STJ — 1050178
Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: f54af98ae0650d4c6b6030e4e02f023a235bda0a3443aa4ca058273395ca8778
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Ementa
ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS
CORPUS. ATO INFRACIONAL ANÁLOGO A TRÁFICO DE DROGAS. BUSCA PESSOAL.
FUNDADA SUSPEITA. DESCLASSIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE NA VIA ELEITA.
RECURSO IMPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não
conheceu de habeas corpus impetrado em favor de adolescente
responsabilizado por ato infracional equiparado ao crime de tráfico
de drogas (art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006).
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões em discussão: (i) saber se a busca pessoal
realizada pelos policiais foi nula por ausência de fundada suspeita,
em violação ao art. 244 do CPP; e (ii) saber se, na via estreita do
habeas corpus e de seu agravo regimental, é possível desclassificar
o ato infracional equiparado ao tráfico de drogas para ato
infracional análogo ao porte de entorpecentes para consumo pessoal,
a partir da revaloração do conjunto probatório.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. A busca pessoal mostra-se legítima, pois foi precedida de
informações presenciais de transeuntes acerca de possível confusão
envolvendo o veículo e de conduta suspeita do adolescente,
circunstâncias que caracterizam fundada suspeita concreta, nos
termos do art. 244 do CPP e da jurisprudência consolidada.
4. O acervo probatório formado nas instâncias ordinárias evidencia a
prática de ato infracional equiparado ao tráfico de drogas,
destacando-se a quantidade e o acondicionamento da cocaína em pinos
individualizados, a confissão do adolescente perante equipe técnica
de que atuava no tráfico e os depoimentos harmônicos dos policiais
militares.
5. A pretensão de absolvição ou de desclassificação para ato
infracional análogo ao porte para uso pessoal demandaria reexame
aprofundado de fatos e provas, providência incompatível com a via do
habeas corpus e, por consequência, com o agravo regimental nele
interposto.
6. Não evidenciada ilegalidade flagrante ou teratologia na decisão
que não conheceu do habeas corpus, impõe-se a manutenção do acórdão
que reconheceu a higidez da busca pessoal e a tipificação do ato
infracional equiparado ao tráfico.
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.
Tese de julgamento:
1. A busca pessoal é válida quando precedida de elementos objetivos
que evidenciem fundada suspeita, como informações presenciais de
terceiros e conduta suspeita do abordado, nos termos do art. 244 do
CPP
2. A desclassificação de ato infracional equiparado ao tráfico de
drogas para o análogo ao porte para uso pessoal, quando
controvertida a destinação da droga, exige revolvimento do conjunto
fático-probatório e não pode ser realizada na via estreita do habeas
corpus e de seu agravo regimental.
Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 244; Lei n. 11.343/2006,
arts. 28 e 33.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC n. 1.009.272/SP,
relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJEN
26/6/2025; STJ, AgRg no HC n. 1.045.969/RS, relator Ministro Antonio
Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN 23/12/2025; STJ, AgRg no HC n.
782.347/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta
Turma, DJe 28/11/2022; STJ, AgRg no HC n. 808.190/RJ, relatora
Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJe 15/3/2024; STJ, AgRg no
HC n. 695.519/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta
Turma, DJe 26/4/2022.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de
Justiça, em Sessão Virtual de 21/05/2026 a 27/05/2026, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria
Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr.
Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.