STJ — 1090108
Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: 628fd67f66dc74471065359ce7b5cdf6c28cc82da5607dc537440bb0ae56b5a7
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Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO.
NÃO CONHECIMENTO. MEDIDA DE SEGURANÇA. DESINTERNAÇÃO CONDICIONAL.
INEXISTÊNCIA DE EXTINÇÃO AUTOMÁTICA APÓS 1 ANO. NECESSIDADE DE
PERÍCIA MÉDICA PARA ATESTAR A CESSAÇÃO DE PERICULOSIDADE (ART. 97, §
1º, DO CP; ARTS. 175 A 179 DA LEP). INAPLICABILIDADE, POR ANALOGIA,
DA SÚMULA 617/STJ. PROVIDÊNCIAS DE OFICIAR O CAPS E DETERMINAR
PERÍCIA ATUAL. LEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. O habeas corpus não pode ser utilizado como substituto de recurso
próprio, salvo na hipótese de flagrante ilegalidade, o que não se
verifica no caso concreto.
2. A medida de segurança somente pode ser extinta após a
comprovação, mediante perícia médica, da cessação da periculosidade,
conforme dispõe o art. 97, § 1º, do Código Penal, bem como os arts.
175 a 179 da Lei de Execução Penal.
3. A desinternação condicional não se converte em extinção
automática da medida de segurança após o decurso de 1 ano sem
revogação, pois a liberação é sempre condicional e demanda
verificação técnica atual da periculosidade.
4. A aplicação analógica da Súmula 617/STJ, que trata do livramento
condicional, não é cabível às medidas de segurança, por possuírem
natureza jurídica distinta e finalidade preventiva/terapêutica.
5. A providência de requisitar relatório atualizado ao CAPS e
determinar nova perícia médica constitui medida adequada e
necessária à avaliação técnica da cessação da periculosidade, não
havendo ilegalidade.
6. Agravo regimental não provido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de
Justiça, em Sessão Virtual de 28/05/2026 a 03/06/2026, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay
Neto e Maria Marluce Caldas votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.