STJ — 176926
Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: 475919863d4611f7ec43c2db57b1a3397e5a58d64f1224a8dc5f113cd0b64c01
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Assunto e questão jurídica conforme a ementa oficial
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA. NULIDADE. COLHEITA DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS. NÃO VERIFICAÇÃO. DENÚNCIA RECEBIDA. PREJUDICIALIDADE. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. ANÁLISE FÁTICO-PROBATÓRIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
Fundamentos transcritos da ementa — itens numerados pelo STJ
- "[E]ventuais irregularidades ocorridas na fase investigatória, dada a natureza inquisitiva do inquérito policial, não contaminam a ação penal" (HC n. 586.321/AP, Relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 18/8/2020, DJe 28/8/2020). No mesmo sentido: "[e]ventual vício no inquérito policial não tem o liame de contaminar a ação penal, dada a natureza meramente informativa das peças processuais e sua dispensabilidade na formação da opinio delicti" (AgRg no AREsp n. 1374735/DF, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 4/2/2019).
- Tal entendimento prevalece ainda que a nulidade venha a ser comprovada, sobretudo se não há demonstração de prejuízo à defesa, tudo em conformidade com o princípio do pas de nullité sans grief (informações complementares à ementa (voto vista do Ministro Luis Felipe Salomão) na APn 741-DF, relator Ministro Og Fernandes, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 23/10/2018).
- Hipótese em que a denúncia já foi oferecida e devidamente recebida, razão pela qual a pretensão de reconhecimento de eventuais nulidades ocorridas durante a fase inquisitiva encontra-se prejudicada, pois, uma vez instaurada a ação penal, todo o conteúdo probatório obtido será revisitado durante a fase instrutória, sob o pálio do devido processo legal, nos quais são assegurados o exercício do contraditório e da ampla defesa.
- A configuração da quebra da cadeia de custódia, com efeito, pressupõe a existência de irregularidades no procedimento de colheita e conservação da prova, não demonstrados de plano pelo recorrente.
- Instâncias ordinárias que foram firmes ao asseverar a presença de elementos informativos suficientes para justificar a persecução criminal em desfavor do recorrente, devendo ser ressaltado que o reconhecimento da ocorrência de quebra da cadeia de custódia, neste momento processual, demandaria amplo revolvimento do conjunto fático-probatório, o que, como é sabido, não é possível na via eleita.
- O reconhecimento da ausência de justa causa exige profundo exame do contexto probatórios dos autos, o que é inviável na via estreita do writ. Nesse sentido: RHC 51.659/CE, Rel. Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 5/5/2016, DJe 16/5/2016; e RHC 63.480/SP, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 1/3/2016, DJe 9/3/2016.
- Se as instâncias ordinárias reconheceram que as condutas imputadas ao recorrente, em princípio, se subsomem ao tipo previsto no art. 288-A do Código Penal, porquanto presentes todas as elementares do crime de constituição de milícia privada, verifica-se a existência de justa causa para o prosseguimento da ação penal.
- Agravo regimental desprovido.
Trechos literais, sem inferência de tese ou aplicação automática ao caso de terceiros.
Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS.
CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA. NULIDADE. COLHEITA DE ELEMENTOS
PROBATÓRIOS. NÃO VERIFICAÇÃO. DENÚNCIA RECEBIDA. PREJUDICIALIDADE.
AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. ANÁLISE FÁTICO-PROBATÓRIA. AGRAVO
REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. "[E]ventuais irregularidades ocorridas na fase investigatória,
dada a natureza inquisitiva do inquérito policial, não contaminam a
ação penal" (HC n. 586.321/AP, Relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta
Turma, julgado em 18/8/2020, DJe 28/8/2020). No mesmo sentido:
"[e]ventual vício no inquérito policial não tem o liame de
contaminar a ação penal, dada a natureza meramente informativa das
peças processuais e sua dispensabilidade na formação da opinio
delicti" (AgRg no AREsp n. 1374735/DF, relatora Ministra Laurita
Vaz, Sexta Turma, DJe de 4/2/2019).
2. Tal entendimento prevalece ainda que a nulidade venha a ser
comprovada, sobretudo se não há demonstração de prejuízo à defesa,
tudo em conformidade com o princípio do pas de nullité sans grief
(informações complementares à ementa (voto vista do Ministro Luis
Felipe Salomão) na APn 741-DF, relator Ministro Og Fernandes, Corte
Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 23/10/2018).
3. Hipótese em que a denúncia já foi oferecida e devidamente
recebida, razão pela qual a pretensão de reconhecimento de eventuais
nulidades ocorridas durante a fase inquisitiva encontra-se
prejudicada, pois, uma vez instaurada a ação penal, todo o conteúdo
probatório obtido será revisitado durante a fase instrutória, sob o
pálio do devido processo legal, nos quais são assegurados o
exercício do contraditório e da ampla defesa.
4. A configuração da quebra da cadeia de custódia, com efeito,
pressupõe a existência de irregularidades no procedimento de
colheita e conservação da prova, não demonstrados de plano pelo
recorrente.
5. Instâncias ordinárias que foram firmes ao asseverar a presença de
elementos informativos suficientes para justificar a persecução
criminal em desfavor do recorrente, devendo ser ressaltado que o
reconhecimento da ocorrência de quebra da cadeia de custódia, neste
momento processual, demandaria amplo revolvimento do conjunto
fático-probatório, o que, como é sabido, não é possível na via
eleita.
6. O reconhecimento da ausência de justa causa exige profundo exame
do contexto probatórios dos autos, o que é inviável na via estreita
do writ. Nesse sentido: RHC 51.659/CE, Rel. Ministro Nefi Cordeiro,
Sexta Turma, julgado em 5/5/2016, DJe 16/5/2016; e RHC 63.480/SP,
Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 1/3/2016, DJe
9/3/2016.
7. Se as instâncias ordinárias reconheceram que as condutas
imputadas ao recorrente, em princípio, se subsomem ao tipo previsto
no art. 288-A do Código Penal, porquanto presentes todas as
elementares do crime de constituição de milícia privada, verifica-se
a existência de justa causa para o prosseguimento da ação penal.
8. Agravo regimental desprovido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de
Justiça, em sessão virtual de 02/05/2023 a 08/05/2023, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Joel Ilan Paciornik,
Messod Azulay Neto e João Batista Moreira (Desembargador convocado
do TRF1) votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Joel Ilan Paciornik.
Jurisprudência citada no registro do STJ
(NULIDADE - IRREGULARIDADES NA FASE INQUISITORIAL - CONTAMINAÇÃO -
FASE PROCESSUAL)
STJ - <<HC 586321>>-AP, <<AgRg no AREsp 1374735>>-DF
(NULIDADE - DEMONSTRAÇÃO DE EFETIVO PREJUÍZO - PAS DE NULLITÉ SANS
GRIEF)
STJ - <<APn 741>>-DF
(WRIT PROFILÁTICO - TRANCAMENTO DA PERSECUÇÃO CRIMINAL - AFERIÇÃO -
JUSTA CAUSA - DILAÇÃO PROBATÓRIA)
STJ - <<RHC 51659>>-CE, <<RHC 63480>>-SP
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.