STJ — 1438895
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Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ROUBO DUPLAMENTE
MAJORADO. CORRUPÇÃO DE MENOR. DOSIMETRIA DA PENA. REPRIMENDA BÁSICA
DO CRIME DE ROUBO ACIMA DO MÍNIMO LEGAL. DESFAVORECIMENTO DAS
CIRCUNSTÂNCIAS DO DELITO. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA E IDÔNEA. CRITÉRIO
DE AUMENTO. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. REDUÇÃO POR INCIDÊNCIA
DE ATENUANTE NA SEGUNDA FASE. PROPORCIONALIDADE. PLEITO DE
RECONHECIMENTO DO CONCURSO FORMAL PRÓPRIO ENTRE OS DELITOS DE ROUBO
E CORRUPÇÃO DE MENORES. ARGUMENTOS RECURSAIS DISSOCIADOS DOS
FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA
N. 284 DO STF. AUMENTO PELAS MAJORANTES. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO
ESPECÍFICA DO FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA
N. 182/STJ. AGRAVO REGIMENTAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESTA PARTE,
DESPROVIDO.
1. Na esteira da orientação jurisprudencial desta Corte, por se
tratar de questão afeta a certa discricionariedade do magistrado, a
dosimetria da pena é passível de revisão nesta instância
extraordinária apenas em hipóteses excepcionais, quando ficar
evidenciada flagrante ilegalidade, constatada de plano, sem a
necessidade de reexame do acervo fático-probatório dos autos.
2. Com efeito, é garantida a discricionariedade do julgador para a
fixação da pena-base, dentro do seu livre convencimento motivado e
de acordo com as peculiaridades do caso concreto, o que se verifica
na espécie, já que, conforme assentado pelo Tribunal de origem, "as
circunstâncias do crime são desfavoráveis, pois o réu praticou o
crime de roubo em uma embarcação e exigiu que as vítimas saltassem
ao mar, obrigando os ofendidos a nadarem em alto mar sem colete
salva-vidas por aproximadamente uma hora até que encontrassem ajuda,
colocando a sua integridade física e até mesmo a sua vida sob
elevado risco. Trata-se de conduta extremamente reprovável, muito
superior à normalidade do tipo penal, que demonstra personalidade
desvirtuada e completo desprezo pela vida humana" (e-STJ fl. 613).
Tais situações desbordam do tipo e revelam maior desvalor na conduta
perpetrada.
3. Outrossim, "a jurisprudência do STJ não impõe ao magistrado a
adoção de uma fração específica, aplicável a todos os casos, a ser
utilizada na valoração negativa das vetoriais previstas no art. 59
do CP." (AgRg no AREsp n. 2.045.906/MS, relator Ministro Rogerio
Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 23/3/2023, DJe de 30/3/2023.
).
4. Tendo em vista que o aumento, na primeira etapa, foi supe rior a
1/6, não há como retornar a pena ao mínimo legal pela incidência
atenuante da menoridade.
5. Quanto ao pleito de reconhecimento do concurso formal próprio, as
razões recursais estão dissociadas dos fundamentos expostos no
acórdão recorrido, impedindo, assim, a exata compreensão da
controvérsia (Súmula n. 284/STF).
6. Ademais, os agravantes deixaram de impugnar os fundamentos da
decisão agravada quanto ao aumento pelas majorantes na terceira fase
da pena, atraindo a aplicação do óbice previsto na Súmula n. 182
desta Corte. Precedentes.
7. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte,
desprovido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma, por unanimidade,
conhecer parcialmente do agravo regimental e, nessa extensão,
negar-lhe provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do
TJDFT), Laurita Vaz, Sebastião Reis Júnior e Rogerio Schietti Cruz
votaram com o Sr. Ministro Relator.