STJ — 1061497

Classe: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUSOrgao: QUINTA TURMARelator: MESSOD AZULAY NETOData Julgamento: 2026-08-12Data Publicacao: 2026-08-17

Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: ff71d3958ec29c06ba410d18113f2fb8299b01dd1aab18b846e37c160a563372

Registro público original completo (JSON)

Quadro documental do acórdão — seções literais do STJ

Transcrição dos títulos e fundamentos expressamente delimitados na ementa oficial, sem síntese ou tese criada por IA.

I. CASO EM EXAME

1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus substitutivo, por aplicação da orientação restritiva e ausência de flagrante ilegalidade apta a justificar concessão de ofício. 2. Fato relevante. Paciente condenado pela prática de três crimes de violação sexual mediante fraude, em concurso material, à pena total de 6 anos de reclusão, em regime inicial semiaberto. A Defesa sustenta prescrição, afirmando que o aditamento à denúncia não trouxe alteração fática substancial e, portanto, não poderia interromper o prazo prescricional. 3. As decisões anteriores. Tribunal de origem assentou que o aditamento não se limitou a correção da capitulação, mas implicou alteração substancial da imputação com inclusão da elementar normativa "fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima", reclassificando a conduta para crime mais grave e, por isso, reconheceu o recebimento do aditamento como marco interruptivo autônomo da prescrição (CP, art. 117, inciso I). Parecer do Ministério Público Federal corroborou a existência de alteração substancial.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

4. A questão em discussão consiste em saber se o aditamento à denúncia, tendo promovido alteração fática substancial da imputação, interrompe o prazo prescricional nos termos do art. 117, inciso I, do Código Penal. 5. A questão em discussão consiste, ainda, em saber se há flagrante ilegalidade apta a excepcionar a orientação restritiva quanto ao habeas corpus substitutivo e justificar o conhecimento do writ.

III. RAZÕES DE DECIDIR

6. O aditamento promoveu alteração substancial da imputação ao incluir elementar normativa que qualifica o tipo e reclassifica a conduta para crime mais grave, com pena mínima superior, razão pela qual o seu recebimento constitui marco interruptivo autônomo da prescrição, conforme o art. 117, inciso I, do Código Penal. 7. A orientação restritiva ao habeas corpus substitutivo foi corretamente aplicada, inexistindo ilegalidade flagrante que justifique concessão de ofício, pois o acórdão estadual fundamentou, de modo suficiente, a interrupção da prescrição pelo recebimento de aditamento com inovação substancial. 8. O parecer do Ministério Público Federal confirma a reclassificação da conduta para o art. 215 do Código Penal, com inclusão da elementar "fraude", reforçando a conclusão pela interrupção da prescrição. IV. DISPOSITIVO 6. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido. Dispositivos relevantes citados:CP, art. 117, I; CP, art. 215; CP, art. 215-A Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no REsp 1.350.483/RS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 27.10.2020, DJe 12.11.2020.

Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.

Ementa

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. ADITAMENTO À DENÚNCIA. ALTERAÇÃO FÁTICA SUBSTANCIAL. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. ORIENTAÇÃO RESTRITIVA AO HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus substitutivo, por aplicação da orientação restritiva e ausência de flagrante ilegalidade apta a justificar concessão de ofício. 2. Fato relevante. Paciente condenado pela prática de três crimes de violação sexual mediante fraude, em concurso material, à pena total de 6 anos de reclusão, em regime inicial semiaberto. A Defesa sustenta prescrição, afirmando que o aditamento à denúncia não trouxe alteração fática substancial e, portanto, não poderia interromper o prazo prescricional. 3. As decisões anteriores. Tribunal de origem assentou que o aditamento não se limitou a correção da capitulação, mas implicou alteração substancial da imputação com inclusão da elementar normativa "fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima", reclassificando a conduta para crime mais grave e, por isso, reconheceu o recebimento do aditamento como marco interruptivo autônomo da prescrição (CP, art. 117, inciso I). Parecer do Ministério Público Federal corroborou a existência de alteração substancial. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 4. A questão em discussão consiste em saber se o aditamento à denúncia, tendo promovido alteração fática substancial da imputação, interrompe o prazo prescricional nos termos do art. 117, inciso I, do Código Penal. 5. A questão em discussão consiste, ainda, em saber se há flagrante ilegalidade apta a excepcionar a orientação restritiva quanto ao habeas corpus substitutivo e justificar o conhecimento do writ. III. RAZÕES DE DECIDIR 6. O aditamento promoveu alteração substancial da imputação ao incluir elementar normativa que qualifica o tipo e reclassifica a conduta para crime mais grave, com pena mínima superior, razão pela qual o seu recebimento constitui marco interruptivo autônomo da prescrição, conforme o art. 117, inciso I, do Código Penal. 7. A orientação restritiva ao habeas corpus substitutivo foi corretamente aplicada, inexistindo ilegalidade flagrante que justifique concessão de ofício, pois o acórdão estadual fundamentou, de modo suficiente, a interrupção da prescrição pelo recebimento de aditamento com inovação substancial. 8. O parecer do Ministério Público Federal confirma a reclassificação da conduta para o art. 215 do Código Penal, com inclusão da elementar "fraude", reforçando a conclusão pela interrupção da prescrição. IV. DISPOSITIVO 6. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido. Dispositivos relevantes citados:CP, art. 117, I; CP, art. 215; CP, art. 215-A Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no REsp 1.350.483/RS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 27.10.2020, DJe 12.11.2020.

Dispositivo transcrito

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 06/08/2026 a 12/08/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Marluce Caldas, Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e Joel Ilan Paciornik votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.