisdicional presidida pelo paciente apresentava número de deferimento de benefícios previdenciários muito superior aos demais órgãos com competência semelhante.
- O exame da tese de atipicidade da conduta perpassa pela análise das afirmações de que o réu não prometeu vantagem indevida ou pretendeu influenciar na convicção profissional dos peritos, tampouco no resultado dos laudos confeccionados. Todavia, essa conclusão não é extraída, de plano, na hipótese, de modo que seu acolhimento demandaria dilação probatória, incompatível com a via estreita do habeas corpus.
- Ordem denegada.
Trechos literais, sem inferência de tese ou aplicação automática ao caso de terceiros.
Ementa
HABEAS CORPUS. CORRUPÇÃO ATIVA DE PERITO. ART. 343 DO CP.
TRANCAMENTO DO PROCESSO. ATIPICIDADE DA CONDUTA. INÉPCIA DA
DENÚNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. ORDEM DENEGADA.
1. A denúncia deve ser recebida desde que, atendido seu aspecto
formal (art. 41, c/c o art. 395, I, do CPP) e identificada a
presença tanto dos pressupostos de existência e validade da relação
processual quanto das condições para o exercício da ação penal (art.
395, II, do CPP), venha acompanhada de lastro probatório mínimo a
amparar a acusação (art. 395, III, do CPP).
2. O órgão acusatório imputa ao ora paciente a prática do delito
previsto no art. 343 do Código Penal sob a alegação de que o acusado
prometia aos peritos cadastrados na vara em que atuava como juiz
vantagem consistente no aumento do número de designações para
realização de laudos técnicos, a fim de influenciar no resultado de
tais exames, com o intuito de beneficiar partes e advogados ligados
à igreja que frequentava.
3. As circunstâncias descritas, a um primeiro olhar, retratam os
elementos necessários para a configuração do delito de corrupção
ativa de perito ? promessa de vantagem aos peritos para que fizessem
afirmação diversa de sua conclusão profissional, de modo a omitir a
verdade no laudo a ser confeccionado. Mesmo que se considere a
afirmação defensiva de que os laudos firmados não trazem conteúdo
inverídico, tal elemento não altera a suposta tipicidade da conduta,
uma vez que: a) se trata de crime formal, nos termos da
jurisprudência anteriormente mencionada; b) a narrativa fática
evidencia a configuração do verbo "calar a verdade", também previsto
no caput do art. 343 do Código Penal.
4. Os elementos informativos colhidos até o oferecimento da inicial
acusatória, descritos no acórdão combatido, evidenciam indícios de
que: a) houve aumento no número de designação dos profissionais que
seguiam as diretrizes do paciente e diminuição das nomeações
daqueles que atuavam conforme suas próprias convicções; b) os
peritos se sentiram compelidos, pelas palavras do magistrado, a
alterar o resultado dos laudos confeccionados, o que os levou a
atestar algo que não estava de acordo com sua opinião profissional;
c) houve casos de sucessivas designações de peritos em um único
processo (três, quatro profissionais) até que viesse aos autos laudo
com atestado no sentido pretendido pelo juiz; d) estatisticamente,
a unidade jurisdicional presidida pelo paciente apresentava número
de deferimento de benefícios previdenciários muito superior aos
demais órgãos com competência semelhante.
5. O exame da tese de atipicidade da conduta perpassa pela análise
das afirmações de que o réu não prometeu vantagem indevida ou
pretendeu influenciar na convicção profissional dos peritos,
tampouco no resultado dos laudos confeccionados. Todavia, essa
conclusão não é extraída, de plano, na hipótese, de modo que seu
acolhimento demandaria dilação probatória, incompatível com a via
estreita do habeas corpus.
6. Ordem denegada.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal
de Justiça, prosseguindo no julgamento após o voto-vista do Sr.
Ministro Relator denegando a ordem, sendo acompanhado pelos Srs.
Ministros Antonio Saldanha Palheiro, Olindo Menezes (Desembargador
convocado do TRF - 1ª Região), Laurita Vaz e Sebastião Reis Júnior,
por unanimidade, denegar a ordem, nos termos do voto do Sr. Ministro
Relator.
Os Srs. Ministros Antonio Saldanha Palheiro, Olindo Menezes
(Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Laurita Vaz e Sebastião
Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator.
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.